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ÁSIA/FILIPINAS - As negociações oficiais entre governo e rebeldes islâmicos vão ser retomadas em abril: “Uma pedra fundamental” no processo de paz, afirma a Presidente Arroyo

Manila (Agência Fides) - “Uma pedra fundamental no processo de paz”, assim a Presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, comentou a notícia da retomada oficial das negociações entre o Governo e os rebeldes islâmicos da Moro Islamic Liberation Front (MILF), anunciada para abril. O acordo para retomar as negociações foi decidido durante uma reunião realizada nos dias 19 e 20 de fevereiro, na Malásia.
O comunicado de 20 de fevereiro, que anuncia as negociações, foi assinado pelo Porta-voz da Comissão governamental, Silvestre Afable, e pelo representante da MILF, Mohagher Iqbal.
A Presidente declarou: “Todos os obstáculos foram removidos. As partes concordaram em posicionar em todo o território de Mindanao uma equipe para controlar o cessar-fogo (assinado em julho de 2003) e assistir o Banco Mundial e os outros doadores em nível internacional para recriar projetos de desenvolvimento nas áreas atingidas pelo conflito, depois da assinatura de um acordo de paz”.
A Presidente estava visivelmente satisfeita porque a retomada oficial das negociações ocorre próximo às eleições presidenciais, previstas para o dia 10 de maio: um bom trunfo para a campanha eleitoral de Arroyo, que poderá propor-se com a promessa de pacificar o país.
Fides pediu um comentário sobre essa situação a Pe. Sebastiano D’Ambra, missionário do Pime em Zamboanga City, no extremo sul da Ilha de Mindanao: “O anúncio de uma negociação é sempre uma bela notícia. Mas é preciso aguardar os resultados. É verdade que o interesse eleitoral pode ter influenciado, mas também tiveram peso as pressões por parte da Malásia e da Organização para a Conferência Islâmica, que recentemente reiterou a importância de um acordo que não coloque em discussão a unidade da República das Filipinas”.
No que diz respeito à proposta de um referendo para a autodeterminação e a separação - hipótese que circula novamente nesses meses em Mindanao - Pe. D’Ambra afirma que “não se trata de uma hipótese realista: diversos referendos para a autonomia foram realizados no passado, mas o governo instituiu a Região Autônoma Muçulmana e não poderá renunciar à unidade territorial da República”.
Sobre o clima que nessas semanas paira sobre Mindanao, Pe. D’Ambra afirma à Fides: “Atualmente estão em primeiro plano as questões relacionadas com a campanha eleitoral. Na região de Cotabato e Kidapawan, ao invés, onde existem ainda numerosos refugiados, a urgência das negociações e os pedidos de uma paz definitiva são mais fortes entre a população”.
(PA) (Agência Fides 23/2/2004)

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