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ÁSIA/TAILÂNDIA - Mais de 80 mortos e diversos feridos no ataque dos milicianos muçulmanos - Presos 1.300, preocupação pelas infiltrações de elementos radicais

Bangcoc (Agência Fides) - A tensão no Sul da Tailândia, aonde uma minoria islâmica já gerou desordens nos últimos meses, reacendeu-se improvisamente: uma multidão de cerca de 2 mil muçulmanos atacou ontem, 25 de outubro, a delegacia de polícia de Tak Bai (800 km a Sul de Bangcoc) para libertar seis rebeldes locais, presos em 12 de outubro passado, acusados de vender armas a milicianos muçulmanos. Os detentos se encontravam na prisão de Narathiwat City, a cerca de 40 km de Tai Bai. Após um confronto violento com a polícia tailandesa, mais de 80 pessoas foram mortas, diversas ficaram feridas e cerca de 1.300 homens foram presos. A polícia e o exército utilizaram gás lacrimogêneo e dispararam tiros de borracha, conseguindo seqüestrar uma grande quantidade de armas, fuzis, pistolas, e três bombas de mão. O líder islâmico Abdulraman Abudulsamad, líder do Conselho islâmico da província de Narathiwat, criticou as forças da ordem pela reação que causou tantas vítimas, mas expoentes políticos defenderam a ação da polícia.
O Primeiro ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, disse que os manifestantes são ligados ao grupo de milicianos que em 4 de janeiro passado assaltou um depósito de armas, roubando 300. Desde então, os milicianos muçulmanos das províncias meridionais foram protagonistas de vários atritos com as forças de segurança.
Em especial, as províncias de Narathiwat, Pattani e Yala, de maioria muçulmana, reivindicam há anos a secessão de Bangcoc. Os últimos eventos mundiais agravaram as tensões, sobretudo por causa das novas ondas de militantes muçulmanos provenientes do exterior.
Segundo fontes locais da Fides, o protesto muçulmano tem natureza política, e gerou o despertar de antigas reivindicações religiosas. Nas províncias do Sul, os católicos são realmente poucos: pequenos grupos de 70 fiéis. Até o momento, os católicos não foram diretamente envolvidos na violência. As atividades da Igreja procedem normalmente e um centro social católico que se ocupa principalmente dos doentes de AIDS continua operativo.
90% dos 60 milhões de tailandeses professa o budismo. Os muçulmanos são 6%, concentrados no sul, e em maioria, de etnia malay. Os cristãos são 2,2%, dos quais 280.000 católicos. (PA) (Agência Fides 26/10/2004)

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