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2014-02-05

AMÉRICA/BRASIL - Igrejas locais e missão ad gentes: sair dos confins, anunciar o Evangelho, edificar a Igreja

Rio de Janeiro (Agência Fides) - "A Igreja da qual fala o Concílio é a comunidade eclesial que arraigada na história, percorre os caminhos de homens e mulheres de todas as épocas, até a plenitude da história em si. O Concílio Vaticano II enquadra a identidade missionária da Igreja no mistério trinitário e cristológico, intrinsecamente ligando-a com a salvação realizada em Cristo, da qual a Igreja é sinal e instrumento". Com estas palavras o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, iniciou a sua segunda palestra no curso de estudo que reúne no Rio de Janeiro 97 brasileiros (veja Fides 03/02/2014; 04/02 /2014). Na tarde de 4 de fevereiro, o cardeal se deteve na participação das Igrejas locais na missão ad gentes.
Depois de recordar a forma como a constituição Lumen Gentium afirma a natureza missionária da Igreja, o Cardeal sublinhou que "a afirmação da natureza eclesial essencialmente missionária deve ser referida à Igreja universal, seja local e/ou particular". A Igreja, fiel ao mandato do Senhor e animada pelo Espírito, "continua a enviar arautos do Evangelho, até que as novas Igrejas sejam totalmente estabelecidas e continuem por sua vez a obre de evangelização".
O Prefeito da Congregação para a Evangelização destacou três etapas, que estão inter-relacionadas, que indicam que a Igreja local possa participar da missio ad gentes: “sair dos próprios confins para anunciar o Evangelho, edificar a Igreja".
“A expressão ‘sair dos próprios confins’ – explicou – faz alusão a um movimento que não equivale somente a deixar um espaço geográfico para habitar outro… implica também num deslocamento de tipo cultural… tal deslocamento cultural pode ocorrer também dentro de um mesmo território ou em espaços virtuais”.
A segunda referência é ao mandato missionário: “Enviado pelo Pai, Cristo envia por sua vez seus apóstolos/discípulos, transmitindo-lhes o poder que Ele recebeu do Pai e dando-lhes o seu Espírito (cf. Jo 20-21-23). Trata-se de um convite que liga a Igreja e seus membros de uma forma não extrínseca, embora as fases, os tempos, os conteúdos e as finalidades da missão não dependam do enviado, mas daquele que envia”. A seguir, o Card. Filoni destacou a importância de duas áreas para a participação da Igreja local na missio ad gentes: a atenção aos âmbitos e à aplicação de processos dialógicos.
Para desenvolver o tema do anúncio do Evangelho, o Cardeal tomou como referência o capítulo 2 dos Atos dos Apóstolos, relevando que o elemento essencial é o conceito de que “o anúncio kerigmático que cria a Igreja-comunhão, interpela o ser humano em sua concretude seja da própria existência pessoal, seja da própria pertença a um contexto cultural específico”, e reiterou “o compromisso da Igreja local em vista da inculturação e contextualização do anúncio do Evangelho”.
Por fim, o conceito de edificar a Igreja não deve ser entendido meramente do ponto de vista quantitativo, ou melhor, “a missão ad gentes requer hoje um suplemento de reflexão sobre a figura da Igreja, individuando os traços característicos que mais expressam adequadamente a verdadeira natureza e missão nos tempos atuais”. Indicando em seguida esses traços, o Prefeito do Dicastério Missionário falou de “uma Igreja responsável e acolhedora”, “uma Igreja descentralizada e dinâmica”, “uma Igreja a serviço do Reino”. (SL) (Agência Fides 05/02/2014)

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