 |
|
VISITA "AD LIMINA":
Il discorso del Santo Padre a Vescovi della regione "Sul
1" della Conferenza Episcopale del Brasile
L'Eucaristia celebrata secondo la dottrina e le direttrici approvate
dalla Chiesa edifica la fede e la vita dei fedeli
|
 |
Qualsiasi manipolazione incide
negativamente sulla pedagogia della fede. Per questo la
Celebrazione Eucaristica non può e non deve trasformarsi
in occasione per rivendicazioni di carattere politico, come
spesso viene suggerito tramite pubblicazioni nazionali edite
per la Messa domenicale
Affinchè la celebrazione dell'Eucaristia esplichi
la sua azione di grazia è necessario che si svolga
secondo la dottrina e le direttrici della Chiesa. Lo ha
ricordato il Santo Padre rivolgendosi nella mattina di giovedì
23 ai Vescovi della regione "Sul 1" della Conferenza
Episcopale del Brasile, ricevuti in udienza in occasione
della loro visita "ad limina". Questo il discorso
del Papa:
|
|
 |
Senhores Cardeais
Venerados Irmãos no Episcopado
1. Depois de me ter encontrado pessoalmente com cada um de vós
nos dias passados, é-me grato agora saudar-vos conjuntamente
e, por vosso intermédio, agradecer a Deus esta ocasião
de entrar em contato com as Comunidades cristãs que representais,
a todas elas dirigindo neste momento uma saudação afetuosa
e sincera.
Transmiti-lhes, amados Irmãos, os meus mais cordiais sentimentos,
assegurando a minha solidariedade espiritual aos sacerdotes, aos religiosos
e às religiosas, ao laicado cristão, aos jovens, aos doentes
e a todas as componentes do Povo de Deus. A D. Fernando Antônio
Figueiredo, Bispo de Santo Amaro e Presidente do Regional Sul 1, o meu
agradecimento pela sua gentil atenção e pelas expressões
de obséquio que há pouco me dirigiu também em vosso
nome.
2. "A época em que vivemos - escrevi na encíclica
Redemptoris missio - é ao mesmo tempo dramática e fascinante.
Se por um lado parece que os homens vão no encalço da
prosperidade material, mergulhando cada vez mais no consumismo materialista,
por outro lado manifestam a angustiante procura de sentido, a necessidade
de vida interior, o desejo de aprender novas formas e meios de concentração
e de oração. Não só nas culturas densas
de religiosidade, mas também nas sociedades secularizadas, procura-se
a dimensão espiritual da vida como antídoto à desumanização"
(n. 38). É o chamado "ressurgimento religioso" que,
embora não desprovido de ambiguidades, contém todavia
fermentos e estímulos a não transcurar. Vós percebeis
quão difundida é esta exigência de Deus entre a
vossa gente, uma população tradicionalmente ancorada nos
perenes princípios do cristianismo, mas submetida a influências
negativas de vária ordem.
Porventura o fenômeno das seitas, que também nas vossas
terras se está difundindo com incidência intermitente de
zona para zona e com pontas acentuadas de proselitismo entre as pessoas
mais fracas social e culturalmente, não é um sinal concreto
de uma insatisfeita aspiração ao sobrenatural? Não
constitui ele para vós, Pastores, um autêntico desafio
a renovar o estilo do acolhimento dentro das comunidades eclesiais e
um estímulo premente a uma nova e corajosa evangelização,
que desenvolva formas adequadas de catequese, sobretudo para os adultos?
Bem sabeis que, na base dessa difusão, há também
muitas vezes uma grande carência de formação religiosa,
com a consequente indecisão acerca da necessidade da fé
em Cristo e da adesão à Igreja por Ele instituída.
Tende-se a apresentar as religiões e as várias experiências
espirituais como niveladas a um mínimo denominador comum, que
as tornaria praticamente equivalentes, com o resultado de que toda a
pessoa seria livre de percorrer indiferentemente um dos muitos caminhos
propostos para alcançar a desejada salvação. Se
a isto se acrescentar o proselitismo arrojado, que caracteriza algum
grupo particularmente ativo e invasivo destas seitas, compreende-se
logo como é urgente hoje sustentar a fé dos cristãos,
dando-lhes a possibilidade de uma contínua formação
religiosa, para aprofundarem cada vez melhor a relação
pessoal com Cristo. O vosso esforço deve ser principalmente prevenir
esse perigo, consolidando nos fiéis a prática da vida
cristã e favorecendo o crescimento do espírito de autêntica
fraternidade no seio de cada uma das comunidades eclesiais.
3. Desde Roma, acompanhei com especial interesse o desenrolar do XIV
Congresso Eucarístico Nacional realizado em Campinas, que contou
com a participação de uma multidão de brasileiros
reunida à volta da Eucaristia, na presença do meu representante
e Legado especial, o Cardeal José Saraiva Martins. Aquele foi,
sobretudo, um momento de comunhão, de vitalidade e de esperançosa
celebração da Igreja de hoje no Brasil. Faço votos
de que este acontecimento tenha despertado a consciência cristã
do povo fiel da vossa terra, encorajando-o para o compromisso de uma
vida exemplar que estreite os vínculos de comunhão e reconciliação
na fé e no amor, para ser também fermento daquela renovação
interior a que antes me referia.
A Eucaristia é, com efeito, o supremo bem espiritual da Igreja
porque contém o próprio Cristo, nossa Páscoa e
Pão vivo, que com sua carne dá a vida ao mundo (cf. Presbyterorum
ordinis, 5). Deste modo, assim como o coração leva a vitalidade
a todas as partes do corpo humano, também a vida eucarística
chegará - a partir do altar do sacrifício, da presença
real e da comunhão - a todas as zonas do corpo celestial, e fará
sentir os seus efeitos salutares também nos complexos tecidos
da sociedade, por meio dos cristãos que prolongam hoje a ação
de Redentor no mundo.
4. A Eucaristia deve estar, pois, no centro da Pastoral para irradiar
a sua força sobrenatural em todos os ambientes cristãos,
tanto de evangelização, de catequese e da múltipla
ação caritativa, quanto no compromisso de renovação
social e de justiça em favor de todos, começando pelo
respeito da vida e dos direitos de cada pessoa, e no empenho em favor
da família, do ensino a todos os níveis, da reta ordem
política e da promoção da moralidade pública
e privada.
Mas para dar toda a sua eficácia à ação
eucarística, deve-se cuidar sempre da digna e genuína
celebração do mistério, segundo a doutrina e as
diretrizes da Igreja, como recordei em diversas ocasiões (cf.
Carta Dominicae caenae, 12).
Com efeito, a celebração da Eucaristia a Igreja, além
de participar na eficácia redentora do mistério de Cristo,
desempenha uma pedagogia da fé e da vida através da proclamação
da Palavra, das orações, dos ritos e de todo o simbolismo
eclesial da liturgia. Por isso, qualquer manipulação destes
elementos incide negativamente na pedagogia da fé; por outro
lado, a reta, ativa e conseqüente participação litúrgica,
segundo as normas aprovadas pela Igreja, constrói a fé
e a vida dos fiéis.
Quero, pois, exortar-vos a conservar a genuína celebração
da liturgia, esforçando-vos para que sejam seguidas as indicações
da Santa Sé e as que competem à vossa Conferência
Episcopal. Recordai nisto o dever de os Bispos serem "moderadores,
promotores e guardiães de toda a vida litúrgica"
nas suas respectivas Dioceses (cân. 835 § 1).
5. Na esteira deste serviço pastoral, desejaria submeter à
vossa consideração alguns temas sobre os quais venho insistindo,
para dar novo impulso à evangelização nas Comunidades
que vos estão sujeitas.
Como não recordar, inicialmente, aquele meu apelo a dar "particular
relevo à Eucaristia dominical e ao próprio domingo, considerado
um dia especial de festa, dia do Senhor ressuscitado e dom do Espírito,
verdadeira Páscoa da semana" (Novo Millennio ineunte, 35)?
Numa época de grandes manifestações populares movidas,
às vezes, por objetivos superficiais, faz-se necessário
restaurar, pela ação da graça, o mundo interior
das almas infinitamente mais rico de valores e de esperanças.
"As nossas comunidades, amados irmãos e irmãs - dizia
eu - devem tornar-se autênticas "escolas" de oração,
onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de
ajuda, mas também em ação de graças, louvor,
adoração, contemplação" (ibid., 33
).
O que significa isto, senão dar novo impulso aos valores da Eucaristia,
tanto na Santa Missa quanto nas diferentes manifestações
eucarísticas: Congressos, Procissões eucarísticas,
Adorações do Santíssimo, Horas Santas e assim por
diante? É preciso ensinar a rezar pessoalmente, e não
a coletivizar a oração. E o encontro semanal do cristão
com Deus, na Missa e nas outras manifestações litúrgicas,
deve poder proporcionar uma maior intimidade com o seu Senhor, porque
o "Reino de Deus está no meio de vós" (Lc 17,
21), assim como o sacerdote reza juntamente com o povo, pedindo a Deus
no Pai-Nosso: "venha a nós o vosso Reino".
Se a Liturgia da Palavra é um "diálogo de Deus com
o seu povo", este "sente-se chamado a corresponder a este
diálogo de amor, agradecendo e louvando mas, ao mesmo tempo,
verificando a própria fidelidade no esforço por uma contínua
conversão" (Carta ap. Dies Domini, 41). Os meios proporcionados
para um correto entendimento da Eucaristia: a homilia e a preparação
catequética, os Folhetos do Domingo etc., devem poder enriquecer
a expectativa do povo por este dia. Caso contrário, tendem a
esvaziar o conteúdo do Sacramento e da mesma mensagem litúrgica.
Por isso, a Celebração eucarística não pode
nem deve transformar-se numa ocasião para reivindicações
de cunho político como, às vezes, são sugeridas
em publicações de caráter nacional, editadas para
as Missas do domingo.
6. Outro dos temas de considerável importância para as
vossas Dioceses consiste na religiosidade popular.
O necessário crescimento na fé e o testemunho evangélico
na transformação das realidades temporais segundo os desígnios
de Deus devem levar os fiéis da Igreja a uma participação
ativa na vida litúrgica e sacramental. Com efeito, o Concílio
recorda-nos que a liturgia é "a meta para a qual se encaminha
a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua
força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a que
todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo...
participem no sacrifício e comam a Ceia do Senhor" (Sacrosanctum
concilium, 10).
Daí decorre que as ações litúrgicas, enquanto
"celebrações da Igreja, que é "sacramento
da unidade"" (ibid., 26), devem ser disciplinadas unicamente
pela autoridade competente (cân. 838 § 4), exigindo de todos
grande e respeitosa fidelidade aos ritos e aos textos autênticos.
Uma errada aplicação do valor da criatividade e da espontaneidade
nas celebrações, mesmo se típica de tantas manifestações
da vida do vosso povo, não deve alterar os ritos e os textos
e, sobretudo, o sentido do mistério que se celebra na Liturgia.
7. Não me é desconhecido, todavia, que a vossa pastoral
litúrgica convive com a presença de vários grupos
culturais, que são uma manisfestação a mais da
catolicidade da Igreja. Muitos destes grupos vivem nas áreas
urbanas, um ao lado do outro, transformando a sua cultura em perfeita
simbiose. Este fenômeno implica uma resposta particularmente sensível,
confiada ao vosso critério e prudência pastoral.
Como compreenderão, o respeito pelas diversas culturas e a correspondente
inculturação evangélica abordam questões
que merecem um destaque à parte.
Certamente, não é possível descurar aqui a consideração
da cultura afro-brasileira no quadro mais amplo da evangelização
"ad gentes", e que hoje é bem presente na vossa reflexão
teológica e pastoral. Trata-se da delicada questão de
aculturação, especialmente nos ritos litúrgicos,
no vocabulário e nas expressões musicais e corporais típicas
da cultura afro-brasileira. É bem sabido que a interação
do cristianismo com os costumes e as tradições africanas
trouxe ao vocabulário, à sintaxe e à prosódia
da língua portuguesa falada no Brasil uma feição
própria. A presença do elemento negro na arte sacra barroca
do período colonial, que deixou tão belos monumentos arquitetônicos
e de escultura religiosa, e incorporou a música sacra e profana
nos festejos da religiosidade popular marcou, de modo inconfundível,
as expressões culturais mais autênticas desta sociedade
multirracial que é o Brasil.
É evidente, porém, que se estaria distanciando da finalidade
específica da evangelização, acentuar um destes
elementos formadores da cultura brasileira, isolá-lo deste processo
interativo tão enriquecedor, de modo quase a se tornar necessária
a criação de uma nova liturgia própria para as
pessoas de cor. Seria incomprensível dar ao rito litúrgico
uma apresentação externa e uma estruturação
- nas vestes, na linguagem, no canto, nas cerimônias e objetos
litúrgicos - baseada nos chamados cultos afro-brasileiros, sem
a rigorosa aplicação de um discernimento sério
e profundo acerca da sua compatibilidade com a Verdade revelada por
Jesus Cristo. É necessário manter, por exemplo, uma adequada
e prudente vigilância em certos ritos que inspiram a aproximação
do augusto Mistério Trinitário ao panteão dos espíritos
e divindades dos cultos africanos, pois corre-se o risco de modificar
as fórmulas sacramentais em sua referência trinitária;
mais ainda, deve-se assinalar, corrigindo oportunamente, a introdução
no rito sacramental de ritos, cantos e objetos pertencentes explicitamente
ao universo dos cultos afro-brasileiros.
A Igreja Católica vê com interesse estes cultos, mas considera
nocivo o relativismo concreto de uma prática comum de ambos ou
de uma mistura entre eles, como se tivessem o mesmo valor, pondo em
perigo a identidade da fé católica. Ela sente-se no dever
de afirmar que o sincretismo é danoso quando compromete a verdade
do rito cristão e a expressão da fé, em detrimento
de uma autêntica evangelização.
A tarefa de adaptação e de inculturação
é importante para o futuro do renovamento da vida litúrgica.
A Constituição conciliar sobre a Sagrada Liturgia estabeleceu
os seus princípios (cf. nn. 37-40). Por sua vez, a Instrução
sobre a "Liturgia Romana e a inculturação" aprofundou
o tema e precisou os procedimentos que devem ser seguidos por parte
das Conferências Episcopais, à luz do Direito Canônico,
depois da reforma litúrgica (cf. Ins. Varietates legitimae, 62
e 65-68).
8. Na vossa ação evangelizadora, um setor que merece toda
atenção da solicitude pastoral é o das comunidades
indígenas. No ano passado, vossa Conferência Episcopal
propôs como tema da Campanha da Fraternidade: "A Fraternidade
e os povos indígenas". Alegra-me saber que a Pastoral diocesana
de algumas Igrejas particulares vem contribuindo decididamente para
que as comunidades indígenas tomem maior consciência da
sua própria identidade, dos valores das suas culturas e do lugar
que devem ocupar no conjunto da população brasileira.
A celebração do V Centenário da Evangelização
do Brasil propiciou também a ocasião para renovar o empenho
na evangelização das comunidades indígenas do País.
O Evangelho deve continuar penetrando na cultura indígena, e
tornar possível a sua expressão na vida comunitária,
na fé e na liturgia. Sirva-me a ocasião para reiterar
aqui, que uma Igreja viva e unida à volta de seus Pastores será
a melhor defesa, para rebater a obra desagregadora que certas seitas
estão realizando entre os vossos fiéis, semeando entre
eles a confusão e desvirtuando o conteúdo da mensagem
cristã.
9. Ao terminar este encontro, desejo reiterar-vos, queridos Irmãos,
a minha gratidão pelos esforços realizados nos diferentes
campos da ação pastoral; pelo bom espírito com
que guiais o Povo de Deus; pela decidida vontade de servir o homem,
através do anúncio do Evangelho que salva todo aquele
que crê em Jesus Cristo (cf. Rm 1, 16). Ao encorajar-vos a prosseguir
com renovado empenho na vossa missão, peço-vos que leveis
a minha afetuosa saudação e bênção
aos vossos sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis, em especial
àqueles que estão doentes, são idosos ou sofrem
por qualquer causa, os quais têm sempre um lugar particular no
coração do Papa.
Que Nossa Senhora Aparecida interceda diante do Senhor pela santidade
de todos os fiéis do Brasil, pela prosperidade da Nação,
pelo bem-estar de cada uma das suas famílias. Com estes ardentes
votos, concedo-vos de coração a Bênção
Apostólica.
|
 |
|