ÁFRICA/EGITO - Professor de al- Azhar: se for abolido o véu, deve ser abolido também trajar cruzes

Quinta, 14 Abril 2016 liberdade religiosa  

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Cairo (Agência Fides) – Se as leis impedirem às mulheres islâmicas de trajar o véu integral (Niqab), para evitar discriminações, deverá também ser proibido às mulheres cristãs usarem correntes ou cordões com cruzes. É este – segundo publicado pela imprensa egípcia – o discutível argumento utilizado nos últimos dias pelo xeque Ahmed Karima, professor da Universidade sunita al-Azhar, para defender o uso do Niqab diante da crescente mobilização de organizações egípcias que pedem a sua abolição em locais públicos. Em fevereiro, a campanha obteve um significativo sucesso com a proibição de vestir o véu integral para todas as mulheres que trabalham no Hospital da Universidade do Cairo.
Segundo o estudioso Karima, conhecido como especialista de Lei islâmica (Sharia), tais campanhas são expressão de uma estratégia planejada e atuada para atingir as tradições islâmicas do país, o que pode alimentar as reações extremistas de grupos islâmicos radicais. Segundo o xeque, um eventual impedimento de trajar o véu integral imposto por lei às mulheres islâmicas deve ter como equivalente a proibição das mulheres cristãs de usarem cruzes.
Há semanas, o estudioso e outros líderes islâmicos lançam o alarme sobre o avanço, no Egito, de “tendências secularistas” que, a seu ver, querem tornar ilegal tudo o que possa expressar exteriormente a pertença ao Islã. O xeque Karima reiterou que, do seu ponto de vista, a chamada “renovação do discurso religioso”, auspiciado várias vezes no Egito também pelo presidente Abdel Fattah al Sisi, não poderá certamente conduzir à abolição do que consta na Xariá, porque o Egito “é um país islâmico” e “os rituais islâmicos devem ser respeitados”. (GV) (Agência Fides 14/4/2016)


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