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África/República Democrática
do Congo- Da região dos grandes lagos, um dramático
apelo à consciência internacional
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Roma (Agência Fides)-
A Agência Fides recebeu o angustiado apelo que o Superior
Geral dos missionários da congregação dos Padres
do Sagrado Coração (Dehonianos) dirigiram aos chefes
de governo e dirigentes políticos, para que ponham fim à
tragédia humanitária que há anos aflige a república
Democrática do Congo. A situação agravou-se
ainda mais nos últimos meses, com atos de feroz e sanguinária
violência. As tropas armadas dos diversos grupos promovem
carnificinas, roubam, estupram, torturam e matam impunemente a população
civil. Os missionários tentam como podem aliviar os sofrimentos
das pessoas, mas agora cabe à comunidade Internacional, freqüentemente
entretida com debates superficiais e com antagonismos partidários,
tomar consciência desta carnificina e intervir o mais rapidamente
possível. Deixando a outros a tarefa de julgar segundo as
leis os culpados por esta situação, recomendamos ao
Senhor o povo da região dos Grandes Lagos, para que os homens
que têm nas mãos o destino de tantas pessoas indefesas,
se demonstre dignos da posição que ocupam. Do apelo
do Governo Geral dos Padres do Sagrado Coração (Dehonianos):
"Como missionários presentes no local, nos sentimos
comprometidos com o doloroso calvário do povo humilde,
submetido à opressão dos grupos armados de diversas
nacionalidades e condenados ao êxodo, à fome e à
miséria. Nos nos preocupa apenas a sorte dos nossos missionários
e os de outras congregações, que optaram por ficar
e anunciar o Evangelho do amor e a reconciliação
em Cristo, e que são um verdadeiro sinal de esperança
para estes povos; nos preocupa os milhões de pessoas que
têm direito à vida, à paz, ao respeito pela
sua dignidade e à possibilidade de um futuro digno de filhos
de deus e de cidadãos respeitados. Suplicamos que sejam
retomadas as comunicações com os missionários
e as missões em geral e que possa chegar à população
a ajuda indispensável ( alimentos e medicinais) para superar
esta grave emergência.
Reconstrução de alguns fatos salientes
Não obstante os sinais de esperança, que vez por
outra chegam às regiões dos Grandes lagos, a situação
em muitos lugares da República Democrática do Congo
permanece grave, melhor dizendo, trágica. As tropas armadas
pertencentes aos diversos grupos políticos do próprio
Congo, ou inspirados ou apoiados pelas forças militares
dos países ocupados, fazem carnificinas entre a população
civil, roubam, estupram e matam impunemente. Parece que a comunidade
internacional esqueceu esta parte do mundo, da qual não
chegam a cada dia as imagens de Tv dos serviços de informações
das grandes agências. Faltam até mesmo as palavras
de indignação que em outras ocasiões já
foram abundantes.
Alguns fatos ocorridos nos últimos
meses, reconstruídos a partir da nossa precariedade de
dados.
1. Em 6 de agosto de 2002, as milícias da
tribo Bahema, apoiadas pelos Ugandenses, conquistaram a cidade
de Bunia.Na ocasião, centenas de civis foram mortos e os
soldados de Nyamwisi (Presidente desta região do Congo)
foram expulsos. A sede do governo foi bombardeada e o governador
fugiu para Geti. Os soldados de Nyamwisi retiram-se para Komanda,
a 80 Km a Oeste de Buna, enquanto que o Governador encontrou asilo
e salvação em Geti, junto a tribo Bangiti (em luta
contra Bahema e Bagheghere).
2. Em 11 de agosto de 2002, o Governador, acompanhado por mais
de um milhar de guerreiros Bangiti - alguns falam de 1500 a 2000
guerreiros- chegou em Komanda. Parece que o governador e os soldados
de Nyamwisi procuraram impedir o combate entre os Bangiti e os
Bahema residentes em Komanda.
3. Em 12 de agosto de 2002, o governador partiu para Beni (ao
sul). Sempre em Komanda, os Bangiti começaram a caça
ao homem: todos os Bahema e os Bagheghere foram perseguidos e
trucidados com foices, machados e lanas. Ocorreram atos atrozes
de crueldade, sadismo e canibalismo. cabeças cortadas e
fincadas em postes, cadáveres jogados em fossos, corpos
esviscerados com o coração e o fígado arrancados
para serem comidos, famílias inteiras trancadas em cabanas
e queimadas, centenas de mortos entre os Bahema e Bagheghere.
por fim, a pilhagem de tudo. Segue o primeiro grande êxodo:
milhares de habitantes dirigiram-se para Beni e Mambasa.
4. Em 16 de agosto, terminada a pilhagem e a destruição,
os Bangiti retiraram-se para as suas terras. Os soldados de Nyamwisi,
da Komanda, se dirigiram para Bunia na esperança de poder
reconquistá-la ou mais provavelmente, para roubar o gado
dos Bahema nas proximidades de IRUMU. Uma vez que correu a notícia
desde ataque, os Bahema de Bunia, apoiados pelos carros blindados
dos Ugandenses, contra-atacaram e chegaram até Komanda.
Junto com os Ugandenses, uma vez em Komanda consideraram todos
os habitantes da cidade ( os corajosos que permaneceram) como
cúmplices dos Bangiti e começaram a ameaça-los.
E assim começou a segunda grande fuga civil e soldados
tomaram a estrada de Beni e de Mabasa. Deplorável o comportamento
dos soldados de Nyamwisi, que transformararm em um calvário
a viagem já penosa de milhares de mães e crianças.
Se por acaso, algum fugitivo levava qualquer coisa consigo, os
soldados ssqueavam também isso. Segundo as vozes de testemunhas,
parece que cerca de 15.000 refugiados dirigiram-se para o Sul
(Eringheti, Oicha e Beni) e mais de 2.000 em direção
a Manbasa.
5. Em 24 de agosto de 2002, em Mambasa chegaram mais de mil refugiados,
todos acolhidos pela missão dos Padres do Sagrado Coração
de Jesus.
6. Em 8 de setembro de 2002 parte a ofensiva dos soldados de Roger
Lumbala, presidente de Isiro (Wamba), per conquistare Mambasa.
7. Em 15 de setembro 2002, os soldados de R. Lumbala estão
a 70 km de Mambasa; os refugiados atingem a cifra de 2.600 pessoas.
8. Em 2 de outubro de 2002, os soldados de R. Lumbala estão
ha 25 Km de Mambasa.
9. Em 12 de outubro de 2002, Mambasa está nas mãos
dos soldados de R. Lumbala. Todas as casas são saqueadas,
como também as escolas e missões. As mulheres são
rapitadas. Tudo isso feito com uma crueldade jamais antes vista
, nem mesmo nos trágicos acontecimentos de 64.
10. A frente de guerra está entre Mambasa e Beni, de modo
que a nossa missão não pode mais ser reabastecida
com alimentos da região de Butemo. A única possibilidade
atual para ajudar estes refugiados é por via aérea
( existe um campo de pouso há 5 km de Mambasa ainda em
condições de uso), mas a missão, sozinha,
como podera enfrentar esta situação?
Tais recentes acontecimentos em Mambasa não ocorrem pela
primeira vez no Congo, nestes últimos meses. Coisas semelhantes
ocorreram em Kivu, em Isiro, em Wamba ,Munghere e etc. Nos angustia
o fato que a Comunidade internacional não seja informada,
e mais dolorosa é a incompreensível insensibilidade
das potências mundiais que, conhecendo os fatos, não
trazem qualquer remédio ou solução.
Profundamente chocados por estas notícias e, sentido como
Congregação Missionária que a causa da África
é a nossa causa, nos dirigimos a quantos possam fazer alguma
coisa solicitando uma intervenção adequada à
gravidade da situação, em favor da população
civil, que injustamente sofre os atos de atrocidade de todo o
gênero.
Suplicamos intensamente:
-A assistência imeadiata da Cruz Vermelha Internacional,
com víveres, medicamentos e o pessoal especializado, em
Mambasa e todos os outros lugares atingidos por estes fatos;
- Utilizar os meios internacionais possíveis para garantir
a prática dos tratados de paz assinados ultimamente, devolvendo
ao Congo a sua legítima autonomia e o direito à
vida, à paz e a um desenvolvimento digno das pessoas humanas;
- Mobilizar e orientar em senso humanitário a ação
da MONUC, presente já em algumas cidades importantes, mas
frequentemente incapaz de agir também nos casos de estrema
emergência;
- Enfrentar as problemáticas das massas de refugiados que
se movem pelo País sem segurança, privados de qualquer
assistência, para que possam regressar às suas legítimas
propriedades e viverem dignamente;
- Libertar as mulheres raptadas e reduzidas à escravidão
e colocar ordem nas forças militares.
A defesa dos direitos fundamentais de todos os homens e de todas
as mulheres é o nosso dever, ainda se as notícias
que dizem respeito aos acontecimentos que se referem o nosso apelo
não atinjam, quase nunca, o limite de importância
necessário para a sua publicação. Forçados
pela consciência e pelo espírito de solidariedade,
nos dirigimos a vós e esperamos que a intervenção
em favor da solução justa e eficaz venha em pouco
tempo, uma vez que cada hora que passa significa a vida ou a morte
para muitas pessoas inocentes.
Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus
Missionários Xaverianos
Missionários Combonianos
Missionários da Consolata
Padres Brancos (Padres Missionários da África)
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