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2013-06-28

ÁSIA/SÍRIA - Novo relatório sobre a guerra civil: os cristãos estão entre os "mais vulneráveis"

Damasco (Agência Fides) - Como o sacrifício de vidas humanas no conflito sírio atinge o limite de 100 mil mortos, um detalhado relatório de 78 páginas feito e publicado por Open Doors International (agência de ajuda aos cristãos perseguidos, fundada pelo missionário evangélico holandês Anne van der Bijl) e enviado à Agência Fides documenta com dados objetivos a exposição especial da comunidade cristã síria às conseqüências desastrosas da guerra civil. O relatório, intitulado Vulnerability Assessment of Syria's Christians aos cuidados da analista geopolítica Nicholas Heras, coleta e expõe com rigor científico os fatores de "vulnerabilidades" que caracterizam a condição dos cristãos no cenário atual na Síria.
Ao contrário de outros grupos minoritários, como os alauítas e os curdos, alinhados contra as forças da oposição - lê-se no relatório de Open Doors - a posição dos cristãos em relação às frentes na luta parece ser mais complexa e matizada. Ao contrário do que afirmam setores da oposição, os cristãos não são um bloqueio e prejudicialmente em favor de Assad. Intelectuais cristãos como Michel Kilo, Faiz Sara e George Sabra (atual presidente do cartel da oposição Syrian National Coalition) desde o início exerceram um papel reconhecido na esfera da dissidência. Até mesmo muitos cristãos tinham participado nas manifestações antirregime para exigir mais liberdade e democracia, antes que o conflito se espalhasse, por todo o país. O estudo produzido por Open Doors fala de cristãos presentes entre as milícias do Free Syrian Army, braço militar da oposição. No lado oposto, até mesmo muitos cristãos seriam inscritos nos Comitês de autodefesa popular que surgiram para defender suas aldeias e assentamentos de ataques das milícias da oposição.
Segundo a análise de Heras, na primeira fase do conflito não foram vistos ataques dirigidos aos cristãos como tal. Com o tempo, o progressivo sectarismo da guerra civil registrou um aumento no número de assassinatos, sequestros, estupros e violência contra os cristãos feitos por grupos salafistas e jihadistas (como ameaças contra os cristãos de Homs feitas pelo batalhão al-Farouq, com a imposição taxa de "proteção" islâmica) que espalharam pânico entre os sírios batizados.
O relatório da Open Doors reúne notícias de várias fontes sobre a violência perpetrada contra os cristãos e descreve em detalhes os fatores objetivos que fazem da comunidade cristã um dos grupos mais vulneráveis no vórtice sangrento que está assolando o país, a partir de sua concentração em áreas estratégicas (áreas de Damasco, Homs e Aleppo e as áreas de fronteira com o Líbano e Turquia) ao centro de um confronto militar. Os cristãos – afirma o relatório - pagam o fato de "estarem no meio do fogo cruzado, sofrendo violência de ambos os lados". São alvos "fáceis" para todos os grupos criminosos que se aproveitam do caos. Eles sofrem mais hostilidade e perseguições em campos de refugiados. Eles são objeto de ataques direcionados cada vez mais freqüentes pelas gangues islâmicas. Há proporcionalmente mais refugiados e deslocados entre a população cristã do que entre outros grupos étnicos e religiosos. E sua vulnerabilidade é acentuada pela relutância em se organizar em milícias armadas de autodefesa sectária. Uma série de elementos que fazem projeções sombrias sobre o futuro dos cristãos na Síria prenunciado nas últimas páginas do relatório, qualquer que seja o resultado da guerra civil. (GV) (Agência Fides 28/6/2013).

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