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Africa

2003-07-02

ÁFRICA/UGANDA - “DAR VOZ A ESTA GUERRA ABSURDA QUE DURA 17 ANOS”: CARTA PASTORAL DE DOM ODAMA, ARCEBISPO DE GULU NO NORTE DA UGANDA

Kampala (Agência Fides) – “Quis dar vós aos mais fracos que são vítimas há 17 anos desta guerra absurda”, disse à Agência Fides Dom John Baptist Odama, Arcebispo de Gulu (Norte da Uganda), que há poucos dias publicou uma carta pastoral com o título “VI a humilhação do meu povo”. Na carta, datada de 29 de junho, Solenidade de S. Pedro e Paulo, o Arcebispo exprime a solidariedade pelas vítimas da guerra que impera na região e lança um forte apelo a prosseguir o caminho de paz.
“Cada dia vejo os sofrimentos provocados por esta violência insensata”, diz o Arcebispo, “e me veio em mente o trecho do êxodo que diz que Deus escutou os gritos do seu povo. Com a minha carta, procuro gritar mais forte para que a comunidade internacional intervenha o mais rapidamente possível”.
“São sobretudo as mulheres e as crianças as vítimas inocentes de um conflito que se arrasta há muito tempo. Também a Igreja é impedida de continuar a sua missão de evangelização. É hora de dizer basta”.
“Peço à Comunidade Internacional de ocupar-se com a dramática situação humanitária do norte da Uganda, que atinge sobretudo a população civil. Nos últimos meses, a LRA intensificou as suas atividades, atacando, matando e raptando jovens nas vilas indefesas. Por isto, muitos jovens são forçados a refugiarem-se nas paróquias e missões em busca de segurança.
No início de março, a LRA havia declarado uma trégua que nunca entrou em vigor. Formado sobretudo por membros da etnia Acholi, a LRA combate desde 1989 contra o atual presidente Yoweri Meseveni, que tomou o poder em 1986, derrubando uma junta militar formada em grande parte por oficiais Acholi. Os ex militares desta etnia refugiados no Sudão deram vida a diversos movimentos de guerrilha entre os quais, a LRA.
Além da componente étnica, a LRA é caracterizada por uma tecnologia baseada no sincretismo religioso, misturando elementos étnicos do cristianismo e do islamismo com aqueles das religiões tradicionais africanas.
(L.M) (Agência Fides, linhas: 27; palavras: 347)

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