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DECLARAÇÃO FINAL
Caritas Guiné Bissau - 1ª Assembleia Geral
Tema: Identidade, Missão e Organização da Caritas

Nós, os delegados das Caritas Paroquiais das dioceses de Bafatá e de Bissau, por ocasião da nossa Primeira Assembleia Geral de 04 a 06 de Maio de 2004, celebrando os 25 anos da criação da Caritas Guiné Bissau, tentamos dar resposta ao apelo do Santo Padre, o Papa João Paulo II, na procura de uma “nova fantasia da caridade”. Com uma forte participação de quase todas as comunidades debatemos e reflectimos sobre o tema “Identidade, missão e organização da Caritas”.
As reflexões sobre os problemas da Pobreza e dos Conflitos permitiram-nos descobrir novos caminhos e reforçar a nossa contribuição para a construção duma “verdadeira civilização de amor”.
Nas apresentações realizadas e moderadas pelos nossos colaboradores externos foram destacados os seguintes pontos:
Sobre a Pobreza:
• Na Globalização dos interesses no mercado Mundial, o objectivo principal é atrair investimentos e dinheiro, o relacionamento é dado pela oferta/procura e tudo se vende e se compra; mesmo a pobreza, a miséria, os conflitos, as guerras e as suas consequências tornam-se produtos com valor de mercado;
• A perversão do mercado induziu a perda dos valores e da moral;
• Mesmo por razões de sobrevivência, ninguém, por fins lucrativos, deve tornar-se “produto”, seja “pobre”, seja “vitima”;
• Os elementos e conceitos culturais geradores de pobreza devem ser identificados e combatidos através de um empreendimento maior numa educação global e integradora.

Sobre os Conflitos:
• Existem na sociedade conflitos de interesses sobre espaços, recursos e acesso ao mercado.
• O medo gerado pela intimidação, insegurança, crenças, etc. aparece como causa de conflitos, e em muitos casos é mesmo utilizado como método de educação.
• Elementos culturais criadores de conflitos tem de ser identificados, depois modificados, transformados em elementos para a construção da paz;
• Os conflitos existem e não podem ser eliminados; aliás devem ser ultrapassados como geradores de vida e combatidos os que são portadores de destruição;
• A gestão dos conflitos começa na família, pela educação à não-violência;
• A promoção duma justiça igual para todos e a luta contra a impunidade são os alicerces da construção da paz.

Sobre o Bem Comum:
• A Igreja da Guiné Bissau deve assumir a sua responsabilidade no processo da criação de identidade nacional e na protecção o bem comum;
• Promoção da cidadania como acto da apropriação e responsabilização perante a nação e o bem comum;
• O respeito do bem comum implica abertura à diversidade, às diferenças étnicas e religiosas, partes integrantes da formação duma nação.

O novo papel da Caritas:
• A apropriação do espírito da Caritas ajuda a libertar-se do medo e a criar confiança;
• A nova fantasia da caridade ensina a pensar, abre espaços de comunicação e de diálogo como métodos de prevenção e de reconciliação;
• Abrir os espaços de dialogo quer dizer valorizar as diferenças entre pessoas, organismos, culturas e religiões lutando contra qualquer forma de exclusão, mesmo a auto-exclusão;
• A redefinição dos princípios e dos valores é um empenho prioritário da Caritas na formação dum homem novo e na construção duma sociedade sem exclusão;
• A promoção da dignidade do Homem implica a libertação da pobreza física, mas também daquela espiritual, mental (“tirar a pobreza das cabeças”);
• Promover “observatórios” e acções de Advocacia para mercados mundiais justos e para resolver conflitos de interesses;
• A Caritas como portadora de mensagem de esperança descobrindo e promovendo possibilidades concretas.

Baseados nos valores e princípios inspirados no evangelho e promovidos pela doutrina social da Igreja os participantes da 1ª Assembleia Geral da Caritas Guiné Bissau


1. Recomendam como componentes da “nova fantasia de Caridade”:

• Apropriação do novo espírito de Caritas:
Trabalhar com e não para
Prevenir e não só remediar
Espírito de voluntariado
Procurar chegar a autonomia das Caritas Paroquiais
Valorizar todos os recursos e competências locais
Criação de fundos de solidariedade

• Formação no sentido de criar uma nova mentalidade (ensinar a pensar);

• Reforçar a capacidade de observar e analisar as várias realidades da nossa sociedade, inclusive os problemas relacionados com a justiça, a cidadania e capacitar-nos para uma advocacia ao serviço dos mais necessitados;

• Ser consciente de que a formação do Homem novo começa a partir do núcleo básico da sociedade humana que é a família;

• Assegurar e sensibilizar todas as comunidades cristãs para a apropriação do novo espírito de Caritas;

• Formar e organizar as Caritas Paroquiais.


2. Recomendam as seguintes acções a serem implementadas para redução da pobreza no País:

• Capacitar as comunidades locais na identificação e análise das causas dos seus problemas;

• Promover acções de advocacia a todos os níveis (central e local) em favor dos preços justos e de livre acesso aos mercados;

• Apoiar as iniciativas locais e informar sobre as diferentes possibilidades que podem ser realizadas, capacitando as pessoas para tal, nomeadamente a formação profissional, pequenas unidades de produção e outras actividades relevantes.


3. Recomendam como possíveis acções para prevenir e/ ou mediar os conflitos:

• Desenvolver módulos sobre cidadania, bem comum e boa governação que podem ser utilizados em conjunto com:
Mass média
Escolas
Centros de formação

• Fazer das Caritas paroquiais um instrumento para mediação dos conflitos nas comunidades e tabancas;

• Apoiar a criação e colaborar com a futura comissão inter-diocesana de Justiça, Paz e Reconciliação;

• Colaborar com as outras forças presentes na sociedade com vista ao alcance de objectivos comuns.

Os testemunhos de solidariedade nos diferentes Sectores Pastorais ouvidos nas primeiras sessões, os momentos de oração que partilhamos, as diversas trocas entre nós, o convívio e o espírito de comunhão de que fomos testemunhas, a contribuição de todos no bom andamento da 1ª Assembleia Geral da Caritas, tudo isso terá mostrado o incrível poder de transformação da Igreja no nosso País.
Esta mesma força, leva-nos a sair desta assembleia com empenho renovado em fazer da SOLIDARIEDADE com os excluídos uma realidade mais viva e da RECONCILIAÇÃO um estilo de vida que marca o nosso quotidiano e as nossa comunidades.
Que Deus abençoe esta Igreja de África na sua missão de irradiar a caridade.

Bissau, 06 de Maio de 2004

 
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