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Evangelização e Profetismo:
A Assembléia Geral da CNBB, de 2005

A 43 a . Assembléia Geral da CNBB acontecerá de 6 a 15 de abril de 2005, em Itaici, SP. O Conselho Permanente, na sua reunião de 26 a 29 de outubro de 2004, já definiu o tema central: “A evangelização e o profetismo – missão da Igreja diante dos desafios atuais: 1) A dignidade da vida humana e a biotecnologia; 2) O testemunho da fé cristã e o pluralismo cultural e religioso; 3) O compromisso eclesial e a inclusão social.”
Como se pode perceber facilmente, o tema central retoma questões fundamentais e recorrentes das atuais Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e também integra alguns desafios novos que a missão da Igreja enfrenta no Brasil nos dias atuais.
O objetivo geral das Diretrizes lembra que a ação evangelizadora é destinada à proclamação do Evangelho a todas as pessoas, para promover a sua dignidade; a todas as formas de organização comunitária, para renová-las e para formar o povo de Deus; à grande sociedade, como forma de participar da construção de uma sociedade justa e solidária.
Se o trabalho evangelizador é semelhante ao da semeadura, é importante conhecer a semente, o semeador e o campo a ser semeado. A semente é boa e a eficácia da ação evangelizadora depende da ação do Espírito de Deus (“primado da graça”); mas também depende da nossa colaboração qualificada (a santidade de vida). E o semeador sábio não deixa de levar em conta o ambiente no qual a evangelização precisa acontecer. A quem pregamos o Evangelho? Em qual ambiente cultural e religioso o fazemos?
Atualmente, no Brasil, a ação evangelizadora enfrenta desafios novos, que requerem uma palavra clara e orientadora do episcopado, quer para os próprios cristãos católicos, quer para a sociedade inteira. Há formas novas de violação da dignidade humana e de desrespeito à vida; preocupam os princípios invocados para justificar o aviltamento da dignidade humana. No âmbito da convivência social, a miséria, a fome, a exclusão social e as diversas formas de violência continuam e até aumentam; a pesquisa científica e as novas tecnologias levantam importantes questões éticas, que não podem ser ignoradas ou minimizadas.
Por outro lado, a ação evangelizadora da Igreja confronta-se com a cultura pós-moderna, cujos referenciais e posturas tendem, com freqüência, a se desvincular dos valores propostos pelo Evangelho. A freqüente invocação do “Estado laico” manifesta a aspiração pela “justa autonomia das realidades terrestres”, que a Igreja reconhece; mas quando isso traduz a pretensão de calar a voz da Igreja na sociedade, aparecem questões intrigantes: Pode a Igreja recolher-se aos espaços da sua “vida privada”?
O Brasil é cada vez mais o pluralista, também sob o aspecto religioso, e a Igreja Católica já não pode mais contar com a adesão geral às suas convicções e afirmações. A religiosidade da pós-modernidade e do mundo globalizado é surpreendente, sob vários aspectos: exuberância, sincretismo, individualismo e uma certa lógica do mercado, que toma conta da atividade religiosa. Tudo isso requer uma postura evangelizadora nova da parte da Igreja Católica, que leve em conta essa realidade e, ao mesmo tempo, faça com clareza a própria proposta e afirme a sua identidade cristã católica.
A missão da Igreja é profética e evangelizadora, como foi a ação de Jesus. Ela não pode ficar imobilizada pela perplexidade, nem se deixa vencer pelo desânimo e também não pode “conformar-se com este século”. Animada pela esperança segura e pela firme certeza do mandato recebido, ela denuncia o que não vem de Deus nem é conforme Deus, e anuncia a salvação e a misericórdia divina manifestada em Jesus Cristo e que renova e revitaliza constantemente a vida humana e as estruturas da sociedade.
O tema central da Assembléia Geral de 2005, da CNBB, será uma boa ocasião para aprofundar as Diretrizes Gerais e para trazer novas luzes e motivações para o Projeto Nacional de Evangelização “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”.
Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral da CNBB

 
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