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ÁFRICA/NIGÉRIA - O ataque dos “talibãs” no norte da Nigéria cria novas sombras na capacidade de expansão do integralismo na África ocidental

Lagos (Agência Fides) - Pelo menos 7 pessoas morreram no estado de Borno, nordeste da Nigéria, quando um grupo armado que se autodefine “Talibã” atacou duas delegacias de polícia nas localidades de Bama e Gworza, distantes 40 quilômetros uma da outra. Os dois ataques foram praticados por cerca de quarenta homens armados, que usavam lenços vermelhos e gritavam “Alá é grande”. Os atacantes roubaram diversas armas dos depósitos da polícia e tentaram levar 5 reféns na fuga. Segundo as forças de segurança nigerianas, pelo menos dois reféns foram mortos, enquanto outro conseguiu fugir.
“A polícia e o exército estão na pista dos talibãs, mas por enquanto, as notícias são ainda confusas. Correm boatos de que os agressores não eram nigerianos, e que entre eles, alguns falavam árabe, mas as autoridades não confirmaram tais notícias” - explicam à Agência Fides fontes locais, anônimas.
Ao que parece, o grupo de agressores age ao longo da fronteira entre a Nigéria e os camarões. O governo nigeriano pediu ao governo dos Camarões que reforce os controles fronteiriços, para evitar novos ataques. As autoridades nigerianas informam que um grupo de bandidos esconde-se nas montanhas de Mandara, situadas entre Nigéria e Camarões.
No início de 2004, os “Talibãs” realizaram ataques no estado de Yobe, e diversos integrantes foram mortos ou capturados pela polícia. Segundo as forças de segurança nigerianas, os sobreviventes teriam se refugiado no vizinho Niger, aonde se organizam para novos ataques. Atualmente, o grupo conta poucas centenas de elementos, particularmente agressivos.
Os novos episódios de violência confirmam o alarme relativo à expansão do extremismo de matriz islâmica ao norte da Nigéria e em outros países da África ocidental. Esta semana, teve lugar na Mauritânia uma reunião da Interpol para elaborar uma estratégia de luta contra o terrorismo fronteiriço e a criminalidade na África, a ser aplicada em operações conjuntas e trocas de informação. Participaram da reunião 19 Países da África, Europa, Ásia e América. Além do Norte da Nigéria, os integralistas islâmicos estariam se estabelecendo nos países mais pobres da região: Níger, Mali, Mauritânia. Isto é, aonde o integralismo religioso se encontra com o desespero da fome e da pobreza: uma mistura explosiva, da qual o mundo avançado ainda não compreendeu a periculosidade. (L.M.) (Agência Fides 23/9/2004)

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