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2013-07-02

ÁSIA/IRÃ - A eleição de Rohani visto pelos judeus iranianos

Teerã (Agência Fides) - A eleição do novo presidente iraniano Hassan Rohani é para os judeus iranianos a confirmação de que "O Irã é um país democrático, onde é bastante normal mudar o presidente e os membros do Parlamento, de acordo com as necessidades do momento". Foi o que declarou à Agência Fides o Dr. Ciamak Morsadegh, representante da comunidade judaica no Parlamento em Teerã. Segundo Morsadegh, a vitória surpreendente do "moderado" Rohani no primeiro turno da eleição presidencial não envolve uma descontinuidade radical nas perspectivas geopolíticas da República Islâmica do Irã: "As estratégias e os interesses subjacentes do país não mudam. As mudanças oportunas devem ser introduzidas de forma gradual e sempre tendo em conta o interesse geral da nação. Caso contrário, um país entra em vertigem e ameaça se desestabilizar", observa Morsadegh.
Os judeus no Irã são 25 mil. As sinagogas e os lugares de culto judaico são mais de cem em todo o país. A comunidade judaica iraniana tem um assento no Parlamento em Teerã (onde dois lugares cabem por lei aos cristãos e um para os zoroastristas). Segundo Morsadegh, que dirige o hospital judaico na capital, agora o Irã fornece o exercício pleno da cidadania aos membros das minorias religiosas: "Antes da revolução islâmica" refere o parlamentar "a Constituição nos definia como judeus, cristãos e zoroastristas residentes no Irã. Na atual Carta Constitucional somos definidos como iranianos judeus, cristãos e zoroastristas. Os problemas mais graves que enfrentamos são os mesmos enfrentados por nossos irmãos muçulmanos: inflação, desemprego e problemas econômicos. Às vezes acontece que algum funcionário de baixo nível no governo se mostre relutante em contratar um judeu, mas quase todos os episódios foram resolvidos através do recurso às autoridades competentes. No Irã, nunca houve guetos judeus, mesmo em séculos passados. E depois da Revolução não ocorreu nenhum episódio de antissemitismo organizado". Segundo o deputado judeu, a não permeabilidade entre as diferentes comunidades religiosas, e a contrariedade das conversões no Irã é comum a todos os grupos religiosos, e isso não é uma característica exclusiva da maioria xiita: "Para nós", explica Morsadegh "a taxa de casamentos inter-religiosos dentro da comunidade judaica é muito baixa, menos de 0,1 por cento. Somos judeus, queremos permanecer judeus, e nós não consideramos as comunidades religiosas como clubes que podem ser mudados à vontade. No Irã, qualquer pessoa que faz propaganda contra uma das religiões monoteístas é punida. As punições são as mesmas para quem ofende Maomé, Moisés ou Jesus".
No que diz respeito às relações com as nações e os poderes circunstantes, Morsadegh disse firmemente que a comunidade judaica do Irã tem como único critério para julgar os acontecimentos geopolíticos, o interesse geral da nação: "Na guerra entre Irã e Iraque fui combater como voluntário. No Irã, ninguém quer a guerra. Nos últimos trezentos anos, nós iranianos não começamos nenhuma guerra, só nos defendemos dos ataques dos outros. Mesmo agora, se algum louco - qualquer um – coloque na cabeça de atacar o nosso país, nós, judeus iranianos faremos de tudo para defender nossa pátria". (GV) (Agência Fides 2/7/2013).

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