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ÁSIA/TERRA-SANTA - “CONVERSÕES DO CORAÇÃO PARA A PAZ E A SEGURANÇA NA TERRA-SANTA” – ENTREVISTA DA AGÊNCIA FIDES AOS PADRE DAVID JAEGER OFM, PORTA-VOZ DOS GUARDIÕES FRANCISCANOS DA TERRA-SANTA

Jerusalém (Agência Fides) - Vivemos um clima de renovada esperança e otimismo na Terra-Santa com a trégua do conflito Israel.palestinense. Nesta delicada fase de transição, que poderá significar a retomada de verdadeiras negociações de paz entre as partes, a Agência Fides entrevistou o Padre David Jaeger OFM, Porta-voz dos guardiões franciscanos da Terra-santa.

A Terra-Santa está vivendo um tempo e paz, um momento propício e uma ocasião histórica. Quais são os elementos positivos e as esperanças que depõem em favor do processo de paz?

É a primeira vez, após 28 de setembro de 2000, que existe uma esperança bem fundada para a retomada da mesa de negociações. O otimismo, ainda que justificado, deve ser contido. Para que haja verdadeiramente um tempo de paz, deve estar clero que não se trata simplesmente de
retornar à situação de assento em que se vivia antes da “segunda investida”. Se assim for, e se tratar simplesmente de uma retomada de uma situação já demonstrada insustentável, o momento atual poderá revelar-se uma simples pausa antes de uma retomada dos conflitos...quod Deus avertat! É preciso uma verdadeira mudança de mentalidade, uma “conversão” por parte dos interessados, que permita cumprir progressos rápidos em direção ao fim declarado na “Road-map”, aquele de “pôr fim à ocupação dos territórios palestinenses iniciados em 1967 e de erigir nos territórios até agora ocupados um Estado Palestino livre, independente, democrático”, que conviva pacificamente com o Estado de Israel. Esta é a visão expressa pelo presidente dos Estados Unidos George Bush no discurso de junho de 2002, e mais trade confirmada pela “Road map”.

Qual a sua avaliação do itinerário traçado pela Road Map?

A “Road-map” se impõe sobretudo por força da finalidade que expõe com muita precisão, e que faltavam nos “Acordos de Oslo” de 1993. o itinerário que foi traçado é positivo e oferece novas esperanças, mas nos perguntamos, por exemplo, sobre a utilidade da definição de um “Estado provisório” ( ou das fronteiras provisórias) hipotizadas pelos palestinenses, como etapa em direção ao Estado “definitivo” (ou das fronteiras definitivas). Segundo os observadores, seria melhor chegar antes a um tratado definitivo de paz, delineando fronteiras definitivas, para depois atuá-la gradualmente. Desta maneira seria possível evitar conflitos e tensões que poderiam nascer da provisoriedade e das incertezas em relação ao assentamento definitivo das relações entre as duas Nações. Seja lembrado que tal assentamento definitivo não é exatamente um mistério. As linhas de força deste tratado de paz definitivo são conhecidas há anos, e são quase inevitavelmente delineadas por considerações fundamentais, como o direito internacional, um saudável realismo, e o respeito à fundamental igualdade entre as partes.
Atualmente está em curso uma iniciativa muito interessante: o convite dirigido conjuntamente ao povo israelense e palestinense de duas notas personalidades para aderir a uma lista orgânica dos princípios essenciais deste Tratado de paz. Se trata do prof. Sari Nuseibeth, presidente da Universidade palestinense Al Quds de Jerusalém, e do General Ami Avalon, comandante da marinha militar e ex-chefe da polícia secreta (Shin Beth) de Israel – dois personagens que estão longe de quaisquer suspeitas em matéria de patriotismo e de lealdade para com a própria nação.

Qual deve ser o papel da Igreja e da comunidade cristã na Terra Santa nesta particular transição histórica?
A Igreja, tendo em vista o seu papel e a sua vocação, não pode fazer outra coisa que não aplaudir e apoiar toda iniciativa séria de paz. Neste contexto, o seu papel específico poderia ser o de insistir na imprescindível dimensão internacional do assentamento definitivo da Terra Santa, sobretudo no que diz respeito ao tão desejado “Estatuto Especial Internacional Garantido” para Jerusalém e arredores (incluindo Belém), a tutela, em modo particular, dos Lugares Santos, e das comunidades e instituições que exprimem a presença total do cristianismo na “pátria espiritual” de todos os crentes em Jesus. Além disso, cabe à Igreja e aos cidadãos cristãos de ambas as nações, promover os valores da democracia, da justiça, da liberdade – antes de tudo a liberdade de consciência e de religião – em cada um dos ordenamentos. Atualmente é urgente insistir para que a Constituição do Estado Palestinense responda plenamente a estes valores, e que não haja sedimentos de frente dos fortes impulsos islâmicos que se observam no interno da sociedade palestinense. Se trataria de reforçar o caráter originalmente laico do movimento nacional palestinense. Nisto, vejo um papel determinante e de destaque para a Europa.

Em meio a um clima de pacificação geral e de renovada confiança nas relações Israel-Santa Sé, como procedem as negociações para o retorno do Santuário do cenáculo e de outras propriedades em Custódia da Terra Santa?
As negociações para a restituição do Cenáculo são oficialmente em curso. Seria justo dizer que a Igreja Católica espera, por parte do Estado de Israel, um gesto de generosidade e de magnanimidade, que seria muito apreciado. os legítimos proprietários do Cenáculo são os padres franciscanos da Custódia da Terra Santa, aos quais fora arrancado a força pelos Otomanos, para depois passar para Israel em 1948. A restituição do Cenáculo não exigiria qualquer sacrifício do Estado e esperamos que possa ocorrer o mais rapidamente possível. As negociações visam um “acordo complexivo” sobre todas as questões patrimoniais e fiscais pendentes há mais de meio século entre a Igreja Católica e o Estado hebreu. No“Acordo fundamental” de 1993, a Santa Sé e o Estado de Israel se empenharam para chegar a um tal acordo. O acordo deveria reconfirmar e consolidar as indispensáveis isenções fiscais, plurisseculares, que permitem concretamente a existência e a obra das comunidades e instituições católicas em Israel. Quanto ao aspecto patrimonial, aspiramos também a restituição de algumas propriedades perdidas no curso dos anos, como a Capela – Santuário de Cesaréia marítima, localidade significativa na história cristã, ou uma parte do convento franciscano de Santo Antônio, no centro de Jerusalém, entre outras.
Se todo este acordo é possível e esperamos que o Estado de Israel saiba demonstrar-se sabiamente amigável. As negociações se desenvolvem em um ótimo clima: esperamos que se concluam a tempo para o décimo aniversário do Acordo Fundamental (30 de dezembro), de modo a premiar a corajosa escolha, por parte da Santa Sé, de permitir a plena normalização das relações formais – isto é, o restabelecimento das relações diplomáticas – à efetiva resolução dos problemas concretos.
(PA) (Agência Fides 9/7/2003 – linhas: 87; palavras: 1068)

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