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Quaresma, um tempo de quarenta dias que nos prepara para a Páscoa
e representa o misterioso número dos quarentas dias passados
por Jesus no deserto e também, os quarenta nos vividos
pelo povo hebreu, guiado por Moisés, vagando em direção
á terra prometida. Este tempo parece encerrar-se em uma
palavra antipática, jejum, e em duas expressões
ambivalentes quanto ao uso: oração e esmola.
A Igreja, tomando o ensinamento de Jesus ( Mt 5) , durante a quaresma
retoma estas palavras.
Também eu quero retomá-las com vós.
Antes de tudo, Jesus assim diz claramente: oração,
esmola e jejum, por si só, não têm valor,
antes, podem levar o homem a encher-se de orgulho devido as coisas
que sabe fazer bem: as "boas obras".
Hoje, enquanto se adora o corpo, se prega as dietas saudáveis,
enquanto se adora o dinheiro, se busca também ações
que possam fazer-nos sentir justificados; enquanto muitos tem
medo do silêncio e procuram esquecer-se através de
um estilo de vida atordoado, outros se voltam às práticas
orientais para encontrar a paz.
Em cada uma destas tentações, esconde-se uma verdade
que jesus revela: oração, jejum e esmola são
as vias privilegiadas para encontrá-Lo e somente dentro
desta perspectiva, ganham verdadeiro sentido.
Oração: não um tempo para fixar-nos sobre
nós mesmos. Não a reflexão sobre os nossos
problemas, limites, pecados...Coloquemos em oração
aquilo que Deus fez e continua fazendo por nós, por cada
um de nós. Meditemos o Pai nosso, a Ave Maria e o Glória.
. Repitamos as palavras que jesus e a Igreja colocaram em nossos
lábios, saibamos abrir-nos a uma esperança não
irreal e capaz de iniciativas.
Eis a verdadeira esmola: dar qualquer coisa de nosso (não
apenas dinheiro, mas também tempo, conforto, conselhos...)
a quem tem necessidade. Nos encontraremos mais verdadeiros, ricos
daquelas riquezas que não pesam e não podem ser
corrompidas pelo tempo.
Do mesmo modo o jejum: não se empanturrar de comida, para
poder ser mais livres para encontrar Jesus na oração
e nos irmãos.
Em Jesus, não há nenhum desprezo pela vida, pelas
coisas, pela comida. Foi chamado de comilão e beberrão,
porque participava de banquetes, arregalava os olhos diante das
flores, dos animais e tinha quem o sustentasse com os seus bens.
Mas nos ensinou o bem mais precioso: a liberdade. Tudo é
bom, mas nada pode transformar-se em nosso deus.
Um só é o Senhor, aquele que é a fonte da
vida. (Agência Fides 5/3/2003)
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