ÁFRICA/NIGÉRIA - O Arcebispo Onaiyekan: urge um Fórum nacional para tratar com Boko Haram

Sábado, 6 Outubro 2012

Rodi (Agência Fides) – “As intenções hesitantes” do governo nigeriano em abrir um contato com a organização jihaidista Boko Haram devem ser perseguidas com mais vigor e transparência, porque “aqueles que o governo sempre definiu como ‘gente sem rosto’ devem tirar a máscara. Se o diálogo é a favor de todos nós, precisamos ser adequadamente informados a um certo momento, e o momento chegou”. É o que declarou o Arcebispo de Abuja, Dom John Olorunfemi Onaiyekan pronunciando-se, no dia 4 de outubro, na Conferência internacional de Rodi, organizada pelo World Public Forum-Dialogue of Civilizations (WPF-DC). Segundo o Arcebispo nigeriano, o governo da nação que ele define como a maior islâmico-cristã do mundo “precisa envolver outros atores interessados na discussão, a partir das forças religiosas, políticas, econômicas e étnico-sociais”. Somente um Fórum nacional desta natureza, segundo Dom Onaiyekan, poderia “facilitar uma abordagem mais ampla, para encontrar uma solução definitiva”. Em sua ampla exposição, o Arcebispo reconheceu que as violências de Boko Haram obtiveram realmente o efeito de “polarizar a nossa nação seguindo linhas de demarcação religiosa, gerando duros golpes à nossa frágil harmonia, construída em tantos anos de esforços pacientes”. Ao mesmo tempo, admitiu que “não é somente o Islã a dever tratar com seus ‘loucos’. Existem também fanáticos cristãos, cujas atitudes não são nada pacíficas. Os Yoruba – contou o Arcebispo – traduzem a palavra 'fanáticos' em 'Agbaweremesin', que literalmente significa quem adota a loucura como religião’. As comunidades religiosas têm o dever de eliminar toda ‘loucura’ entre seus adeptos através de um sistema de auto-regulamentação dos próprios pregadores. Mas até que muitos pregadores loucos não estiverem sob o controle de alguém, o Estado deve monitorar o uso da liberdade de expressão”. O World Public Forum para o diálogo entre as civilizações, presidido por Vladimir Ivanovich Yakunin - que na Rússia é também presidente da companhia estatal das ferrovias – reúne anualmente na ilha de Rodi estudiosos, líderes religiosos e protagonistas do mundo da economia e da política em encontros e debates centrados na questão do diálogo entre civilizações. Este ano, a décima edição dos encontros de Rodi participaram também o Arcebispo eslovaco Cyril Vasil', Secretário geral da Congregação para as Igrejas orientais, e o xaveriano Dom Giorgio Biguzzi, Bispo emérito da Diocese de Makeni, na Serra Leoa. (GV) (Agência Fides 6/10/2012).


Compartilhar: Facebook Twitter Google Blogger Altri Social Network