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ÁFRICA/R.D. CONGO - ACORDO DE PAZ ENTRE BABUYU E BABEMBE PREVÊ O PERDÃO RECÍPROCO PELAS INJUSTIÇAS COMETIDAS E A CONTINUAÇÃO DAS DISCUSSÕES PARA ERGUER AS PILASTRAS DA PAZ DURADORA

Kinshasa (Agência Fides) – Na longa guerra civil do Congo ,que entre 1998 até hoje, provocou cerca de 3 milhões de vítimas, se abre uma possibilidade de paz- Graças à mediação da Igreja católica, foi resolvido um conflito tribal que durava 50 anos. Tal ocorreu no leste da República Democrática do Congo (RDC), com a assinatura do protocolo de acordo entre as populações Babuyu e Babembe, que vivem no território de Fizi, região de Lulenge (ao sul de Kivu) e no território de Kibanbare, região de Babuyu (província de Maniema). O acordo foi assinado graças á mediação de Pe. Alexis Asani Ndalimbuzi, presidente da Comissão Diocesana “Justiça e Paz/Kasongo”.
“O longo conflito entre as duas populações teve como motivo a disputa pelo controle de terras”, disse à Agência Fides Pe. Luigi Lo Stocco, missionário xaveriano, diretor da Rádio Maria rainha da Paz de Bukavu. “ Os Babuyu, com efeito, se sentem lesados pela ocupação de suas terras por parte dos Babembe, deslocados de suas montanhas pelos colonos belgas para empregá-los no cultivo de algodão. Uma outra razão do conflito deriva do fato que os Babembes, que com o tempo, transformou-se na etnia majoritária em número de membros, passaram a recusar o pagamento dos benefícios tribais aos Babuyus” explica Pe. Luigi.
O conflito entre Babuyus e Babembes foi explorado por diversos protagonistas da guerra civil, que desde 1998, abala a RDC. “Seja o governo, seja os diversos grupos de guerrilha que atuam no leste do Congo, instrumentalizaram as rivalidades entre os dois grupos étnicos, fornecendo a ambos armas de fogo em troca de apóio”, conta-nos Pe. Luigi.
O acordo prevê o perdão recíproco pelas injustiças cometidas e a continuidade das discussões para erguer as pilastras da paz duradoura. Se estabelece também o pagamento de benefícios tribais e o cessar definitivo de todo o tipo de provocação com o fim de incitar o ódio tribal, a xenofobia e os atos de violência.
No Congo, diversos exércitos e grupos de guerrilha combatem entre si pelo controle das riquezas do País ( dos diamantes até a madeira, urânio e petróleo). Ao lado destes interesses, existem muitos conflitos tribais que são instrumentalizados visando interesses próprios.

(L.M) (Agência Fides 28/07/2003 – linhas: 34; palavras: 407)

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No site da Fides, a foto da cerimônia de estipulação dos acordos.
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