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Asia

2004-02-05

ÁSIA/MIANMAR - Milhares de refugiados das etnias karen, karenni e shan esperam que a trégua se mantenha e que se inicie o caminho rumo à paz no conflito entre militares e grupos guerrilheiros em Mianmar (Birmânia)

Rangoon (Agência Fides) – As esperanças de paz ainda se mantêm em Mianmar, mesmo depois da falência dos colóquios entre a junta militar e os guerrilheiros de etnia karen na metade de janeiro. O grupo étnico karen, junto a outros grupos como karenni e shan, combate pela própria autonomia e sofre há anos a repressão por parte do exército de Mianmar. Afirmando sua disponibilidade ao diálogo, a União Nacional Karen (KNU) proclamou um cessar-fogo provisório com a junta militar: ao final de seis dias de encontros, que se realizaram na capital Rangoon, as partes não chegaram a um acordo, mas estabeleceram que as negociaç... Segundo fontes do Jesuit Refugees Service (JRS), organização dos jesuítas que trabalha na assistência aos refugiados na fronteira entre Tailândia e Mianmar, o grupo rebelde está propenso a manter a trégua e a procurar com o governo birmanês uma solução para o problema dos refugiados internos, milhares de civis, mulheres e crianças que, por causa do conflito, tiveram que abandonar suas casas em condições desastrosas.
As negociações entre militares e rebeldes deveriam recomeçar no mês de fevereiro. A KNU, segundo as estatísticas do governo birmanês, dispõe de cerca de 7.000 homens. O governo de Mianmar está procurando chegar a um acordo com os guerrilheiros porque pretende reunir todos os grupos étnicos rebeldes em uma convenção nacional, a ser realizada em 2004, para elaborar uma nova constituição. A inclusão dos grupos étnicos rebeldes é fundamental para a credibilidade da convenção, pois se trata do primeiro passo rumo a uma abertura democrática que a junta anunciou no ano passado e que deveria aplacar as críticas internacionais sobre a incapacidade de iniciar as reformas.
Os conflitos entre o exército regular e os diversos grupos étnicos em Mianmar levaram à fuga de milhares de pessoas, muitas das quais fugiram para os países vizinhos, principalmente a Tailândia. O JRS organiza projetos de educação na fronteira com a Tailândia, em especial para os refugiados das etnias karen e karenni.
(PA) (Agência Fides 5/2/2004)

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