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A Quaresma, entendida como tempo de privações,
não será uma novidade para tantos habitantes da
Terra santa, que vivem há anos uma espécie de "Quaresma
perpétua".
Mas o que se vive na quaresma não é um sofrimento
com o fim em si mesmo: o sofrimento adquire sentido em deus, que
o torna uma experiência de purificação e conversão.
A quaresma é para cada cristão um convite a identificar-se
com cristo no deserto (Mt 4,1-11): jejuar como Ele, dialogar com
deus e resistir as tentações.
Atualmente as tentações dos cristãos são
muito mais sutis se comparadas às tentações
descritas no texto do Evangelho. A primeira tentação
- a do pão - pode significar reduzir toda a nossa atividade
de " dar o pão aos que têm fome", isto
é, em um puro assistêncialismo separado de sua referência
essencial: " Não só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4).
A Igreja, movida p+elo preceito da caridade, em tantas situações
fornece o pão aos famintos, recebendo freqüentemente
a admiração dos homens. Mas dar o pão é
apenas um sinal da caridade de Deus. a nossa missão é
proclamar a boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. isto é
muito difícil e não suscita necessariamente um coro
de elogios, porque desafia os ouvintes e por vezes, conduz ao
martírio.
Sacrifícios, jejum e oração podem ajudar
a atingir a paz na Terra Santa, mas ocorrerá necessariamente
também o esforço e a vontade dos homens. muito fácil
seria ceder à segunda tentação, aquele de
atirar-se presunçosamente nas mãos de Deus, como
Santanas queria que fizesse jesus, enfraquecido pelo jejum. Mas
não podemos apenas atirar-nos, esperando que Deus faça
tudo, em uma atitude fideísta: devemos acompanhar a nossa
oração com um esforço de paz, motivado da
fome e sede de justiça.
A terceira tentação - o domínio temporal
- convida a determinar a nossa relação com os pobres
desta terra. Em situações de falta de liberdade,
como ocorre em tantas partes do mundo, nós, cristãos
podemos ser tentados a ceder a compromissos, cultivando uma relação
de cumplicidade com as potências terrestres. Também
neste ponto a Quaresma nos desafia a reavaliar a nossa consciência
e readquirir coragem de obedecer mais a Deus do que a vontade
dos homens.
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