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O itinerário da Quaresma apresenta-se também como
a aventura que os hebreus, fugidos do Egito, fizeram vagando pelo
deserto, na esperança de chegar ao Monte Santo, para encontrar
a Deus. O deserto é uma etapa necessária, insubstituível,
que não é possível saltar, se se quer chegar
à convicção profunda de que Javé é
o único Deus, criador, e que não existem outros
deuses fora Ele.
É no deserto que o ser humano experimenta a sua limitação,
a sua provisoriedade e percebe o ser nada, porque o deserto é
uma terra árida, vazia, sem vida. E no deserto que nos
colocamos a pergunta: " Eu e Deus". No deserto surge
o interrogativo: a quem deve dar ouvidos os meus ouvidos: à
Palavras de Deus ou a de outros? A quem a glória? Ou ainda
uma outra: Deus está no meio de nós, sim ou não?
Somente se experimentamos a nossa inconsistência fundamental,
aceitaremos realmente a proclamação: " Eu sou
o Senhor teu Deus: não haverás outros deuses diante
de mim. Não fazeis ídolos e nem imagem alguma daquilo
que existe no céu e na terra". Estas, as criaturas,
não são os teus deuses, mas são minhas criaturas.
Não são o absoluto, mas todos foram levadas á
existência com o sopro do meu Espírito. São
bons, porque manifestam a minha bondade e a minha beleza.
O reconhecimento do Deus único Criador nos leva a admiração
e ao estupor diante da criatura, que sempre é sinal e sacramento
de Deus. É desta espiritualidade profunda que Francisco
de Assis se sente em comunhão com todas as criaturas, que
lhes adverte como irmãos e irmãs da grande família
da criação.
Por isto os homens devem entrar no repouso sabático: devem
cessar de suas fadigas: homens, animais, a terra, que deve ser
deixada em paz a cada cinqüenta anos, em que não deve
ser violentada. E todos esperam entrar no repouso sabático
eterno.
O primeiro sentimento é aquele do louvor e do agradecimento
a Deus por tudo quanto criou, pelas suas criaturas.
Mas este plano de Deus foi corrompido pelo homem. As relações
rompidas com Deus afligiram também a amizade e a harmonia
de todas as suas criaturas. A inimizade e a violência tornaram-se
um fato universal cósmico. E aqui é onde entra a
cruz de Cristo: somente através da imolação
do próprio Deus em Cristo, era possível reconduzir
à reconciliação e à harmonia toda
a criação. Este mistério não é
tirado dos homens ou das grandes religiões: é muito
grande. É a morte de Deus que conduz tudo à vida.
Com a reconciliação, o tudo se aglutina entorno
do corpo de Cristo. " Destruir este templo e eu o reedificarei
em três dias". Ele reconstruirá o templo da
criação, destruído pelo pecado, não
aquele feito pelas mãos do homem, mas aquele querido por
deus mesmo. Por isso, o próprio Deus em Cristo será
a luz, a cidade, o templo, a sua tenda entre os homens.
fazer da humanidade o corpo de Cristo é a missão
da Igreja.
(Agência Fides 27/03/2003 - linhas: 42; palavras: 514)
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