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ÁSIA/FILIPINAS - FICHA: EM REFERÊNCIA AOS EPISÓDIOS DE VIOLÊNCIA NA ILHA DE MINDANAO, UMA FICHA SOBRE A SITUAÇÃO NA ÁREA

Manila (Fides) - Em dois recentes episódios de violência ocorridos na ilha de Mindanao pelo menos 16 pessoas foram mortas em ataques dos grupos guerrilheiros. Na vila cristã de Caluit, na diocese de Dipolog, na península de Zamboanga, os rebeldes mataram 14 cristãos, como referiram fontes militares filipinas.
Apesar do cessar-fogo assinado em 2001 pelo governo filipino com os rebeldes da Moro Islamic Liberation Front, a violência na ilha de Mindanao não deixa prever que venha cessar.
O conflito em curso tem raízes antigas: remonta aos atritos entre cristãos e muçulmanos nos séculos da dominação espanhola nas Filipinas (1565-1898), que não se atenuaram durante a administração americana (1898-1946) nem com o advento do governo republicano.
No início dos anos '70, a minoria muçulmana na ilha de Mindanao relançou a luta pelo Bangsamoro, estado islâmico da República das Filipinas. O pedido vinha sobretudo das províncias de Lanao do Sul, Lano do Norte, Maguindanao e da municipalidade nas províncias limítrofes do Cotabuto do Norte, do Cotabato do Sul, do Sultão Kudarat, no centro da ilha. O regime do ditador Fernando Marcos respondeu, enviando o exército para combater os revoltosos.
Depois do acordo de Trípoli de 23 de dezembro de 1976, que previa a concessão de uma autonomia parcial, em 1978 a luta armada foi retomada. Mas no interior da frente mulçumana criaram-se divisões: da primeira organização que reivindica maior autonomia, a Moro National Libertaion Front (MNLF), em 1978 se separou a Moro Islamic Libertation Front (MILF), a ala mais radical que reivindica a secessão.
Após anos de guerrilha jamais aplacada, em 1989 o governo de Corazon Aquino concedeu a autonomia administrativa, mas só 4 das 13 províncias (Maguindanao, Lanao do Sul e os arquipélagos limítrofes de Sulu e Tawi-Tawi) a ela aderiram. Em setembro de 1996, o MNLF conseguiu um acordo com o governo central de Fidel Ramos sobre a instituição da "Região Autônoma Muçulmana de Mindanao" que inclui as 4 províncias já autônomas. Grande parte dos guerrilheiros foi integrada no exército nacional e na polícia, e Nur Misuari, líder do MNLF tornou-se governador da Região Autônoma.
O MILF, porém, que contava 15 mil homens, rejeitou o acordo, começando uma nova campanha de recrutamento de mujaheddin em campos de adestramento para a guerrilha e uma ofensiva terrorista em prejuízo dos civis: sucedem-se massacres, seqüestros, extorsões que envolvem também missionários. Em 2000 o presidente filipino Estrada relança o punho de ferro contra o MILF, desfechando uma maciça campanha militar, que aumentou a ondada de prófugos internos (mais de 300 mil). Com o governo da presidente Glória Arroyo chegou-se a um cessar-fogo, que ainda não aplacou completamente a violência. Para assistir o exército filipino, em 2002 foi estabelecido em Mindanao também um contingente de tropas americanas.
No conflito de Mindanao a Igreja católica é ativa na frente do diálogo islâmico-cristão. Em 1996 surgiu o Bischop-Umala Forum, que reúne líderes cristãos e muçulmanos ativos na mediação dos conflitos. Desde 1986 atua na periferia da cidade de Zamboanga o Movimento Silsilah, que em maio de 1999 inaugurou um Instituto de formação, com cursos para o diálogo inter-religioso e a paz, dirigido a leigos e religiosos, cristãos e muçulmanos.
A ilha de Mindanao tem cerca de 14 milhões e 500 mil habitantes, Os muçulmanos na ilha são cerca de um quarto da população de Mindanao. Na "Região Autônoma Muçulmana" (cerca de 2 milhões de pessoas), eles são a maioria, embora haja fortes minorias cristãs. Segundo avaliações governativas , em quase 30 anos de conflito civil, pelo menos 120 mil foram as vítimas.

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