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Especial

2005-04-15

VATICANO - LUZES E SOMBRAS DA EUROPA NO SÍNODO CONTINENTAL CONVOCADO POR JOÃO PAULO II - A Exortação Apostolica “Ecclesia in Europa”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) - Em preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000, o Santo Padre João Paulo II convocou uma série de Assembléias continentais do Sínodo dos Bispos (veja TMA n.38), sendo que a última delas foi dedicada à Europa (1-23 outubro de 1999), sobre o tema “Jesus Cristo, vivo na sua Igreja, fonte de esperança para a Europa”. Uma precedente Assembléia do Sínodo dedicada à Europa havia sido realizada em 1991, pouco tempo depois da queda do muro de Berlim (1989). Levando em consideração as deliberações e as indicações do Sínodo de 1999, João Paulo II publicou em 28 de junho de 2003, vigília da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a Exortação apostólica “Ecclesia in Europa”, articulada em uma introdução, seis capítulos e uma conclusão. A palavra que está presente em todo o documento é “esperança”: “O Evangelho da esperança é Jesus Cristo, como Boa Nova que a Igreja traz aos homens e mulheres da Europa, para que sejam felizes, e à nova Europa que se quer construir, para que tenha fundamentas sólidas”, como disse o Arcebispo de Madri, Card. Antonio Maria Rouco Varela, que foi o Relator-geral do Sínodo, apresentando a Exortação apostólica na Sala de Imprensa da Santa Sé. O documento segue como fio condutor o livro do Apocalipse, como ícone bíblico que ilustra a nossa realidade: na Igreja primitiva, come hoje, a inserção dos cristãos na história é iluminada pela vitória de Jesus Cristo ressuscitado. A construção da cidade terrena prescindindo de Deus, ou contra Ele, não tem um futuro digno do homem. Partindo desta convicção, observa-se a realidade européia na perspectiva da esperança. Entre os sinais preocupantes, são citados a perda da memória e da herança cristã; o medo do futuro, que se manifesta no vazio interior, na baixa natalidade, no temor de assumir compromissos definitivos; uma difundida fragmentação da existência, que leva à diminuição da solidariedade interpessoal; algumas ofertas de esperança, como a ciência, o consumismo ou as experiências esotéricas, que certamente não podem satisfazer a autêntica sede presente no coração do homem.
Entre os sinais positivos de esperança, evidenciam-se dois aspectos: do ponto de vista da sociedade civil, a edificação da União Européia como comunidade de povos, segundo métodos democráticos, de modo pacífico e no respeito dos direitos humanos. Do ponto de vista eclesial, os sinais de esperança são a recuperação da liberdade para a Igreja no leste europeu; o concentrar-se da Igreja na sua missão espiritual e na primazia da evangelização; a crescente conscientização da missão própria de todos os batizados; o aumento da presença da mulher na comunidade cristã. Partindo desta realidade, a Igreja está consciente de ter um tesouro para oferecer à Europa: Jesus Cristo, esperança para a Europa. A fé cristã no passado deu uma contribuição fundamental para a construção do continente europeu, mas a Igreja está convencida de que pode dar ainda hoje uma grande contribuição, para a construção da Europa dos valores e dos povos.
Viver, anunciar, celebrar e servir o Evangelho da esperança: estes quatro enunciados constituem o núcleo da Exortação apostólica. O Papa chama todos os católicos da Europa a viver mais profundamente o Evangelho da esperança, sem perder a identidade cristã, comprometendo-se com a lógica do mundo. O Papa, portanto, destaca a necessidade de uma autêntica missão ad gentes entre os numerosos batizados e os vastos setores sociais e culturais que aguardam o primeiro anúncio da fé. Na celebração cristã, é necessário ainda perceber o sentido do mistério e toda a sua profundidade espiritual: em alguns ambientes, está se perdendo o significado autêntico dos sacramentos e há o risco de banalizá-los, enquanto muitos o pedem sem uma adequada preparação. Por fim, uma Igreja que vive a experiência do Amor de Deus deve preocupar-se com que os homens encontrem este Amor: daqui nasce o serviço da caridade e do amor preferencial pelos pobres, em todos os múltiplos aspectos.
“A Europa necessita de um salto qualitativo na conscientização da sua herança espiritual - conclui o Papa -. Tal ímpeto não pode vir senão de uma renovada escuta do Evangelho de Cristo. Cabe a todos os cristãos empenhar-se para satisfazer esta fome e esta sede de vida” (120). (Agência Fides 15/4/2005)

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