| Queridos Irmãos
no Episcopado!
1. É com prazer que vos saúdo cordialmente, Bispos
das Províncias eclesiásticas de Medellín, Barranquilla,
Cali, Cartagena, Manizales, Popayán e Santa Fé de
Antioquia, que formais o primeiro grupo que vem em visita "ad
Limina" da amada Colômbia. Na peregrinação
aos túmulos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e nos
encontros com o Bispo de Roma e com os seus colaboradores, encontrareis
um novo dinamismo para prosseguir a vossa missão episcopal,
conscientes de que Cristo está presente na sua Igreja (cf.
Mt 28, 20) e a guia com a força do seu Espírito, para
ela que seja, no meio do mundo, sinal de salvação.
Que Ele, Mestre de pastores, vos encha de esperança e vos
leve a ser suas testemunhas na nossa vida (cf. 1 Pd 3, 15), edificando
assim todos os fiéis confiados à vossa atenção
pastoral.
Agradeço a D. Alberto Giraldo Jaramillo, Arcebispo de Medellín,
as suas amáveis palavras com as quais me renovou a adesão
de todos vós e das comunidades eclesiais a que presidis em
nome do Senhor, apresentando-me ao mesmo tempo as orientações
pastorais que guiam o vosso ministério para que os homens
e as mulheres da Colômbia caminhem para a comunhão
íntima com Deus, Uno e Trino, e vivam em paz como membros
de uma grande família.
2. A vossa presença faz-me renovar a proximidade e o afecto
que sinto pelo vosso País. Recordo aquela visita que pude
realizar em 1986, que teve por lema: "Com a paz de Cristo pelos
caminhos da Colômbia". Foram dias profundos e cheios
de actividade, durante os quais pude ver directamente os rostos
repletos de esperança dos colombianos, apreciar a acção
que a Igreja realiza com tanto entusiasmo, dirigir a todos uma palavra
de conforto e recordar-lhes o inefável amor de Deus por cada
um.
A Igreja nessa Nação tem dado frutos de santidade.
Nos últimos anos tive a alegria de elevar aos altares dois
novos beatos, originários precisamente das vossas terras:
o generoso sacerdote Mariano Euse, no ano 2000 e, mais recentemente
a Madre Laura Montoya, venerada como mãe dos indígenas.
Precedentemente, um grupo de jovens estudantes colombianos da Ordem
Hospitaleira alcançaram a honra do martírio e foram
beatificados em 1992. Estes exemplos de santidade são pérolas
preciosas que embelezam a história eclesial do vosso País,
no qual a fé cristã faz parte do seu rico património
espiritual.
3. Realizais a visita ad Limina depois da celebração
do Grande Jubileu do ano 2000, no qual, como indiquei, foi "um
rio de água viva, o mesmo que jorra incessantemente "do
trono de Deus e do Cordeiro" [Ap 22, 1] e inundou a Igreja"
(Novo millennio ineunte, 1). Vindes, portanto, a Roma com a bagagem
de um rio de graça que revitalizou as vossas Igrejas particulares.
Por isso, há motivos para ter esperança no futuro,
trabalhando ao serviço do Reino de Deus, animados pela palavra
de Jesus Cristo: "Duc in altum" (Lc 5, 4).
Com estas palavras de Jesus que propus como lema para o Terceiro
Milénio cristão, desejo animar-vos a prosseguir, sem
desânimo e com total confiança no Senhor, as tarefas
da evangelização, missão primordial da Igreja.
De facto, foi esta a tarefa que Jesus confiou aos seus apóstolos
antes de subir aos céus para se sentar à direita do
Pai, como celebrámos liturgicamente há pouco. Naquela
ocasião Jesus disse-lhes: "Ide por todo o mundo..."
(Mc 16, 15), garantindo ao mesmo tempo a sua presença próxima
e misteriosa.
4. A Igreja, fiel ao mandato de Jesus continua a fazer da evangelização
a sua principal acção. Ela inclui muitos aspectos,
todos eles muito importantes, onde quer que as circunstâncias
concretas, de acordo com os tempos e os lugares, aconselhem a primazia
de uns sobre os outros, sem descuidar nenhum. No caso particular
do vosso País, onde faz anos que se vive um conflito interno
que causa tantas vítimas inocentes, tanto sofrimento às
famílias e à sociedade; que gera pobreza, insegurança
e diminui as capacidades de progresso integral, vós tendes
a consciência de que nas opções pastorais deve
ser dada prioridade à paz e à reconciliação,
contribuindo desta forma para edificar a sociedade sobre os sólidos
princípios cristãos da verdade, da justiça,
do amor e da liberdade e fomentando também o perdão
que nasce do desejo sincero de reconciliação com Deus
e com os irmãos.
Há dois anos, por ocasião do Centenário da
Consagração da Colômbia ao Sagrado Coração
de Jesus, prática piedosa que nestes dias foi renovada em
tantas comunidades do vosso país, escrevi-vos: "A sociedade
que ouve e segue a mensagem de Cristo caminha para a paz autêntica,
rejeita qualquer forma de violência e gera novas formas de
convivência pelo caminho seguro e firme da justiça,
da reconciliação e do perdão, fomentando vínculos
de unidade, fraternidade e respeito de todos" (n. 4).
Nunca hesiteis em pôr todo o zelo e compromisso pastorais
na promoção da reconciliação, que deriva
da evangelização, com a íntima convicção
de que ela iluminará a acção dos leigos cristãos
e poderá ser remédio eficaz e permanente para os males
duros e difíceis de que muitos dos cidadãos da vossa
Nação padecem actualmente, devido ao conflito civil
interno, que causou tantos mortos, inclusivamente entre os servos
do Evangelho. Entre eles, desejo recordar D. Isaías Duarte,
Arcebispo de Cali, assim como os sacerdotes e religiosos assassinados
nos últimos anos. Esta situação penosa levou
numerosos colombianos a viver na pobreza e corre o perigo de fomentar
uma cultura de morte e de violência em vez de uma cultura
da vida e da solidariedade, que caracteriza as vossas raízes
católicas.
5. Outro campo da acção pastoral que exige especial
atenção é o da promoção e defesa
da instituição familiar, hoje tão afectada
por diversas frentes com numerosos e subtis argumentos. Assistimos
a uma corrente, muito difundida nalgumas partes, que tende para
enfraquecer a sua verdadeira natureza.
Conheço a intrepidez com que defendeis e promoveis esta instituição,
que tem a sua origem em Deus e no seu plano de salvação
(cf. Familiaris consortio, 49). Por isso, é necessário
continuar a proclamar com determinação, como um autêntico
serviço à sociedade, a verdade sobre o matrimónio
e a família estabelecida por Deus. Não fazer isto
constituiria uma grave omissão pastoral que levaria os crentes
ao erro, assim como aqueles que têm a grave responsabilidade
de tomar as decisões sobre o bem comum da Nação.
Esta verdade é válida não só para os
católicos, mas também para todos os homens e mulheres
sem distinção, porque o matrimónio e a família
constituem um bem insubstituível da sociedade, a qual não
pode permanecer indiferente diante a sua degradação
e da perda da sua identidade.
Em relação a isto, a pastoral familiar realizada principalmente
por casais que pertencem a movimentos ou associações
de espiritualidade matrimonial, e que são exemplos com a
educação dos seus filhos deve acompanhar os casais
jovens e as famílias em dificuldades, assim como quantos
se preparam para o matrimónio, a descobrir os valores do
matrimónio cristão e a serem fiéis ao compromisso
assumido ao receber o sacramento. De igual modo, é importante
ensinar-lhes que, na geração dos filhos, se devem
orientar pelo critério de uma paternidade responsável,
ajudando-os além disso na sua formação humana
e religiosa, aprendida no próprio lar, num ambiente de convivência
serena e de ternura, como expressão do amor de Deus para
com todos os seus filhos.
6. Um sinal de esperança para a Igreja na Colômbia
é o florescimento vocacional que distingue as vossas comunidades
eclesiais e é expressão da sua vitalidade. A região
de onde provindes é rica de vocações sacerdotais
e religiosas, sendo os vossos seminários uma bênção
especial para a Igreja, porque os sacerdotes que neles se formam
não só servem nas vossas Igrejas particulares mas,
além disso, alguns deles não hesitam em prestar o
seu serviço deslocando-se para outras áreas mais necessitadas.
Por conseguinte, animo-vos a continuar este caminho, sem descuidar
no futuro de uma pastoral vocacional assídua, conscientes
do papel insubstituível de cada comunidade eclesial nesta
tarefa, baseada antes de mais numa incessante oração
ao Dono da messe para que mande trabalhadores para a sua messe e,
além disso, ao educar as crianças e os jovens para
enfrentar os desafios da vida cristã, apresentai-lhes também
as condições para ouvir a chamada divina a seguir
Cristo pelo caminho da vida sacerdotal ou consagrada mediante os
conselhos evangélicos.
7. Queridos Irmãos, desejo estimular-vos com estas reflexões
no serviço à Igreja de Deus que peregrina na Colômbia.
Ao regressar às vossas dioceses animai os sacerdotes, os
consagrados e os fiéis a viver a sua fé em Cristo.
Levai a minha saudação aos jovens, chamados a ser
"sentinelas da manhã" neste novo milénio,
esperança da Igreja e da Nação; em particular,
tenho presentes os jovens colombianos que nos Seminários
e casas de formação se preparam para o sacerdócio
ou para a vida religiosa, as famílias, escolas de rica humanidade
e de virtudes cristãs, e de maneira muito especial quantos
sofrem pelo sequestro de alguns dos seus membros; os pobres e necessitados,
que devem ser sempre objecto dos vossos desvelos e atenções;
os profissionais dos diversos âmbitos da actividade humana,
para que sejam construtores da sociedade renovada nestes momentos
tão particulares da vossa história; os enfermos e
os idosos.
Sobre vós e sobre as vossas comunidades cristãs desçam
as bênçãos do Senhor, por intercessão
da Virgem de Chiquinquirá, Mãe de todos os colombianos,
que tem nas suas mãos o rosário, "oração
pela paz... vínculo de comunhão e de fraternidade
que nos une a todos em Cristo". Como confirmação
destes votos, acompanhe-vos a Bênção Apostólica
que vos concedo de bom grado e faço extensiva às vossas
dioceses.
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