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ÁFRICA/NIGÉRIA - O Delta do Níger, entre petróleo e reivindicações da etnia Ijaw

Lagos (Agência Fides) - O líder dos rebeldes nigerianos que ameaçaram sabotar a produção de petróleo no delta do Níger, encontra-se em Lagos, capital da Nigéria, para iniciar negociações com o governo nigeriano.
Mujahid Dokubo-Asari, líder da “Força dos voluntários do Delta do Níger”, chegou hoje, 29 de setembro, na capital nigeriana, depois de ameaçar sabotar a extração de petróleo se até 1º de outubro, o governo não iniciar negociações com os representantes dos Ijaw. As declarações contribuíram ao imediato aumento do preço do petróleo, chegando a mais de 50 dólares por barril.
O grupo “Força dos voluntários do Delta do Níger” é constituído pelos Ijaw, uma etnia que vive em 6 estados da Federação nigeriana do Delta do Níger: Ondo, Edo, Delta, Bayelsa, Rivers e Akwa Ibom. Os Ijaw são mais de 14 milhões, e representam o grupo étnico mais populoso da região, e a quarta etnia da Nigéria. Os Ijaw são, em maioria, animistas ou cristãos.
Desde 1958, quando empresas francesas, norte-americanas, britânicas e italianas iniciaram a explorar o petróleo na região, os Ijaw combatem pelo direito de obter uma parte dos lucros derivados do ‘ouro negro’ e indenizações pelos danos ambientais provocados pelas instalações petrolíferas. Assim, nasceram diversos movimentos. Além da “Força dos voluntários do Delta do Níger”, há os Egbesu Boys of Bayelsa, o Chicoco Movement, o Ijaw Youth Council e as comunidades federadas Ijaw do Delta do Níger. De movimentos dissidentes, nasceram pequenos grupos que se dedicam ao crime: seqüestros, extorsões e sabotagens. Estes bandos são também responsáveis pelo roubo de petróleo, realizados com perfurações nos oleodutos, ou depositando o bruto em cisternas. Esta prática já causou diversas explosões nas condutas, provocando centenas de mortos e feridos.
O Delta do Níger é uma região instável e volátil como o petróleo que se extrai de seus povos. Já em 1998, os Egbesu Boys ameaçaram sabotar as estruturas petrolíferas e anunciaram um ultimato, denominado “Declaração de Kaiama de 11 de dezembro de 1998”. “Não se entende por que a imprensa internacional enfatize as palavras do líder da “Força dos voluntários do Delta do Níger” para justificar o aumento do preço do petróleo” - diz à Agência Fides uma fonte local da Nigéria meridional. “Parece-me que se quer atribuir a culpa ao último anel de uma corrente muito longa, visto que o preço do ‘ouro negro’ é determinado pelos mercados internacionais, nos quais é a especulação que comanda”. (L.M.) (Agência Fides 29/9/2004)

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