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2014-01-23

ÁFRICA/REPÚBLICA CENTRO AFRICANA - “O Estado está colapsado. Urge intervenção da ONU”: apelo do Arcebispo e do Imâme de Bangui

Bangui (Agência Fides) – O novo Presidente da República Centro-africana, Sra. Catherine Samba-Panza, presta juramento hoje, 23 de janeiro, neste país devastado pelos confrontos entre ex-rebeldes Seleka e as milícias anti-balaka. Quase sempre descrita como consequência de um conflito inter-religioso entre cristãos e muçulmanos, a situação centro-africana deriva, na verdade, da falência das instituições estatais, como destacaram o Arcebispo de Bangui, Dom Dieudonné Nzapalainga, e o Imâme Oumar Kobine Layama, Presidente da comunidade islâmica centro-africana, que se encontram em visita a Paris.
Os dois líderes religiosos estão fazendo uma turnê pelas capitais européias para pedir ajuda e apoio a seu país.
O Arcebispo e o Imâme, que se prodigaram para pacificar seus interlocutores em várias visitas conjuntas em igrejas e mesquitas onde estão refugiados milhares de desalojados, referem que entanto a situação em Bangui está relativamente sob controle. O resto do país está à mercê de Seleka e dos anti-balaka.
Felicitando-se pela eleição da Presidente Samba-Panza, (definida “uma mulher de ferro” pelo Imamê Kobine Layama), Dom Nzapalainga insistiu no fato que o novo Chefe de Estado se encontra diante de uma tarefa impossível, pois a administração estatal está completamente colapsada. “De 36 ministérios, apenas dois funcionam, a defesa e a administração do território”, disse à AFP o Arcebispo. “O Estado faliu. Ocorre reconstruir a administração com homens e meios, para que possa se deslocar em todo o território e permitir ao país ser um Estado”.
Os dois líderes religiosos pedem que a missão militar africana atualmente situada no país (MISCA) faça parte de uma mais ampla, sob a égide da ONU, para oferecer segurança a todo o território nacional. Atualmente existem na República Centro-africana 6.000 militares franceses da força Sangaris e das africanas da MISCA. Muito poucos para controlar um país do tamanho da França e Luxemburgo somados, destacou Dom Nzapalainga. “Com as forças da ONU, a República Centro-africana não será mais um assunto africano ou europeu, mas mundial”, concluiu o Arcebispo. (L.M.) (Agência Fides 23/1/2014)

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