ÁFRICA/RD CONGO - A Cúpula da Francofonia de Kinshasa: mudanças nas relações entre França e a África?

Segunda, 15 Outubro 2012

Kinshasa (Agência Fides) – A África é o futuro da Francofonia e a velha "Françafrique" está superada. São estas as considerações emersas na imprensa congolesa e internacional após o encerramento da 14ª Cúpula da Francofonia, realizada em Kinshasa em 12 a 14 de outubro. A Organização da Francofonia (OIF) reúne os países de língua francesa (com a importante exceção da Argélia) e diversos Estados associados, dos 5 continentes. A chamada "Françafrique" representa, ao contrário, o sistema de interesses, frequentemente não claros, que une Paris às suas ex-colônias, que permite à França exercer uma forte influência sobre os países africanos francófonos (inclusive aqueles, como a República Democrática do Congo, que não foram colonizados pela França).
"Joseph Kabila assina o ato de decesso da Françafrique" – titula hoje o cotidiano congolês "Le Potentiel" que destaca o atrito entre o Presidente congolês Kabila e o francês François Hollande, que, em escala em Dacar, no Senegal, afirmou que “o tempo da Françafrique acabou”. Antes de ir a Kinshasa, o Chefe de Estado francês havia definido a situação na RDC “totalmente inaceitável no plano dos direitos, da democracia e do reconhecimento da oposição”. “A RDC não tem nenhum complexo sobre nível de democracia, de liberdade, de situação dos direitos humanos” – respondeu ontem o Presidente Kabila. Também no plano formal, o acolhimento reservado ao Presidente francês marca, segundo Le Potentiel, uma reviravolta. O Chefe de Estado francês foi acolhido no aeroporto de Kinshasa pelo Primeiro Ministro (a quarta autoridade do Estado) e não por seu homólogo.
A Cúpula veio se realizou atendendo ao pedido RDC de lançar um apelo ao Conselho de Segurança da ONU de impor sanções miradas contra grupos que atuam no leste do Congo (mas Ruanda emitiu reservas sobre esta questão). Outros pontos em discussão foram as crises em Mali, Madagascar e Guiné-Bissau. A Francofonia, surgida oficialmente com finalidades culturais e educativas, está tomando uma dimensão mais política, colocando possivelmente as bases para uma relação diferente entre França e África. Segundo Le Figaro, existem atualmente no mundo 220 milhões de francófonos. Em 2050 serão 750 milhões, 85% dos quais residentes na África. (L.M.) (Agência Fides 15/10/2012)


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