ÁFRICA/RD CONGO - A competição entre maioria e oposição nos funerais de Étienne Tshisekedi

Sábado, 25 Fevereiro 2017

Kinshasa (Agência Fides) - “Com a morte de Étienne Tshisekedi (veja Fides 2/2/2017), a UDPS (União para a Democracia e o Progresso Social) e o Grupo da Oposição, perderam a sua principal ‘alavanca’ de poder” afirma uma nota enviada à Agência Fides pela Rede Paz para o Congo. “Agora, os membros da oposição temem que o poder não se sinta mais obrigado a uma aplicação rápida do acordo de 31 de dezembro, que inclui, entre outras coisas, a nomeação do Primeiro-Ministro apresentado pelo Grupo e a criação de um novo governo de unidade nacional”, explica a nota, referindo-se ao acordo de São Silvestre para a criação de um governo de unidade nacional que conduza a República Democrática do Congo às eleições presidenciais até o fim de 2017.
“Os líderes da oposição pensam que se deve chegar a uma rápida conclusão das atuais negociações sobre as formas concretas de aplicação do acordo, para permitir ao próximo Primeiro-Ministro (quase certamente da UDPS e muito provavelmente membro da família do líder falecido) e ao novo Governo de unidade nacional organizar, finalmente, os funerais de Étienne Tshisekedi de maneira digna e, principalmente, pacífica. Em outras palavras, primeiramente será dividido o apetitoso bolo do poder e em seguida, virão os funerais”, afirma a nota.
Também o presidente Kabila e a maioria presidencial fizeram suas contas. Para eles, a lógica é diferente: antes os funerais porque, segundo a tradição bantu, o luto é algo de sacro; depois a retomada das negociações com a oposição, buscando a aplicação do acordo de 31 de dezembro. “Entretanto, o tempo passa … mas neste meio tempo, a maioria continuou a comer o bolo do poder sozinha”. É melhor adiar, comenta a nota, segundo a qual a maioria do Presidente Kabila adotou a ‘estratégia do adiamento’. Adiar para depois das exéquias a nomeação do Primeiro-Ministro e a formação do governo de unidade nacional, previstos no acordo de 31 de dezembro de 2016 vai permitir também adiar as eleições presidenciais, legislativas nacionais e legislativas provinciais previstas, segundo o acordo, até o fim de dezembro de 2017.
Além disso, sabendo que nos funerais de Étienne Tshisekedi haverá centenas de milhares de pessoas, o presidente Kabila e o governo Badibanga estão tentando se apropriar de sua organização. Isto lhes permitirá aparecer como ‘garantes da democracia’, reservando as honras de um funeral de Estado a um membro eminente da oposição e ‘assegurar a segurança’ da multidão, em caso de eventuais violências provocadas por ‘extremistas’. (L.M.) (Agência Fides 25/2/2017)


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