Homilia
de João Paulo II >>
Aos 15 de agosto de 1861 foi ordenado sacerdote
na Diocese de Münster e recebeu a missão de lecionar
numa escola secundária de Bocholt, onde adquiriu fama de
professor severo, mas justo. Pela sua profunda devoção
ao Sagrado Coração de Jesus, foi também nomeado
diretor diocesano do Apostolado da Oração. Através
deste apostolado, Arnaldo procurou atingir também cristãos
de outras denominações.
Pouco a pouco foi crescendo sua consciência
a respeito das necessidades espirituais do povo para além
dos limites da própria diocese, até converter-se
numa preocupação pela missão universal da
Igreja. Decidiu dedicar sua vida a despertar na Igreja alemã
a consciência da sua responsabilidade missionária.
Tendo em mente este objetivo, em 1873 renunciou ao cargo de professor
e imediatamente fundou o “Pequeno Mensageiro do Coração
de Jesus”. Nesta revista mensal de nível popular
oferecia notícias missionárias e animava os católicos
de língua alemã a fazer mais para ajudar as missões.
Arnaldo viveu em uma época difícil
para a Igreja na Alemanha. Os liberais haviam declarado os católicos
como suspeitos de serem cooperadores de uma central eclesiástica
romana e de aceitarem orientações ultramontanas
para agir. Servindo-se de medidas legais, os defensores das idéias
liberais reinantes, procuravam excluir os círculos eclesiásticos
de qualquer influência sobre matérias profanas. Ao
mesmo tempo se procurava colocar todos os aspectos da vida eclesiástica
sob a dominação do poder civil. Bismarck havia iniciado
o “Kulturkampf” (luta pela cultura), que trazia em
seu bojo uma série de leis anti-católicas, a expulsão
de sacerdotes e religiosos e até a prisão de vários
bispos. Arnaldo deu a sugestão de aproveitar alguns destes
sacerdotes, enviando-os à missões ou, ao menos,
ajudando na preparação de missionários. Outros
países europeus tinham centros especiais para a preparação
de missionários... mas a Alemanha não! A esperança
de Arnaldo era que algum sacerdote com consciência missionária
aceitasse o desafio de estabelecer uma casa para a preparação
de missionários para ultramar. Arnaldo via-se a si mesmo
como promotor do projeto, mediante a conscientização
e a coleta de fundos através de sua revista.
O tempo foi passando e ninguém assumia
o desafio de estabelecer uma “casa missionária alemã”...
Pouco a pouco e, com um empurrãozinho do vigário
apostólico de Hong Kong, Arnaldo foi descobrindo que era
a ele que Deus chamava para esta difícil tarefa. Muitos
achavam que ele não era o homem indicado, ou que os tempos
ainda não estavam maduros para isto. “O Senhor desafia
nossa fé a realizar algo novo, exatamente quando tantas
coisas estão caindo na Igreja”, era a resposta de
Arnaldo.
Com o apoio de vários bispos, Arnaldo começou
a reunir fundos enquanto procurava um lugar adequado. A situação
política na Alemanha obrigou-o a comprar uma casa em Steyl,
Holanda, apenas do outro lado da fronteira alemã. A inauguração
da casa deu-se aos 08 de setembro de 1875 – data que é
considerada a fundação da futura Congregação
do Verbo Divino. O local era uma antiga hospedaria (pousada),
e as condições de vida eram extremamente pobres.
Sem dúvida a formação de futuros missionários
havia começado. Já a dois de março de 1879
partem os primeiros missionários com destino para China.
Um deles era José Freinademetz, natural da região
que hoje é Bolzano, no norte da Itália e que também
será canonizado com Arnaldo Janssen. Assim, propriamente
desde o início a casa missionária alemã tornava-se
uma comunidade internacional. Esta abertura cada vez maior a povos
de culturas distintas e diferentes nacionalidades tornar-se-ia
uma característica fundamental das congregações
fundada por Arnaldo Janssen.
Consciente da importância das publicações
para atrair vocações e fundos, Arnaldo estabeleceu
a própria imprensa apenas há quatro meses depois
da inauguração da casa. Milhares de leigos generosos
dedicaram seu tempo e esforços na animação
missionária nos países de língua alemã
através da distribuição das revistas de Steyl.
Como o número de estudantes aumentasse
continuamente, exigiu-se um contínuo trabalho de construções.
Muitos homens trabalharam como voluntários na obra durante
semanas, meses e até anos. Um bom número destes
desejava dedicar sua vida ao serviço da missão,
não como sacerdotes, mas a partir de sua própria
profissão. Deste modo a nova congregação
se desenvolveu, desde seu início, como comunidade de sacerdotes
e Irmãos, mesmo que esta não tenha sido a intenção
original. Ao dar aos Irmãos uma boa formação
profissional e confiar-lhes cargos de importância, Arnaldo
ajudou a conceber um novo tipo de Irmão missionário.
Em 1885, no primeiro Capítulo Geral, a
comunidade se constituiu como congregação religiosa,
sob o nome de “Sociedade do Verbo Divino” (SVD), para
o anúncio do Evangelho especialmente entre os não-cristãos.
Arnaldo Janssen foi eleito como primeiro superior geral.
Não só homens colaboraram como voluntários
na casa missionária. Praticamente desde o começo,
um grupo de mulheres colocou-se a serviço da comunidade,
ajudando especialmente na cozinha, na lavanderia e na limpeza.
O desejo delas era servir à missão como Irmãs
religiosas. Tal desejo, os anos de serviço fiel e a consciência
da importância da mulher nas missões, levaram o Pe.
Arnaldo a fundar a Congregação das “Servas
do Espírito Santo” no dia 08 de dezembro de 1889.
As primeiras Irmãs partiram para a Argentina em 1895.
Em 1896 o Pe. Arnaldo escolheu algumas das Irmãs
para formar um ramo de clausura, as “Servas do Espírito
Santo de Adoração Perpétua”. Seu serviço
e sua missão seria o de rezar, dia e noite, pela Igreja
e especialmente pelas outras duas congregações missionárias,
mantendo um serviço ininterrupto de adoração
ao Santíssimo Sacramento.
As congregações cresceram rapidamente.
Quando foram celebradas as bodas de prata da casa missionária
havia 208 sacerdotes, 549 Irmãos, 190 Irmãs, 99
estudantes de teologia e 731 estudantes de outros níveis
escolares.
Arnaldo morreu aos 15 de janeiro de 1909. Sua
vida foi uma constante busca da vontade de Deus, de confiança
na providência divina e de trabalho duro. Que sua obra foi
abençoada por Deus, o atesta o seu ulterior desenvolvimento:
mais de 6.000 missionários do Verbo Divino trabalham em
63 países. As missionárias Servas do Espírito
Santo já são mais de 3.800 e as Servas do Espírito
Santo da Adoração Perpétua superam o número
de 400. |