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Vaticano

2004-01-02

VATICANO - A FALTA DE UMA POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE NOS PAÍSES POBRES CAUSA MORTES QUE MUITAS VEZES PODERIAM SER EVITADAS

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – A situação sanitária em todo o mundo, com especial referência às regiões mais necessitadas, é precária. Pobreza, subnutrição e carências higiênicas podem transformar em ameaças letais as infecções banais: malária, pneumonia, disenteria etc. A Igreja está presente com mais de 21.757 instituições sanitárias espalhadas em todo o mundo e procura ajudar independentemente da confissão religiosa. A seguir, uma série de dados alarmantes sobre as doenças que mais causam óbitos e algumas informações sobre instituições sanitárias católicas.
As doenças infecciosas são responsáveis por quase metade dos óbitos nos países em desenvolvimento, principalmente porque as pessoas mais pobres não têm acesso aos medicamentos necessários para a prevenção e para o tratamento. HIV, tuberculose e malária são as três causas principais, cerca de 300 milhões de pessoas adoecem e mais de 5 milhões morrem todos os anos. Entre as doenças infecciosas letais existem as chamadas doenças infantis, que fizeram 1 milhão e 318 mil vítimas. Entre elas, a coqueluche, com cerca de 20–40 milhões de notificações em todo o mundo a cada ano, 90% dos quais em países em desenvolvimento. Cerca de 200.000–400.000 desses pacientes, principalmente crianças, morrem. A poliomielite foi responsável por cerca de 1919 casos registrados em 2003. O sarampo causou 745.000 mortes e existem países onde menos de 50% das crianças de 0-1 ano foram vacinadas: no Mali, somente 33%; na Rep. Centro-Africana, 35%; no Congo, 37%; na Nigéria, 40%; no Afeganistão, 44%; em Vanuatu, 44%; na R.D. do Congo, 45%. A difteria matou 6 mil pessoas em todo o mundo; enquanto o tétano 282 mil.
A meningite é outra doença infecciosa letal, foram registrados 173 mil óbitos, dos quais 22 mil na África; 17 mil na América; 29 mil no Mediterrâneo oriental; 15 mil na Europa; 74 mil no sudeste da Ásia; 16 mil no Pacífico ocidental.
Devido a carências nutricionais morreram 477.000 pessoas, das quais 151.000 na África; 59.000 na América; 43.000 no Mediterrâneo oriental; 12.000 na Europa; 189.000 no sudeste asiático; 23.000 no Pacífico ocidental.
Outra causa grave de doença é derivada da carência de ferro, ou seja, a anemia. A carência alimentar de ferro é rara nos países industrializados, todavia em tais países a dieta pode revelar-se inadequada e isso ocorre especialmente entre as pessoas idosas,entre os mais pobres e em idade infantil. Também causam anemia uma reduzida absorção de ferro, a perda crônica de sangue, úlceras, gastrites hemorrágicas, carcinoma do cólon, carcinoma do útero e tumores renais.
No quadro mundial, a carência de ferro atinge: nos Estados Unidos, 20% das mulheres adultas, 50% das mulheres grávidas, 3% dos homens e 30% das crianças (no país, o índice de mortalidade é mínimo, considerando o progresso industrial e tecnológico). As anemias causadas pela falta de ferro atingiram 138.000 pessoas, 21.000 na África; 14.000 na América; 11.000 no Mediterrâneo oriental; 6.000 na Europa; 81.000 no sudeste asiático; 4.000 no Pacífico ocidental.
A Hepatite B é uma doença do fígado causada pelo vírus da Hepatite B. É extremamente contagiosa e pode ser transmitida sexualmente ou pelo sangue. Mesmo que o vírus da Hepatite B possa infectar pessoas de todas as idades, quem mais correm risco são os jovens adultos e os adolescentes. O vírus da Hepatite B ataca diretamente o fígado e em alguns casos pode levar à morte. 81.000 pessoas estão infectadas, das quais 11.000 na África; 6.000 na América; 9.000 no Mediterrâneo oriental; 4.000 na Europa; 29.000 no sudeste asiático; 23.000 no Pacífico ocidental.
A Hepatite C é uma inflamação do fígado (hepatite) causada pelo vírus da Hepatite C. Contrariamente aos outros vírus da Hepatite (A, B, D e E), a infecção causada pelo vírus da hepatite C – descoberto em 1989 – pode evoluir para a doença crônica. O vírus é transmitido principalmente pelo sangue, mas pode estar presente também em outros líquidos corpóreos. 46.000 pessoas estão infectadas, das quais 6.000 na África; 6.000 na América; 4.000 no Mediterrâneo oriental; 5.000 na Europa; 12.000 no sudeste asiático; 12.000 no Pacífico ocidental
Outra chaga que atinge as faixas mais pobres dos países de baixa renda é a hanseníase, com mais de um novo caso por minuto e dez milhões de pessoas infectadas. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os novos casos de hanseníase diagnosticados no mundo em 2001 são 760.695.
Entre as doenças tropicais, a Dengue, a cada ano, contamina 25 milhões de pessoas.
Segundo os últimos dados da OMS, morrem de tuberculose cerca de 2 milhões de pessoas por ano, das quais 1.075 milhões de homens e 569.000 mulheres. Se o vírus não for controlado, calcula-se que até 2020 seja registrado cerca de 1 bilhão de novos contaminados; destes, cerca de 150 milhões desenvolverão a doença e 36 milhões morrerão. Na África, foram registrados 336.000 óbitos entre adultos e crianças; na América, 46.000; no Mediterrâneo oriental, 133.000; na Europa, 77.000; no sudeste asiático, 701.000; no Pacífico ocidental, 351.000.
No curso dos últimos anos, a malária foi a causa de 1 milhão e 124.000 óbitos, dos quais 903.000 na África; 1.000 na América; 55.000 no Mediterrâneo oriental; 95.000 no sudeste asiático; 10.000 no Pacífico ocidental. Manter a doença sob controle não é difícil, mas ainda é baixa a porcentagem de crianças que dormem protegidas dos mosquitos que provocam a doença: 0% em Suazilândia; 3% em Burundi e Zimbábue; 6% na Guatemala, Ruanda, Tadjiquistão e Zâmbia; 7% em Uganda; 8% em Malauí; 10% em Angola e Costa do Marfim. Cerca de 500,000 crianças africanas são vítimas a cada ano da malária cerebral (forma aguda da doença que atinge o cérebro), cerca de 10-20% morrem.
Nos países em desenvolvimento, há mais de um bilhão de pessoas que sofrem de subnutrição crônica, das quais 34% se encontram na África Subsaariana. Sempre por causa da fome crônica, a cada ano registram-se 12 milhões de óbitos (55%) entre as crianças com menos de 5 anos de idade.
Segundo as estimativas da FAO feitas entre 1999 e 2001, existem 842 milhões de pessoas subnutridas no mundo, 10 milhões vivem nos países industrializados, 34 milhões nos países em desenvolvimento e 798 milhões naqueles subdesenvolvidos.
AIDS/HIV

Infelizmente, a situação dos órfãos por causa da AIDS/HIV permanece muito grave. Na África Subsaariana, existem 11 milhões de crianças órfãs da AIDS. Na Zâmbia, cerca de 75% dos novos professores são contratados para substituir aqueles que foram vítimas da doença. No Malauí, por causa da difusão de contágios entre os professores, em algumas escolas a relação estudante-professor chega a 96 por 1.
Em 2001, mais de 250 mil crianças entre 0 e 14 anos ficaram órfãs por causa da AIDS/HIV: na Nigéria, as vítimas foram 995.000; na Etiópia 989.000; na R.D. do Congo 927.000; no Quênia 892.000; em Uganda 884.000; na Tanzânia 815.000; em Zimbábue 782.000.
Os mortos de AIDS em 2003 foram 3 milhões: 2.5 milhões de adultos e 500 000 crianças com menos de 15 anos. A cada dia, 6.000 jovens são vítimas do HIV em todo o mundo.
Na África Subsaariana contam-se 25.0 – 28.2 milhões de adultos e crianças contaminados; 3.0 – 3.4 milhões de novas contaminações entre adultos e crianças; 2.2 – 2.4 milhões de mortes entre adultos e crianças;
Na África do Norte e no Oriente Médio 470 000 – 730 000 milhões de adultos e crianças contaminados; 43 000 – 67 000 milhões de novas contaminações entre adultos e crianças; 35 000 – 50 000 mortes entre adultos e crianças;
No Sudeste asiático 4.6 – 8.2 milhões de adultos e crianças contaminados; 610 000 – 1.1 milhões de novas contaminações entre adultos e crianças; 330 000 – 590 000 mortes entre adultos e crianças;
Na Ásia ocidental e no Pacífico 700 000 – 1.3 milhões de adultos e crianças contaminados; 150 000 – 270 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 32 000 – 58 000 mortes entre adultos e crianças;
Na América Latina 1.3 – 1.9 milhões de adultos e crianças contaminados; 120 000 – 180 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 49 000 – 70 000 mortes entre adultos e crianças;
No Caribe 350 000 – 590 000 milhões de adultos e crianças contaminados; 45 000 – 80 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 30 000 – 50 000 mortes entre adultos e crianças;
No Leste da Europa e na Ásia Central 1.2 – 1.8 milhões de adultos e crianças contaminados; 180 000 – 280 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 23 000 – 37 000 mortes entre adultos e crianças;
Na Europa ocidental 520 000 – 680 000 milhões de adultos e crianças contaminados; 30 000 – 40 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 2 600 – 3 400 mortes entre adultos e crianças;
Na América do Norte 790 000 – 1.2 milhões de adultos e crianças contaminados; 36 000 – 54 000 de novas contaminações entre adultos e crianças; 12 000 – 18 000 mortes entre adultos e crianças
Na Austrália e Nova Zelândia 12 000 – 18 000 milhões de adultos e crianças contaminados; 700 – 1 000 novas contaminações entre adultos e crianças; 100 mortes entre adultos e crianças;
A alarmante difusão do vírus eleva a um total de 40 milhões os adultos e as crianças contaminados; 5 milhões de novas contaminações entre adultos e crianças; 3 milhões de óbitos entre adultos e crianças.


AS MULHERES E A AIDS/HIV
A porcentagem de infecções entre as mulheres é muito alta. Do total de pessoas contaminadas pela AIDS/HIV, 14.8 milhões são mulheres; de um total de 5 milhões de novas contaminações entre os adultos, 2.3 milhões são mulheres; dos 3 milhões de mortos de AIDS em 2003, 1.1 milhões eram mulheres; existem 12-13 mulheres africanas contaminadas para cada 10 homens africanos; 2,5 milhões de crianças com menos de 15 anos de idade foram contagiadas pelas mães; 55% das infecções entre os adultos na África Subsaariana são mulheres, 30% na Ásia, 20% na Europa e EUA.

INSTITUIÇÕES SANITÁRIAS CATÓLICAS

Desde o último censo realizado pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, resulta que a Igreja está vinculada a 21.757 instituições sanitárias, presentes em 12.596 localidades de 135 Estados, ou seja, em 76% dos Estados do mundo.
Em 108 desses Estados, a religião predominante é o catolicismo; nos 27 restantes de confissão religiosa não-católica, a Igreja está presente em numerosas instituições sanitárias (Argélia, Comores, Etiópia, Japão, Djibuti, Grécia, Guiné, Hong Kong, Kuweit, Líbia, Mali, Marrocos, Nepal, Noruega, Paquistão etc..): são principalmente Estados africanos e asiáticos de religião islâmica, budista, taoísta etc.
Das instituições sanitárias católicas, 37,4% pertencem a ordens religiosas e 19,12% às dioceses, num total de 56,52%. Na África e na Ásia, cerca de 80% das instituições sanitárias são católicas, pertencente a ordens religiosas (respectivamente 35% e 70%) e às dioceses (respectivamente 45% e 10%); na América, 60% das instituições são católicas, sendo que 47% são de propriedade de ordens religiosas e 13% das dioceses; na Europa, 39% das instituições são católicas, 30% de propriedade das ordens religiosas e 9% das dioceses.
Na Índia, contam-se 2.729 instituições, correspondentes a 70% do continente asiático; 83% da população é hinduísta e somente 3% cristã. Ali, atuam mais de 100 diferentes ordens religiosas católicas. Guatemala, Haiti, Costa Rica e El Salvador têm 92 instituições sanitárias administradas por católicos. (AP) (2/1/2004 Agência Fides; Linhas:143 Palavras:1923)

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