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QUARENTA ANOS EM DIREÇÃO À LIBERDADE - De mons. Massimo Camisasca, Fundador e Superior geral da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeo

Quaresma, um tempo de quarenta dias que nos prepara para a Páscoa e representa o misterioso número dos quarentas dias passados por Jesus no deserto e também, os quarenta nos vividos pelo povo hebreu, guiado por Moisés, vagando em direção á terra prometida. Este tempo parece encerrar-se em uma palavra antipática, jejum, e em duas expressões ambivalentes quanto ao uso: oração e esmola.
A Igreja, tomando o ensinamento de Jesus ( Mt 5) , durante a quaresma retoma estas palavras.
Também eu quero retomá-las com vós.
Antes de tudo, Jesus assim diz claramente: oração, esmola e jejum, por si só, não têm valor, antes, podem levar o homem a encher-se de orgulho devido as coisas que sabe fazer bem: as "boas obras".
Hoje, enquanto se adora o corpo, se prega as dietas saudáveis, enquanto se adora o dinheiro, se busca também ações que possam fazer-nos sentir justificados; enquanto muitos tem medo do silêncio e procuram esquecer-se através de um estilo de vida atordoado, outros se voltam às práticas orientais para encontrar a paz.
Em cada uma destas tentações, esconde-se uma verdade que jesus revela: oração, jejum e esmola são as vias privilegiadas para encontrá-Lo e somente dentro desta perspectiva, ganham verdadeiro sentido.
Oração: não um tempo para fixar-nos sobre nós mesmos. Não a reflexão sobre os nossos problemas, limites, pecados...Coloquemos em oração aquilo que Deus fez e continua fazendo por nós, por cada um de nós. Meditemos o Pai nosso, a Ave Maria e o Glória. . Repitamos as palavras que jesus e a Igreja colocaram em nossos lábios, saibamos abrir-nos a uma esperança não irreal e capaz de iniciativas.
Eis a verdadeira esmola: dar qualquer coisa de nosso (não apenas dinheiro, mas também tempo, conforto, conselhos...) a quem tem necessidade. Nos encontraremos mais verdadeiros, ricos daquelas riquezas que não pesam e não podem ser corrompidas pelo tempo.
Do mesmo modo o jejum: não se empanturrar de comida, para poder ser mais livres para encontrar Jesus na oração e nos irmãos.
Em Jesus, não há nenhum desprezo pela vida, pelas coisas, pela comida. Foi chamado de comilão e beberrão, porque participava de banquetes, arregalava os olhos diante das flores, dos animais e tinha quem o sustentasse com os seus bens. Mas nos ensinou o bem mais precioso: a liberdade. Tudo é bom, mas nada pode transformar-se em nosso deus.
Um só é o Senhor, aquele que é a fonte da vida. (Agência Fides 5/3/2003)

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