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Africa

2004-02-02

ÁFRICA/LIBÉRIA - UMA CRISE QUE DURA HÁ MAIS DE 20 ANOS – INFORMAÇÕES ATUALIZADAS EM 2 DE FEVEREIRO DE 2004

Monróvia (Agência Fides) - A Libéria está em crise desde os anos 80 do último século, isto é, desde que o golpe de Estado liderado pelo sargento Samuel K. Doe derrubou o secular domínio dos chamados afro-americanos. Estes eram descendentes de ex-escravos norte-americanos, libertados nos anos 800 para fundar um novo Estado na África, a Libéria, no qual poderiam finalmente viver livres. Ao chegar, impuseram um regime de domínio sobre os autóctones, criando um sistema de desigualdades social e econômica: 3% da população (“as famílias de origem americana”), detinham a maior parte das riquezas do país.
O golpe de Doe representou uma autêntica reviravolta no país, porque pela primeira vez, as etnias locais assumiam o poder político, mas não se chegou à estabilização do país. Desde 1980 a hoje, sucederam-se uma série de golpes de Estado e de crises políticas que marcaram profundamente a população. Em 1989, Charles Taylor, também descendente dos escravos americanos, fundou um movimento de guerrilha. Em 1990, um ex-aliado de Taylor, Prince Johnson, matou o Presidente Doe. Seguiu-se um período desordenado, durante o qual, diversas facções liberianas combateram ferozmente entre si. Graças à mediação dos Países vizinhos, em 1997, realizaram-se eleições, vencidas por Taylor. A sua ação política previa interferências nos países vizinhos, sobretudo em Serra Leoa, onde Tayor apoiava os rebeldes da RUF (Frente Unida Revolucionária). Passando pela Libéria, a RUF exportava diamantes extraídos de minas sob o seu controle, para financiar as próprias atividades bélicas.
Com o passar dos anos, a crise liberiana foi-se entrelaçando com as dos países fronteiriços: Serra Leoa, Guiné, e por fim, Costa do Marfim. Hoje, as redes de traficantes de armas, diamantes e outros recursos da África Ocidental, têm suas bases em Monróvia.
Em 1999, nasce o LURD (Liberianos Unidos pela Reconciliação e a Democracia), apoiado pelos países vizinhos, em represália ao apoio de Taylor às guerrilhas locais. Alguns meses mais tarde, surgiu um outro grupo, o MODEL (Movimento pela Democracia da Libéria), que atua ao longo da fronteira com a Costa do Marfim.
A Libéria desenvolve um papel importante na tentativa de acabar com os conflitos na África Ocidental. Em setembro de 2002, foi criado o Grupo de Contato pela Libera, do qual fazem parte Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Também as Nações Unidas, a União Européia e a Comunidade Econômica da África Ocidental estão comprometidas na resolução da crise. Em 17 de junho, o Governo e a guerrilha liberianos, reunidos em Gana, alcançaram um acordo de trégua que deveria levar a um acordo de paz definitivo em 30 dias. O Presidente Taylor prometera demitir-se logo que fosse assinada a paz. Depois de poucos dias, o acordo foi desrespeitado e os combates recomeçaram em todo o país.
Em 11 de agosto, Taylor, pressionado pela avançada do LURD em direção de Monróvia, e pela comunidade internacional que o quer processar pelos crimes cometidos na Serra Leoa, finalmente renunciou e deixou o país, refugiando-se na Nigéria. Seu cargo foi ocupado pelo Vice-presidente, Moses Blah. Em 18 de agosto de 2003, em Acra, Gana, as diversas formações liberianas assinaram um novo acordo, que previa a formação de um Governo de transição. O novo Governo tomou posse em 14 de outubro de 2003, sob a liderança de Gyude Bryant. Está presente no país uma força de paz enviada para monitorar o respeito da trégua.
(L.M.) (Agência Fides 2/2/2004)

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