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ÁFRICA/COSTA DO MARFIM - “MUITOS GANHAM COM A DIVISÃO DO PAÍS EM DUAS PARTES”

Abidjan (Agência Fides) – “Todos esperamos com uma certa apreensão a reunião do Conselho dos Ministros desta manhã, a qual os rebeldes decidiram não participar”, dizem à Agência Fides fontes da Igreja local, que por motivos de segurança desejam permanecer anônimos. “Após a decisão do Movimento Patriótico da Costa do Marfim (MPCI) de retirarem-se do governo de unidade nacional a tensão no País cresceu. Em 24 de Setembro os militares fecharam a passagem entre a zona controlada pelos rebeldes e o restante da Costa do Marfim. Tal decisão afeta a população civil que se encontra impedida de encontrar parentes e amigos que vivem em outra parte do País” afirmam as fontes da Fides.
Oficialmente os rebeldes suspenderam a sua participação no governo de unidade nacional porque insatisfeitos com a escolha do Presidente Gbagbo de Martin Bleou para o cargo de ministro do Interno, e de René Amani como Ministro da Defesa. “Ainda que se tratando de duas personalidades independentes, os rebeldes afirmam que não foram seguidos os procedimentos que previam a sua consulta. Na realidade, este é apenas um pretexto para perpetuar a divisão do País em duas partes. Existem muitos chefes e subchefes que ganham graças ao tráfico entre a zona do governo e a dos rebeldes, muitas pessoas que ganham extorquindo dinheiro nos postos de bloqueio” disse a fonte da Agência Fides.
“O perigo é que a divisão do País se perpetue no tempo criando um status quo que no futuro será difícil superar pacificamente. Ao que parece, não existe perigo imediato de retomada das hostilidades, até porque as forças do governo, nos últimos meses se reorganzaram e receberam novas armas, sobretudo helicópteros e aviões de combate dos arsenais em liquidação dos Países do Leste europeu, pagos com os lucros do cacau”, concluem as nossas fontes. A colheita de cacau deste ano, 1,29 milhões de toneladas, foi superior a precedente (1,26 milhões). este fato, unido ao aumento dos preços do produto, permitiu à Costa do Marfim dispor da liquidez necessária para reforçar o próprio exército. A França continua a apoiar o País, também financeiramente: os créditos de Paris à Abidjan chegam ao volume de 1 bilhão e 200 milhões de Euros.
Na Costa do Marfim, o exército francês recrutou o contingente mais consistente fora das fronteiras nacionais. “Paris se sente agredida na própria zona de influência africana por outras potências, não pode perder este País que é a base de sua política na África ocidental”, afirmam as fontes da Agência Fides.
(L.M) (Agência Fides 25/09/2003 – linhas: 33; palavras: 425)

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