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QUARESMA: NO DESERTO PARA ENCONTRAR DEUS - de Pe. Vito del Prete, PIME, Docente na Pontifícia Universidade Urbaniana

O itinerário da Quaresma apresenta-se também como a aventura que os hebreus, fugidos do Egito, fizeram vagando pelo deserto, na esperança de chegar ao Monte Santo, para encontrar a Deus. O deserto é uma etapa necessária, insubstituível, que não é possível saltar, se se quer chegar à convicção profunda de que Javé é o único Deus, criador, e que não existem outros deuses fora Ele.
É no deserto que o ser humano experimenta a sua limitação, a sua provisoriedade e percebe o ser nada, porque o deserto é uma terra árida, vazia, sem vida. E no deserto que nos colocamos a pergunta: " Eu e Deus". No deserto surge o interrogativo: a quem deve dar ouvidos os meus ouvidos: à Palavras de Deus ou a de outros? A quem a glória? Ou ainda uma outra: Deus está no meio de nós, sim ou não?
Somente se experimentamos a nossa inconsistência fundamental, aceitaremos realmente a proclamação: " Eu sou o Senhor teu Deus: não haverás outros deuses diante de mim. Não fazeis ídolos e nem imagem alguma daquilo que existe no céu e na terra". Estas, as criaturas, não são os teus deuses, mas são minhas criaturas. Não são o absoluto, mas todos foram levadas á existência com o sopro do meu Espírito. São bons, porque manifestam a minha bondade e a minha beleza.
O reconhecimento do Deus único Criador nos leva a admiração e ao estupor diante da criatura, que sempre é sinal e sacramento de Deus. É desta espiritualidade profunda que Francisco de Assis se sente em comunhão com todas as criaturas, que lhes adverte como irmãos e irmãs da grande família da criação.
Por isto os homens devem entrar no repouso sabático: devem cessar de suas fadigas: homens, animais, a terra, que deve ser deixada em paz a cada cinqüenta anos, em que não deve ser violentada. E todos esperam entrar no repouso sabático eterno.
O primeiro sentimento é aquele do louvor e do agradecimento a Deus por tudo quanto criou, pelas suas criaturas.
Mas este plano de Deus foi corrompido pelo homem. As relações rompidas com Deus afligiram também a amizade e a harmonia de todas as suas criaturas. A inimizade e a violência tornaram-se um fato universal cósmico. E aqui é onde entra a cruz de Cristo: somente através da imolação do próprio Deus em Cristo, era possível reconduzir à reconciliação e à harmonia toda a criação. Este mistério não é tirado dos homens ou das grandes religiões: é muito grande. É a morte de Deus que conduz tudo à vida.
Com a reconciliação, o tudo se aglutina entorno do corpo de Cristo. " Destruir este templo e eu o reedificarei em três dias". Ele reconstruirá o templo da criação, destruído pelo pecado, não aquele feito pelas mãos do homem, mas aquele querido por deus mesmo. Por isso, o próprio Deus em Cristo será a luz, a cidade, o templo, a sua tenda entre os homens.
fazer da humanidade o corpo de Cristo é a missão da Igreja.
(Agência Fides 27/03/2003 - linhas: 42; palavras: 514)

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