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2013-10-10

ÁSIA/PAQUISTÃO - Igreja: “A tragédia de Peshawar reforça a nossa fé. Sim ao diálogo com os talibãs”

Faisalabad (Agência Fides) – A tragédia de Peshawar, que segundo dados oficiais, deixou 126 mortos e 166 feridos, “reforçou a fé dos cristãos no Paquistão. O ataque, dentro da Igreja, contra pessoas inocentes que rezavam, teve um efeito contrário ao imaginado: as pessoas vão à Igreja mais do que antes. Não têm medo, mas a forte convicção de que é preciso estar mais perto de Cristo, caminho, verdade e vida”: é o que diz, em entrevista à Agência Fides, pe. Bonnie Mendes, sacerdote paquistanês ex-Diretor da “Caritas Asia”, atualmente colaborador da Comissão da Caritas e da Comissão “Justiça e Paz” dos Bispos paquistaneses.
Pe. Mendes recorda que depois da tragédia de Peshawar “os cristãos viveram dias de luto e protestaram vivamente em todo o país. Também rezaram de modo ecumênico, com a presença de outras organizações da sociedade civil e de muitos outros líderes muçulmanos”. “A fé – explica à Fides pe. Mendes – foi muito reforçada. Os cristãos perdoaram os autores do massacre e a mensagem do Papa foi muito preciosa: nós o sentimos próximo de nós como nunca. Ainda ontem, na audiência geral, Papa Francisco pediu que se reforce a fraternidade com os muçulmanos: este apelo interpela muito nós, cristãos paquistaneses que vivemos imersos em uma realidade muçulmana”. O sacerdote não concorda com a visão da “perseguição” e afirma: “Como cristãos, hoje não estamos mais no alvo do que antes. O terrorismo atinge todos: os xiitas, o exército, os ahmadis, a polícia, os intelectuais muçulmanos moderados. Não há perseguição: o terrorismo é um desafio para todo o país”.
“Os talibãs paquistaneses têm uma agenda, não querem a democracia e querem impor a lei islâmica”, prossegue. Mesmo nesta situação, os cristãos no Paquistão “apoiam os esforços do governo para iniciar negociações com os talibãs paquistaneses”, explica pe. Mendes. “Não obstante o recente ataque, reivindicado por grupos talibãs, não há alternativa: todo esforço de diálogo é bem-vindo”, e representa “um ato de coragem pelo bem do país”, que tem uma necessidade urgente de “erradicar o terrorismo e reencontrar a harmonia interna, base para o bem-estar econômico e social”. “Não existem outras opções a não ser as negociações. O compromisso é ainda difícil, o caminho é tortuoso, mas é preciso percorrê-lo e respeitar plenamente o estado de direito”, conclui. (PA) (Agência Fides 10/10/2013)

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