Homilia
de João Paulo II >>
Enquanto estudava teologia no seminário
maior diocesano de Bresanone (Brixen), começou a pensar
seriamente nas ‘missões estrangeiras” como
uma possibilidade para sua vida. Ordenado sacerdote em 25 de julho
de 1875, foi destinado para a comunidade de S. Martino di Badia,
bem perto de sua casa natal, onde logo ganhou a simpatia de seus
conterrâneos. Sem dúvida, sua inquietude missionária
não havia desaparecido. Após dois anos de sua ordenação
entrou em contato com o Pe. Arnaldo Janssen, fundador da casa
missionária que há pouco havia se tornado a “Sociedade
do Verbo Divino”.
Obtendo a licença de seu bispo, José
chegou à casa missionária de Steyl em agosto de
1878. Aos 2 de março de 1879 recebeu a cruz missionária
e partiu para a China com outro missionário verbita, o
Pe. João Batista Anzer. Cinco semanas depois, desembarcaram
em Hong Kong, onde passaram dois anos preparando-se para dar o
passo seguinte: Seriam designados para Shantung do Sul, uma província
com 12 milhões de habitantes dos quais somente 158 eram
batizados.
Vieram anos muito duros, marcados por longas e
difíceis viagens, assaltos de bandoleiros e um árduo
trabalho para formar as primeiras comunidades cristãs.
Mas, tão logo se conseguia colocar uma comunidade em pé,
vinha a ordem do bispo de deixar tudo e recomeçar em outro
lugar.
José compreendeu muito cedo a importância
que tinham os leigos comprometidos para esta tarefa de primeira
evangelização, sobretudo como catequistas. Para
a formação deles empreendeu muitos esforços
e preparou um manual catequético na língua chinesa.
Ao mesmo tempo, juntamente com Anzer que havia se tornado bispo,
empenhou-se na preparação, atenção
espiritual e formação permanente de sacerdotes chineses
e de outros missionários.
Ocupou vários cargos de responsabilidade:
administrador das missões, reitor do seminário,
diretor espiritual do primeiro grupo de sacerdotes chineses e
superior provincial. Exerceu sempre sua autoridade como um irmão
mais velho, respeitado mais por seu exemplo e testemunho de vida
do que pelo cargo em si.
Toda sua vida esteve marcada pelo esforço
de fazer-se chinês com os chineses, ao ponto de escrever
para seus familiares: “Eu amo a China e aos chineses; quero
morrer aqui e ser entre eles sepultado”.
Em 1898 o trabalho incessante e as privações
que sofria mostraram suas conseqüências. Doente da
laringe e com um princípio de tuberculose, teve que passar
um tempo no Japão para recuperar a sua saúde, não
por sua vontade, mas por insistência do bispo e de seus
confrades. Voltou para a China um pouco recuperado, mas não
curado.
Em 1900, depois de vinte anos de duro trabalho
na China, o Pe. Janssen convidou-o a viajar a Steyl para a celebração
dos 25 anos da Congregação. Freinademetz recusou
o convite. Era o tempo da guerra dos “Boxers”. As
autoridades alemãs ordenaram que os missionários
se retirassem para o porto de Tsingtao, a fim de poder protegê-los.
José decidiu permanecer na “estação”
missionária de Puoli, mesmo sabendo do perigo que corria.
Nestas circunstâncias enviou um grupo de órfãos
do interior da missão à costa de Tsingtao que era
relativamente mais segura. Com eles seguia uma carta aos verbitas
de Tsingtao, na qual ele dizia: “Eles (os órfãos)
são absolutamente necessitados... Por favor, tenham a amabilidade
de fazer alguma coisa por eles. Nas condições em
que eles se encontram, não podemos duvidar em incorrer
em alguns gastos extras para salvar o que ainda se pode salvar...”
E acrescentou: “Creio que seria melhor vender os cavalos”.
Quando o bispo teve que viajar para a Europa,
Freinademez foi obrigado a assumir a administração
da diocese. Durante este período sobreveio uma epidemia
de tifo. José, como bom pastor, prestou assistência
incansável, até que ele mesmo contraísse
a doença. Voltou imediatamente para Taikia, sede da diocese,
onde morreu aos 28 de janeiro de 1908. Sepultaram-no ali, sob
a 12ª. Estação da Via-Sacra e seu túmulo
tornou-se logo um ponto de referência e peregrinação
para os cristãos.
Freinademetz soube descobrir e amar profundamente
a grandeza da cultura do povo ao qual havia sido enviado. Dedicou
sua vida a anunciar o Evangelho, mensagem do Amor de Deus à
humanidade e a encarnar esse amor na comunhão de comunidades
chinesas cristãs. Incentivou essas comunidades a abrir-se
à solidariedade com o resto do povo chinês. Entusiasmou
muitos chineses para que fossem missionários de seus conterrâneos
como catequistas, religiosos, religiosas e sacerdotes. Sua vida
toda foi expressão do que era seu lema: “A língua
que todos entendem é a linguagem do amor”.
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