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VATICANO - Shoah: um dos principais dramas da história humana, que nos diz respeito ainda hoje. Em 1998 a publicação do documento «Nós recordamos: uma reflexão sobre a Shoah»

Cidade do Vaticano (Agência Fides) - «O crime que ficou conhecido como a Shoah permanece como uma mancha indelével na história do século que está se concluindo», escrevia o Santo Padre João Paulo II em 12 de março de 1998 em uma carta ao cardeal Edward I. Cassidy, presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, para acompanhar a publicação do documento «Nós recordamos: uma reflexão sobre a Shoah». Preparando o Grande Jubileu do ano 2000 e no início do terceiro milênio da era cristã, o papa convidava os filhos e filhas da Igreja a purificar os corações «através do arrependimento pelos erros e as infidelidades do passado», e a «colocar-se humildemente diante de Deus examinando a própria responsabilidade pelos males do nosso tempo». A publicação do documento podia ser uma ajuda «a curar as feridas das incompreensões e injustiças do passado» e podia «habilitar a memória a desenvolver o seu necessário papel no processo de construção de um futuro no qual a indizível iniquidade da Shoah não seja nunca mais possível». No documento se salienta sobretudo o dever de recordar «uma indizível tragédia, que não poderá nunca mais ser esquecida... um dos principais dramas da história deste século, um fato que nos diz respeito ainda hoje».
A Shoah «foi certamente o pior de todos os sofrimentos» que o povo judeu teve que suportar na sua história e muitos são os estudos ainda hoje para tentar compreender as causas. Mas um tal acontecimento pede, particularmente aos cristãos, uma reflexão muito séria: «o fato que tenha ocorrido na Europa, isto é, em países de longa civilização cristã, apresenta a questão da relação entre a persecução nazista e as atitudes dos cristãos diante dos judeus através dos séculos». A partir disso o documento percorre a longa e atormentada história das relações entre judeus e cristãos, partindo do início do cristianismo até o século 20.
Falando do anti-semitismo nazista e da Shoah, sublinha a diferença entre anti-semitismo, «baseado em teorias contrárias ao constante ensinamento da Igreja em relação à unidade do gênero humano e a igual dignidade de todas as raças e de todos os povos», e o antijudaísmo, expressão de sentimentos de suspeição e de hostilidade dos quais, infelizmente, «também os cristãos foram culpados». A Shoah foi obra de «um típico regime moderno neopagão». «O seu anti-semitismo tinha as próprias raízes fora do cristianismo e, ao perseguir os próprios objetivos, não hesitou opor-se à Igreja, perseguindo também seus membros. Mas se deve perguntar se a persecução do nazismo aos judeus não tenha sido facilitada pelos preconceitos antijudaicos presentes na mente e nos corações de alguns cristãos. O sentimento antijudaico talvez não tenha tornado os cristãos menos sensíveis, ou mesmo indiferentes, às persecuções lançadas contra os judeus pelo nacional socialismo quando este chegou ao poder?»
Nas terras onde o nazismo realizou as deportações de massa, muitos cristãos ofereceram assistência aos perseguidos, particularmente aos judeus, até colocando em risco a própria vida. Mas, como João Paulo II reconheceu, «ao lado de tais homens e mulheres corajosos, a resistência espiritual e a ação concreta de outros cristãos não foram aquelas que se poderia esperar de discípulos do Cristo».
O documento se conclui salientando que «a Igreja católica deseja exprimir o seu profundo pesar palas faltas de seus filhos e filhas em todas as épocas... A Igreja se aproxima com profundo respeito e grande compaixão à experiência do extermínio, a Shoah, sofrida pelo povo judeu durante a segunda Guerra Mundial». Ao mesmo tempo, olhando o futuro, deseja «transformar a consciência dos pecados do passado em firme empenho para um novo futuro no qual não haja mais sentimento antijudaico entre os cristãos e sentimento anticristão entre os judeus, mas um respeito recíproco e partilhado». (S.L.) (Agência Fides 27/1/2005)

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