ÁSIA/SÍRIA - A UE confirma as sanções. O Arcebispo Marayati: quem sofrerá é o povo, não quem comanda. E há quem não quer que a guerra acabe

Sábado, 28 Maio 2016 política internacional  

change.org

Aleppo (Agência Fides) – A prorrogação de um ano das sanções contra a Síria de Assad, decidida ontem pelo Conselho da União Europeia (UE), representa a enésima expressão “de uma política incompreensível, que nos desnorteia. Porque as sanções prejudicam o povo, os civis, as pessoas pobres. Não certamente o governo e muito menos os grupos armados que, como se vê, são bem fornecidos de todos os recursos, e usam armas sempre mais sofisticadas”. Assim, o Arcebispo Boutros Marayati, à frente da arquieparquia armênia católica de Aleppo, comenta a decisão tomada ontem pela União Europeia de prorrogar até 1o de junho de 2017 as sanções impostas a uma nação dilacerada por cinco anos de conflito.
Nas semanas passadas, também o Arcebispo Boutros subscreveu o apelo/petição lançado na plataforma change.org, com o qual numerosos Bispos, religiosos e consagrados católicos, pertencentes a diferentes Igrejas sui iuris, pediam à União Europeia de acabar com a “inequidade das sanções à Síria” (veja Fides 17/5/2016).
“Sabemos que ninguém nos escuta. Assim, as pessoas continuam sofrendo. Também ontem, conta à Agência Fides Mons. Marayati, a nossa casa para idosos armênios foi bombardeada. Morreu uma funcionária que cuidava deles, e tivemos de levar embora 45 idosos, que agora vivem numa sala subterrânea da paróquia armênia ortodoxa. A situação está piorando. Dos bairros nas mãos dos rebeldes chegam tiros de artilharia lançados com armas devastadoras que fazem mais mal do que os tiros de morteiro de antes. Em Aleppo, a trégua não persiste. Multiplicam-se os ataques de uma parte e da outra e nós estamos sob o fogo dos grupos jihadistas”.
Vista da fronteira de Aleppo, também a decisão europeia confirma as intuições de muitos bispos e pastores da região: “Se a guerra continua, disse à Fides o Arcebispo Boutros Marayati, significa dizer que alguém não quer que a guerra termine. Na Europa, cresce a obsessão pelos refugiados e se experimentam novas políticas de repulsão, mas se esquece que ninguém iria embora da Síria, se não fosse a guerra e também as sanções que contribuem para a fome das pessoas. A Síria sempre foi um país que acolhia os refugiados. Se as armas se calassem e se as sanções fossem tiradas, ninguém pensaria em fugir para viver debaixo da neve. Mas é evidente que alguém não quer que esta guerra termine. Pedimos a oração de todos a fim de que chegue a paz, com a graça do Senhor”. (GV) (Agência Fides 28/5/2016).


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