o portal congregação p.o.m. collegium urbano urbaniana fides santa sé
testata banner mongolia
 
 HOME ITALIANO ESPAÑOL ENGLISH FRANÇAIS PORTUGUÉS DEUTSCH CHINESE
Evangelho
Santos
Magistério
Congregação
Pontifícias Obras Missionárias
Universidade Urbaniana
Subsídios
Animação
Estatísticas
Da Sede de Pedro
Testemunhos
Martirológio
Jubileu 2000
Vida da Igreja
Missionários
Institutos Religiosos
Movimentos e Associações
Universidades Católicas
Cultura
História
Arte
Cinema e fotografia
Rádio e TV
Música
Poesia
Saúde
Tecnologia
Geografia
360° News
Dossiê
Aprofun-
damentos
Entrevistas
Relatos
Recensões
Para os mais pequeninos
Europa/ Itália: Jornada da Memória: "Um povo que não há memória está destinado a repetir os erros que se esqueceu". O comentário do Arcebispo Giuseppe Chiaretti a Agência Fides

Perúgia (Agência Fides) - "Deus se faz presente no padecimento do homem, no seu sofrimento. É o próprio Deus que é perseguido e morto na figura de cada inocente sacrificado", afirmou à Agência Fides Dom Giuseppe Chiaretti, Arcebispo de Perúgia e responsável pelo Secretariado CEI (Conferência Episcopal Italiana) para o Ecumenismo e Diálogo, comentando a Jornada da Memória do Holocausto, que se celebra hoje na Itália.
"Hoje fazemos memória da Shoa, do fato que seis milhões de pessoas foram mortas pela barbárie nazista - disse Dom Giuseppe Chiaretti - mas recordamos também todas as pessoas, entre as quais muitos cristãos, que salvaram numerosos hebreus da morte certa, hoje honrados com o título de 'justos'. Recordando a Shoa, a partir da reflexão de Elie Wiesel, nos perguntamos: Aonde estava Deus naquele momento? Porque permitiu o massacre de tantos inocentes? É uma reflexão que surge diante de tantos outros massacres que continuam a acontecer também nos nossos tempos e que sempre propõem a mesma interrogação: porque este aparente silêncio de Deus? Nós, crentes em Cristo, temos uma resposta: Deus se faz presente no padecimento do homem, no seu sofrimento. É o próprio Deus que é perseguido e morto na figura de cada inocente sacrificado. Uma leitura que recupera a visão teológica do Deus patiens. Assim como na Shoa hoje, em cada assassinato é o próprio Deus que vem a ser morto. A partir do momento em que não se respeita o homem enquanto pessoa à imagem de Deus, no momento em que se despreza sua humanidade e dignidade, se ofende com atrocidade o mistério de Deus". O Arcebispo recordou que "ainda hoje o povo hebreu é chamado a testemunhar a fidelidade de Deus. Gostaria de recordar a mensagem de um dos últimos hebreus exterminado no gueto de Varsóvia, o 'Canto do povo hebreu massacrado', composto por Jizchaq Katzenelson (as folhas foram encontradas numa garrafa, sepulta no 'lager', na libertação). "Ó céus, diga-me, por quê?', perguntava-se nas suas amargas reflexões, 'por que acontecem estas coisas? Não entendo, estou tentado a negar-te, todavia permaneço fiel. Não entendo, mas creio na Tua Palavra, na tua fidelidade'. Pode-se dizer que através do sofrimento do justo, o Senhor opera uma contínua purificação".
Por que recordar? "Recordar - acrescenta Dom Giuseppe Chiaretti - é absolutamente necessário. Recordar ajuda a prevenir. Um povo que não há memória está destinado a repetir os erros que se esqueceu. Recordar é necessário, ainda que olhando para as situações dramáticas de hoje: a humanidade está sempre à beira de um precipício, é capaz de repetir estes dramas".
"Fazer memória, ainda mais, é útil ao diálogo entre católicos e hebreus para que, de tal modo nós cristãos, procurando compreender o significado religioso deste sofrimento inaudito, nos aproximemos deste mistério da perseguição dos justos, no qual existe um projeto de Deus que não compreendemos, mas sentimos o dever de participar por solidariedade humana e por fé. No sofrimento há sempre uma Palavra de Deus, dura, difícil, a mesma Palavra diante da qual os grandes profetas se atormentavam. Para um cristão os hebreus são as raízes, a Revelação feita ao povo hebraico é Revelação também a nós: por isso, também esta Palavra de sofrimento é uma Palavra que diz respeito a nós cristãos. A memória abranda o ânimo e ajuda o processo de reconciliação já em curso entre católicos e hebreus".
Dom Giuseppe disse que, "se o genocídio dos hebreus mirava a eliminação de uma cultura, mentalidade, tradição, e em outros casos, como para pessoas de etnias 'Rom', portadores de deficiências físicas, homossexuais, etc, existia a idéia de uma limpeza étnica baseada no desprezo da dignidade do homem, na exaltação arrogante de alguns, em detrimento de outros. Uma tragédia que sucede quando são absolutizadas determinadas ideologias, que agridem o homem frágil e cansado, com o objetivo de criar uma civilização de perfeitos".
"Desta Jornada - conclui Dom Giuseppe Chiaretti - surge uma enorme lição de civilidade: aprender a respeitar os demais; a ver o diverso com profunda humanidade; aprender a relacionar-se com todos, apesar das diversidades físicas, étnicas, culturais ou religiosas; enfim, aprender a viver solidariamente, oferecendo parte de nós mesmos. Esta Jornada nos ensina a instaurar neste mundo relações Trinitárias, baseadas no amor e na misericórdia". (Agência Fides 28/01/2003)

Anterior Indice Siguiente
 

Palazzo "de Propaganda Fide" - 00120 - Città del Vaticano Tel. +39-06-69880115 - Fax. +39-06-69880107 - e-mail: fides@fides.va © AGENZIA FIDES