|
Estamos mergulhados em palavras multiplicadas: da publicidade,
da política, dos jornais, da televisão e do barulho,
e das tantas palavras ditas e ouvidas em casa, nas ruas e no trabalho.
Falamos, falamos, e as palavras escorrem muitas vezes inúteis,
insignificantes em nosso viver quotidiano. Falamos e quase nunca
conseguimos dizer verdadeiramente aquilo que sentimos no coração
e na mente.
Por isto, o diálogo com Deus não tem necessidade
de muitas palavras; Ele que me prescruta e conhece (conf. Salmo
139,1) me pede a sinceridade e a simplicidade de ânimo,
a confiante abertura do coração. Para nos entendermos,
para falar verdadeiramente, pode ser suficiente um olhar.
A palavra nos é dada por Deus para comunicar, para sentir-nos
mais unidos, mais irmãos. Nós corremos o risco que
as nossas muitas palavras nos divida ou que nos deixem terrivelmente
solitários. O nosso tempo, que da informática fez
uma ciência e uma filosofia, conhece também o medo
e a solidão.
Pe. Antônio Leuci RCI
(Agência Fides - linhas: 21/ Palavras: 199)
|