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"QUARESMA PERPÉTUA" EM TERRA SANTA - Por David maria Jaeger Ofm, porta-voz da Custódia franciscana de Terra Santa

A Quaresma, entendida como tempo de privações, não será uma novidade para tantos habitantes da Terra santa, que vivem há anos uma espécie de "Quaresma perpétua".
Mas o que se vive na quaresma não é um sofrimento com o fim em si mesmo: o sofrimento adquire sentido em deus, que o torna uma experiência de purificação e conversão. A quaresma é para cada cristão um convite a identificar-se com cristo no deserto (Mt 4,1-11): jejuar como Ele, dialogar com deus e resistir as tentações.
Atualmente as tentações dos cristãos são muito mais sutis se comparadas às tentações descritas no texto do Evangelho. A primeira tentação - a do pão - pode significar reduzir toda a nossa atividade de " dar o pão aos que têm fome", isto é, em um puro assistêncialismo separado de sua referência essencial: " Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4). A Igreja, movida p+elo preceito da caridade, em tantas situações fornece o pão aos famintos, recebendo freqüentemente a admiração dos homens. Mas dar o pão é apenas um sinal da caridade de Deus. a nossa missão é proclamar a boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. isto é muito difícil e não suscita necessariamente um coro de elogios, porque desafia os ouvintes e por vezes, conduz ao martírio.
Sacrifícios, jejum e oração podem ajudar a atingir a paz na Terra Santa, mas ocorrerá necessariamente também o esforço e a vontade dos homens. muito fácil seria ceder à segunda tentação, aquele de atirar-se presunçosamente nas mãos de Deus, como Santanas queria que fizesse jesus, enfraquecido pelo jejum. Mas não podemos apenas atirar-nos, esperando que Deus faça tudo, em uma atitude fideísta: devemos acompanhar a nossa oração com um esforço de paz, motivado da fome e sede de justiça.
A terceira tentação - o domínio temporal - convida a determinar a nossa relação com os pobres desta terra. Em situações de falta de liberdade, como ocorre em tantas partes do mundo, nós, cristãos podemos ser tentados a ceder a compromissos, cultivando uma relação de cumplicidade com as potências terrestres. Também neste ponto a Quaresma nos desafia a reavaliar a nossa consciência e readquirir coragem de obedecer mais a Deus do que a vontade dos homens.

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