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ÁSIA/FILIPINAS - Filipino muçulmano morto por tentar salvar menina católica de um seqüestro

Jolo (Agência Fides) - A chaga dos sequestros por resgate não dá trégua à população do sul das Filipinas. Na ilha de Jolo, a sul de Mindanao, uma menina cristã de sete anos, Rachel Ann Gujit, foi seqüestrada, às 7 hs. da manhã de 19 de fevereiro, enquanto tomava o ônibus que a levaria a escola primária Notre Dame of Astúrias. O motorista do ônibus, o muçulmano Abubakar Salip Iston, tentou proteger a menina dos bandidos e foi morto com um tiro na cabeça. Deixa a esposa e um filho de 10 anos. Os seqüestradores, identificados como um bando de muçulmanos de etnia tausug, fugiram a bordo de uma van.
A população de Jolo está chocada pelo seqüestro de uma criança (é a primeira vez que ocorre) e pelo assassinato a sangue frio do homem. Todos, cristãos e muçulmanos, condenaram o brutal gesto. A Igreja católica local mobilizou-se imediatamente. O Vicariado Apostólico de Jolo, através do Escritório Justiça e Paz, pediu à polícia maior proteção e empenho na captura dos bandidos.
Em um apelo enviado a Agência Fides, Pe. Romeo Villanueva, responsável do Escritório, convida os sequestradores a libertarem imediatamente a menina. Numa mensagem, escreve: “Façam-no em nome de Alá, o poderoso, o misericordioso. Comportem-se como verdadeiros muçulmanos, ofereçam uma compensação à família da pequena vítima e libertem-na”.
Pe. Villanueva elogia “o gesto corajoso do muçulmano que tentou impedir o sequestro da menina católica. Rendemos graças a Abubakar Salip Iston, e condenamos veementemente os seqüestradores”.
“É a primeira vez que uma criança é seqüestrada em Jolo - destaca o apelo. É um fato vergonhoso: os irmãos muçulmanos de Jolo devem rebelar-se e pedir ao governo que faça mais para garantir a ordem e a segurança. Vocês, muçulmanos, deixarão que assassínios e seqüestros manchem o seu nome?”. O sacerdote pede que “a polícia e o exército unam suas forças e elaborem um plano estratégico para Jolo, a fim de prevenir outros seqüestros”.
Atualmente, outro cristão, Ramon Enoperio, encontra-se nas mãos de seqüestradores. Os seqüestros com pedidos de resgate, sobretudo de religiosos e empresários ocidentais, são muito comuns em Jolo, base do grupo terrorista Abu Sayyaf. Em maio de 2001, foram seqüestrados os missionários protestantes americanos Martin e Gracia Burnham. Depois de algum tempo, ele foi morto e ela, libertada. Em 1997, o Vigário Apostólico de Jolo, Dom Mons. Benjamin de Jesus, foi assassinado na frente da Catedral.
(PA) (Agência Fides, 26/2/2004)

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