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ÁSIA/INDONÉSIA - “Sim às ajudas de emergência pós-tsunami, mas para os projetos de reconstrução, é preciso entender as exigências reais dos refugiados”: o testemunho do Pe. Ferdinando Severi, único sacerdote católico em Aceh

Banda Aceh (Agência Fides) - “É preciso uma coordenação melhor das ajudas, e enviar voluntários às populações que vivem no litoral. Muitos refugiados ainda não sabem se retornarão a Aceh ou se transferirão para outras áreas. Os projetos de reconstrução devem considerar especialmente as reais exigências dos refugiados, ajudando-os nos locais em que irão”. São palavras de Padre Ferdinando Severi, frei franciscano, único sacerdote católico em Banda Aceh, cidade castigada pelo tsunami.
Em um depoimento enviado à Fides, o sacerdote fala de sua vida, há um mês do desastre: “É difícil imaginar o que está acontecendo. É incrível também para nós, que vemos com nossos olhos este apocalipse. Os jornalistas vêm falar comigo sempre, pois sou o único sacerdote católico em Aceh, e os acompanho em vários lugares. Na minha casa paroquial, hospedo representantes de organizações humanitárias internacionais. Há muitos turistas que se apresentam como voluntários de organizações humanitárias, que atrapalham muito o trabalho daqueles que realmente estão engajados. Hoje, em Aceh, há mais médicos e enfermeiros do que doentes. Precisamos de uma coordenação melhor, precisa-se de voluntários para as populações no litoral, aonde centenas de milhares de pescadores e agricultores ficaram sem nada, depois do tsunami”.
Pe. Severi continua: “Muitas pessoas estão ajudando a limpar a escola da lama e dos detritos, as salas estão destruídas. Mas existem pessoas, que por desespero, tentam roubar aquilo que a inundação não destruiu. Há alguns dias, estamos sem luz e telefone, enquanto a gasolina para o gerador que acendemos à noite tem faltado. Agradeço todos pela solidariedade demonstrada. No momento, as exigências dos refugiados de Aceh estão sendo atendidas pelas ajudas internacionais”.
O franciscano fala também dos católicos de Aceh: “Todos os nossos fiéis foram para Medan. Acredito que as pessoas de etnia chinesa retornarão, quando as estradas estiverem limpas e os cadáveres enterrados, pois possuem lojas e atividades comerciais. As de etnia local, dos batacos, ainda não decidiram se retornarão a Aceh ou recomeçarão suas vidas em outras regiões. Seria bom que as ajudas destinadas a projetos de reconstrução considerem as exigências dos desabrigados, em seus lugares de destino”. (PA) (Agência Fides 22/01/2005)

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