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Asia

2012-11-21

ÁSIA/TERRA SANTA - “Hoje tivemos os funerais do primeiro cristão” - diz Irmã Nazareth, de Gaza, “não houve nenhuma trégua”

Gaza (Agência Fides) - Abu Boulos Salem tinha cerca de 50 anos e 5 filhos: foi a primeira vítima cristã da operação “Coluna de fumaça” conduzida pelas forças armadas israelenses na Faixa de Gaza. “Provavelmente tinha problemas cardíacos e não suportou a tensão destes dias. Não acordou mais depois de ter conseguido dormir” – conta à Agência Fides irmã Nazareth, religiosa do ramo feminino do Instituto do Verbo Encarnado (IVI) a quem são confiados os cuidados pastorais da paróquia católica da Sagrada Família.
Boulos Salem era cristão ortodoxo. De seus funerais, celebrados esta manhã na Igreja greco-ortodoxa de Gaza, participaram muitos católicos, a começar pelo pároco, pe. Jorge Hernandez. Irmã Nazareth diz que “havia mais de cem pessoas. Falando com elas, ficou evidente o medo em que vivem todos. Recordam ter já vivido situações semelhantes. Estamos angustiados principalmente por suas crianças. Têm terror do possível ataque por terra. Este estado dura há dias, de noite não se consegue dormir, e tudo isso começar a alterar os nervos e o espírito de muita gente”.
Irmã Nazareth confirma à Fides que até agora, a represália militar não teve interrupções, “Depois dos funerais, celebramos a Missa na paróquia católica. Havia cerca de vinte pessoas. Ouvíamos as explosões, que foram diminuindo durante a manhã, mas nunca pararam”.
Os mais atingidos são as crianças, mortas e feridas, mas também as outras. “É um paradoxo que justamente hoje seja celebrada a Jornada da Infância” – observa Irmã Nazareth. “É o que diziam seus pais, que encontramos nos funerais: seus filhos tiveram crises de nervos. Vivem no terror pensando no que pode acontecer; mães e pais têm medo que fiquem marcados para sempre”.
Em meio a este clima, a presença de irmã Nazareth e de seus amigos ajuda muitas pessoas a não enlouquecerem de angústia e de dor. Ninguém se aproxima da Igreja, para não correr riscos. Agora, elas confortam as famílias por telefone, informando-se sobre o que precisam. A religiosa argentina prossegue: “As pessoas ficam surpresas pelo fato que nós permanecemos aqui. Dizem: se tivéssemos a possibilidade de fugir, o faríamos sem pensar nem um momento. Vocês, que poderiam ir embora, ficam aqui conosco. Para nós e para eles, este é um sinal poderoso de que a Igreja é mãe e não abandona seus filhos, principalmente nos momentos difíceis”. (GV) (20/11/2012).

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