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Africa

2003-10-21

ÁFRICA/BURUNDI - AS PERSPECTIVAS DE PAZ DEPOIS DE 10 ANOS DE GUERRA

Bujumbura (Agência Fides) - “Trata-se talvez da tentativa mais séria de levar a paz ao país”, afirma à Agência Fides uma fonte eclesial local de Bujumbura, de quem não publicamos o nome por motivos de segurança. O comentário refere-se aos acordos entre o governo de Burundi e o principal grupo rebelde do país, as Forças pela Defesa da Democracia (FDD), assinados em Pretória no dia 8 de outubro de 2003 (consulte a Fides). “Parece que o governo, o exército e a guerrilha estejam dispostos a respeitar os pactos assinados”, diz a fonte da Agência Fides. “Já é possível notar resultados práticos, com uma certa redução dos confrontos armados. Infelizmente, a segunda guerrilha burundinesa, as Forças Nacionais de Libertação (FLN), não aderiu aos acordos e continua a combater.”
“Este grupo é também muito difícil de ser contatado, porque seus dirigentes vivem clandestinamente na floresta e encontram raramente pessoas estranhas à organização. Conhecemos o nome do chefe, mas não seu aspecto físico. Assim, eventuais mediadores que fossem encontrá-lo não teriam a certeza que realmente se trata dele”, afirma a fonte, que acrescenta: “Os líderes das FLN interpretam o conflito somente em termos de uma clara contraposição entre hutu e tutsi, e querem discutir somente com os chefes do exército, que é dominado pelos tutsi. Mas a realidade é muito mais complexa, sobretudo após a formação de um governo de unidade nacional do qual fazem parte os principais partidos políticos, e as etnias do país estão devidamente representadas. Se é verdade que ainda existe um núcleo forte de membros tutsi que dominam o exército, os chefes militares aceitaram reequilibrar a formação étnica das Forças de ordem. De acordo com os acordos de Pretória, as FDD obtiveram 40% dos cargos oficiais do exército e 35% das Forças de ordem”.
“Apesar dessas dificuldades, os próprios líderes das FLN pediram à Igreja Católica para mediar as negociações entre o grupo e o governo. As FLN pediram explicitamente a intervenção de Dom Evariste Ngoyagoye, Arcebispo de Bujumbura, e de Dom Simon Ntamwana, Arcebispo de Gitega. A propósito, os dois bispos convidaram os fiéis a expressarem sua opinião, e diante de uma resposta positiva, aceitaram mediar as duas partes. Permanece, porém, o problema logístico de como encontrar representantes do governo e da guerrilha em um lugar considerado seguro para as duas partes”, afirma a fonte da Agência Fides.
Para observar o respeito dos acordos, está em curso o posicionamento no país de uma força de paz africana composta de três mil militares provenientes da África do Sul, Etiópia e Moçambique. “Se os confrontos entre exército e as FDD acabaram, ou pelo menos diminuíram, permanece um clima de forte insegurança por causa do banditismo, que está se tornando uma verdadeira praga. Por causa da guerra, há muitas armas e combatentes no país. Rebeldes que não aderiram ao pedido de deposição das armas, militares que arredondam o baixo salário como podem e por isso tornam a população refém, impedindo a volta da paz”, conclui a fonte da Agência Fides. (L.M.) (Agência Fides 21/10/2003, linhas 40 palavras 521)

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