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2013-10-01

ÁSIA/SÍRIA - Novos ataques de bandos armados em Sednaya; os cristãos se refugiam na fé e na oração

Damasco (Agência Fides) – Depois Maalula, é a vez de Sednaya, outra aldeia ao norte de Damasco, conhecida por ser patrimônio histórico, cultural e religioso, caracterizado por uma grande presença de igrejas e mosteiros cristãos e por uma comunidade local que ainda fala aramaico. Como apurado pela Fides, o vilarejo está sob constante ameaça de milícias islâmicas provenientes de Yabroud e das montanhas libanesas, além do confim, que organizam incursões e blitz para intimidar a população civil. Nos últimos dias, já houve atritos e um católico morreu (veja Fides 28/9/2013). Ontem, um novo ataque deixou um morto e um ferido entre os cristãos locais. Um religioso de Sednaya, que pede o anonimato, observa à Fides que “se trata de banditismo, mas é também uma vingança contra os cristãos. Não queremos atribuir a tais gestos um significado de perseguição religiosa, mas são, todavia, ataques mirados, que têm o efeito de criar desordem e medo entre os civis, pressupostos para a fuga”. A tática dos bandos armados agora é perpetrar ataques repentinos, que geram terror nos civis e provocam o êxodo. Depois, podem invadir as aldeias. “Hoje, o povo de Sednaya teme sofrer o mesmo destino de Maalula”, conclui o religioso.
Os civis de Maalula, entretanto, fugidos para Damasco, formaram um “Comitê”. Um dos representantes do Comitê explica à Fides: “Pedimos com força ajuda à comunidade internacional. Ninguém nos ajuda, o radicalismo islâmico é sempre mais discriminatório. Nós nos sentimos desprotegidos. Ninguém faz nada para prevenir os abusos de direitos humanos: pedimos uma intervenção da Comissão ONU de Genebra”. Os cristãos se sentem em risco, pois existem milhares de bandos armados espalhados no território sírio e é praticamente impossível protegê-los. Entretanto, em meio aos cristãos sírios, sempre mais vulneráveis, existe um despertar espiritual, um renovado impulso na fé, na oração e na proximidade interconfessional”, observa à Fides Irmã Carmel, que assiste os refugiados em Damasco. “No extremo sofrimento e no exemplo dos mártires, como pe. Murad ou o jovem Sarkis de Maalula, estamos reencontrando uma fé mais densa, profunda, que une”, afirma a religiosa católica.
Os cristãos estão relutantes em tomar as armas, inclusive para a própria defesa, e os líderes religiosos continuam a reiterá-lo. Repudiam a lógica de um conflito sectário, mas, em várias localidades, estão se formando pequenos comitês populares para prevenir as violências. Acontece, por exemplo, no chamado “Vale dos cristãos” (“Wadi al Nasara”), na Síria ocidental, histórico reduto dos cristãos sírios. No vale, existem mais de 50 vilarejos cristãos, com 100 mil fiéis, aos quais se acrescentaram mais de 200 mil deslocados. Também esses vilarejos sofrem incursões de grupos armados. (PA) (Agência Fides 1/10/2013)

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