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OCEANIA/NOVA ZELÂNDIA - Maori: não à tensão inter-étnica: apelo dos Bispos ao governo por respeito e diálogo

Wellington (Agência Fides) - Os Bispos católicos e protestantes da Nova Zelândia assinaram e difundiram um apelo conjunto em que se pede ao governo de retomar o diálogo com os maoris. O documento pede o re-exame honesto da legislação que regulamenta a exploração costeira dos territórios aonde vive a minoria indígena. A medida, aprovada pelo Parlamento, encontrou uma forte oposição dos maoris e os Bispos temem que a questão possa dividir ainda mais os dois grupos étnicos presentes na nação.
Está em curso no país um aceso debate sobre o respeito da cultura maori, penalizada por séculos depois da chegada dos brancos, chamados pakeha, de origem européia. Uma comissão parlamentar está trabalhando para modificar a proposta de lei que nos próximos dias será examinada pelo Parlamento.
O comunicado dos Bispos lança um apelo para que a medida legislativa não ameace a paz entre os grupos sociais e expressa preocupação pela necessidade de preservar a unidade no país.
Os Bispos pedem ao governo que se abra e promova o diálogo sem preconceitos com os maoris, no respeito de seus direitos e costumes de vida, pressionando por uma solução negociada e evitando contraposições. Em maio passado, cerca de 10 mil maoris marcharam em Wellington protestando contra a proposta de lei que regulamenta os direitos territoriais das praias do país.
A normativa nacionaliza as regiões costeiras, impedindo o usufruto aos maoris. A nova lei pode privar os maoris das áreas que utilizam atualmente para a pesca e a coleta de frutos do mar. Os maoris insistem no respeito do Tratado de Waitangi, estipulado em 1840 com a Coroa Inglesa, que atribuía à população indígena ‘a plena, exclusiva, e indiscutível’ propriedade de terra, bosques e áreas de pesca’.
Os cerca de 530.000 maoris presentes na Nova Zelândia representam 12,5% da população neozelandesa, e são a porção populacional mais pobre do país. (PA) (Agência Fides 26/10/2004)

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