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2014-03-26

ÁSIA/LÍBANO - O Patriarca Rai intervém sobre a eleição do novo Presidente

Bkerkè (Agenzia Fides) – A eleição do novo Presidente da República libanesa é uma escolha que compete somente aos cidadãos do Líbano “e não aos iranianos, aos sauditas ou aos americanos”. Esta deve ser realizada à luz do dia pela Assembleia parlamentar, e não através de acordos secretos extraparlamentares entre as facções contrapostas que há anos bloqueiam o correto funcionamento das instituições estatais. Assim, o Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Bechara Boutros Rai, se expressou numa entrevista concedida na terça-feira, 25 de março, à rede televisiva LBCI. No decorrer da entrevista, o Patriarca Rai pediu várias vezes ao presidente do parlamento Nabih Berri que convoque imediatamente a Assembleia parlamentar para permitir aos deputados iniciar o mais rápido possível a pesquisa de candidatos para a presidência da República.
O chamado a envolver logo o Parlamento, expresso pelo Patriarca, contrasta com as medidas de quem aposta, ao invés, na escolha do novo Presidente com base em acordos pré-organizados entre os dois blocos políticos majoritários – a Coalizão 8 de março e a Coalizão 14 de março – que há anos condicionam a vida política do país dos cedros.
O atual Presidente, Michel Sleiman, terminará seu mandato no próximo dia 25 de maio. No sistema institucional em vigor no Líbano, o cargo de Presidente da República é atribuído a um cristão. As preocupações expressas pelo Líder da Igreja maronita se referem à possibilidade que a contraposição entre os blocos possa levar a um impasse ou a escolhas de compromisso, subtraindo efetivamente à Assembleia parlamentar a competência da eleição.
O Patriarca reafirmou que não tem intenção de indicar nomes para o cargo de presidente, mas acrescentou que em caso de paralisação, divulgará a lista dos candidatos preferidos pelo povo libanês, com base em orientações documentadas em pesquisas de opinião.
Em relação ao perfil do candidato, o Patriarca Rai ressaltou a urgência de encontrar “uma pessoa moderna, que saiba tratar assuntos de Estado”, e reiterou que a escolher o Presidente devem ser somente os cidadãos libaneses, “e não os iranianos, sauditas ou estadunidenses”. O Cardeal e Patriarca Rai também revelou ter encontrado diplomatas de vários países para lhes pedir que mantenham o Líbano fora do conflito sírio, das negociações sobre o programa nuclear iraniano e das tensões entre Irã e Arábia Saudita, para garantir que a eleição do Presidente não seja condicionada por tensões regionais e internacionais.
Interpelado a este respeito pelas milícias relacionadas ao partido xiita Hezbolá, o Patriarca Rai reiterou que elas não podem agir fora da jurisdição do Estado e devem ser inseridas no âmbito da estratégia de defesa nacional. (GV) (Agência Fides 26/3/2014).

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