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2013-01-19

ÁFRICA/EGITO - O novo Patriarca copta católico: trabalharei pela reconciliação, junto ao Papa Tawadros

Minya (Agência Fides) – “Ainda não pensei bem no que farei. A nomeação me pegou de surpresa, como muitas vezes acontece nas coisas importantes da vida. Rezo ao Senhor para que infunda rapidamente a sua paz em meu coração, que nestes dias está meio agitado”. Estas são as primeiras impressões reveladas por Sua Beatitude Ibrahim Isaac Sidrak à Agência Fides, depois de eleito Patriarca de Alexandria dos coptas católicos, no último dia 15 de janeiro.
Sua Beatitude Sidrak está sucedendo o Cardeal Antonios Naguib – que renunciou ao governo pastoral da Igreja copta católica por razões de saúde – e recebeu a Ecclesiastica Communio de Sua Santidade Bento XVI. O novo Patriarca diz à Fides que ainda não pensou em elaborar linhas de governo específicas: “Não tenho um programa nem projetos meus. Com os outros Bispos do Sínodo, observamos juntos as inquietudes que este tempo confuso apresenta diante dos cristãos e de todo o país. Existe incerteza e medo. Todos se questionam: O que será de nós, amanhã? Hoje, talvez o nosso primeiro dever é tranquilizar, reconciliar. A palavra-chave é reconciliação, ou seja, favorecer tudo o que reflete a paz e o amor de Cristo. Pensei em escolher como lema patriarcal a frase da segunda Carta aos Coríntios: Deus nos reconciliou com si mediante Cristo e ‘nos confiou o ministério da reconciliação’”.
O novo Patriarca copta católico – que em seus estudos de cristologia aprofundou as obras do teólogo copta do século XIII Hibar Allah Ibn al Assal – deposita muita confiança nas novas perspectivas de colaboração que parecem estar se abrindo com a Igreja copta ortodoxa. “A escolha de Tawadros como novo Papa dos coptas ortodoxos” – explica à Agência Fides S. B. Sidrak – “é um sinal forte que o Senhor nos deu para convidar os cristãos à unidade. Seus primeiros gestos, suas visitas, sua sensibilidade espiritual, suscitam grande esperança. Das palavras, passará aos fatos, e isto nos ajudará a enfrentar juntos a situação confusa que temos diante de nós”.
O novo Patriarca copta católico não concorda com as leituras que descrevem o Egito como um país em que os cristãos não podem mais viver, mas ressalva também as influências negativas, importadas da Arábia e dos países do Golfo, que podem alterar a imagem tradicional do Islã egípcio. “Estas infiltrações” – refere o Patriarca “causam medo não apenas nos cristãos, mas também em muitos muçulmanos. É confortante ver como tantos jovens e todas as pessoas de bom senso estão reagindo diante de isso tudo”. Como exemplo, Sua Beatitude conta o que aconteceu no Natal: “Este ano, alguns pregadores islâmicos disseram que é pecado fazer votos de Bom Natal aos cristãos. Eu pensei que depois desta advertência, nenhum muçulmano faria as tradicionais visitas de cumprimentos, mas ao contrário, vieram mais do que nos anos passados. Grupos de jovens, famílias e associações islâmicas vieram inclusive para a Missa de Natal. Queriam demonstrar que esta era a sua resposta”.
Segundo o novo Patriarca copta católico, nos últimos dois anos, no Egito, a tentação sectária correu risco de contagiar também os cristãos, levando-os por vezes a criar um mundo paralelo, fechado em si mesmo: “Penso na escolha de criar círculos esportivos ‘para cristãos’ em estruturas eclesiásticas, ou em certos líderes cristãos que afirmaram não ter contatos com muçulmanos porque era perigoso. Deste modo – nota Sua Beatitude – perde-se a liberdade e a abertura que são características dos discípulos de Cristo, que não têm medo de perder a fé por culpa dos outros. Meu lema, como Bispo de Minya, era a frase de São Paulo: ‘Aonde existe o espírito do Senhor, há liberdade’”.
Em relação à sua experiência de Bispo em Minya, Sua Beatitude não quer ser apresentado como o artífice do grande fervor apostólico manifestado nos últimos anos, nesta diocese: “Eu estive somente ao lado dos sacerdotes e fiéis, acompanhando-os e apoiando-os com gratidão pelas obras e iniciativas pastorais e caritativas que o amor de Deus inspirava entre eles. Agora, na diocese patriarcal, a situação será mais difícil de se enfrentar. Os padres são poucos e muitos deles são idosos, alguns não são serenos. Por isso, espero ainda mais na ajuda do Senhor”. (GV) (Agência Fides 19/1/2013).

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