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ÁSIA/FILIPINAS - O EXTREMISMO FUNDAMENTALISTA LEVARÁ A ARMA DOS CAMICASES TAMBÉM ÀS FILIPINAS? RESPONDE O PADRE D’AMBRA, MISSIONÁRIO DO PIME EM MINDANAO

Zamboanga (Agência Fides) – “ A única via possível para resolver o conflito nas Filipinas do Sul é promover o diálogo e isolar as facções de rebeldes mais radicais”. Assim afirmou em uma entrevista para a Agência Fides o Pe. Sebastiano D’Ambra, missionário do Pime em Zamboanga City, na Ilha de Mindanao, e responsável pelo Instituto inter-religioso Silsilah. Segundo o padre D’Ambra, “ o Moro Islamic Liberation Front (MILF) está interessado na paz, como demonstra o gesto de cessar fogo. A paz traria o desenvolvimento e concessões políticas e econômicas”.
“ A população de Mindanao, cristã e muçulmana – continua o missionário – faria qualquer coisa para que se voltasse a uma situação de paz. Certo, os problemas com os quais Mindanao se debate são muitos: pobreza, subdesenvolvimento, refugiados. Em Cotabato, no centro da ilha, existem ainda muitos desabrigados que têm medo de voltar para as suas casas: o povo perdeu a confiança. O fenômeno não é novo, já em 2000 haviam fugido e depois voltaram. Hoje são obrigados a fugir novamente da violência. Alguns cristãos em Mindanao crêem que a intervenção seja necessária para combater o terrorismo, mas muitos pensam que a guerra não é um meio resolutivo. Entre a população muçulmana, a intervenção militar produziria uma maior hostilidade em relação ao exército e o governo e espalharia o medo. Há o risco que, sobre este terreno, nasçam grupos terroristas camicases! Alguns grupos de extremistas assim prometem, com base nos exemplos no Oriente Médio e Iraque”.
Para afastar este perigo, segundo Pe. D’Ambra, é preciso cultivar o diálogo, como fazem algumas organizações presentes em Mindanao, como o Silsilah e a Bishop Ulama Conference.
“ O trabalho de educar para a paz – explica o missionário – é lento, requer paciência ...É realizado nas escolas e nas famílias. Em Mindanao existem diversos grupos e organizações que trabalham neste sentido. Para nós da Silsilah, o diálogo é um caminho espiritual que leva à paz. A cultura do diálogo para se alcançar a paz é bem aceita por cristãos e muçulmanos. É preciso encontrar na fé cristã e islamita as motivações que dão a força para cultivar uma espiritualidade do diálogo”.
Sobre o conflito no Sul das Filipinas, Pe. D’Ambra lembra que “não se pode esquecer o contexto internacional e a luta contra o terrorismo lançada pelos Estados Unidos da América. O governo filipino tem sempre defendido o pleno apoio político dos Usa, que reforçaram a presença militar nas Filipinas do Sul, para afastar os grupos terroristas que infestam a região como Abu Sayyaf, que alguns dizem tenham ligações com Al Qaeda”.
Abu Sayyaf está na lista dos grupos terroristas difusa pelas autoridades filipinas, assim também como o New People Army, antigo grupo de ideologia comunista. Já o MILF não: declará-lo “terrorista” significaria eliminar toda a possibilidade de negociação. “Espero que não se faça este erro – conclui o missionário. A única via possível é promover o diálogo e isolar as facções mais radicais”.
(PA) (Agência Fides 16/06/2003 – linhas: 40; palavras: 513)

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