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ÁFRICA/ANGOLA - Passados dois anos do fim da guerra civil, o Secretário da Conferência Episcopal faz um balanço da situação em Angola

Roma (Agência Fides) - “Há dois anos do fim da guerra civil em Angola, o país está vivendo uma fase de reconstrução destinada a durar ainda tanto” - diz à Agência Fides Dom Eugenio Dal Corso, Bispo de Saurimo e Secretário da Conferência Episcopal Angolana. Em 2002, encerrou-se a sangrenta guerra civil angolana, que teve início em 1975. Dom Dal Corso faz um balanço destes dois anos de paz. “No campo político, o país está se preparando para as eleições gerais, cuja data ainda não foi estabelecida. O partido no poder, o MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), quer marca-las para 2006, enquanto alguns partidos da oposição preferem antecipar a consulta eleitoral para 2005” - diz o Bispo.
“Um grande problema que nosso país está enfrentando é a reintegração dos refugiados, que durante a guerra haviam fugido para países vizinhos, como Zâmbia, Namíbia, Republica Democrática do Congo. Aqueles que tentam retornar sozinhos encontram dificuldades, pois não recebem assistência. Muitos, graças a assistência do governo e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados conseguem voltar, gozando da assistência para a reintegração na vida social e econômica do país” - afirma Dom Dal Corso. “A agricultura está em fase de crescimento, mesmo que seja essencialmente de subsistência. O problema das minas existe, mas se limita às regiões centrais, como Huambo e Kwito-Bié” - diz o Bispo.
“A guerra gerou uma imensa destruição. O sistema escolar, por exemplo, está seriamente comprometido. Em Luanda, a capital, 40% dos jovens não vão à escola, porque não existem edifícios escolares nem professores suficientes. Nas áreas rurais, a situação é ainda mais grave” - diz Dom Dal Corso. “As estruturas da Igreja também sofreram graves danos durante os longos anos da guerra civil. Igrejas, casas paroquiais, missões, foram completamente destruídas” - diz o Bispo. “Em relação às escolas católicas, as rurais foram destruídas, enquanto as escolas das cidades foram seqüestradas pelas autoridades. Recentemente, foram restituídas à Igreja, mas infelizmente em péssimas condições, e precisam de reformas”.
“A minha Diocese, Saurimo, no nordeste do país, tem uma extensão de 70mila km2 e mais de 400 mil habitantes. A guerra também nos deixou imensa destruição, e as necessidades são tantas. Gostaria de acolher novos missionários, mas no momento não existem estruturas disponíveis, pois as poucas existentes foram destruídas” - continua o Bispo.
“Do ponto de vista espiritual, os angolanos são em 50% católicos, inclusive muitos dirigentes, como o Presidente. Registramos um aumento das vocações, mas infelizmente temos poucos lugares nos seminários locais. É necessário construir um Seminário Maior, para as províncias do Sul. Por isto, diversos seminaristas angolanos estudam em Portugal, na Itália ou no Brasil” - conclui Dom Dal Corso. (L.M.)

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