| Domingo da Divina Misericórdia
deve promover a Cultura da Misericórdia |
Dom Nelson Westrupp, scj
Bispo Diocesano de Santo André, SP
Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 – CNBB
1) Quais são as relações
da instituição do Domingo da Misericórdia com
a construção da Cultura da Misericórdia?
A celebração do Domingo da Misericórdia
quer promover não só o culto à Misericórdia
Divina, mas ser também fonte de onde brota uma nova Cultura
da Misericórdia para o mundo.
A introdução do Domingo da Misericórdia
pelo Santo Padre, desde o Grande Jubileu do Ano 2000, no último
dia das comemorações da Páscoa, chama a atenção
para a Misericórdia Divina como a fonte mais profunda da
salvação. A comemoração dessa festa
litúrgica permite contemplar e exaltar especialmente o mistério
pascal de Cristo, sob o prisma da Misericórdia de Deus.
Isto não só aumenta e promove o culto
à Misericórdia Divina, que tem como base as revelações
de Jesus Misericordioso a Santa Faustina, como também projeta,
com grande força, o mistério da Misericórdia
para além do âmbito eclesial, por meio da construção
de uma Cultura da Misericórdia.
A devoção à Misericórdia
Divina tem florescido, nos últimos anos, em todo o mundo,
gerando, portanto, uma nova força evangelizadora, que deve
alcançar os vastos campos culturais antigos e novos onde
o Evangelho já não é mais escutado nem muito
conhecido, sendo nestes vastos horizontes que a Cultura da Misericórdia,
revigorada com grande ardor missionário, poderá cumprir
o seu papel de evangelizar a cultura e promover a inculturação
do Evangelho.
2) Como a Cultura da Misericórdia
se insere na missão da Igreja?
Disse o Santo Padre na celebração
do Domingo da Misericórdia, na oitava da Páscoa de
2001: “A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que
a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade
no alvorecer do terceiro milênio” (L’Osservatore
Romano, de 28 de abril de 2001).
O dever da Igreja sempre foi, e é hoje especialmente,
o “dever de proclamar e introduzir na vida o mistério
da misericórdia” (Encíclica “Dives in
Misericordia”, 14). Assim, a Cultura da Misericórdia
é a forma plena e eficaz para propormos e introduzirmos nos
diversos âmbitos das relações humanas e sociais
a idéia e a prática da Misericórdia.
A Cultura da Misericórdia deve ser desenvolvida
também no intuito de combater a mentalidade contemporânea
que se opõe ao Deus rico em Misericórdia e que tende
a separar da vida e a tirar do coração humano a própria
idéia de Misericórdia (cf. Encíclica “Dives
in Misericordia”, 2)”.
Este empenho apostólico vem e depende, em
grande parte, da promoção do culto à Misericórdia
Divina, introduzido agora oficialmente na vida cultual da Igreja,
na oitava da Páscoa. Assim, a Cultura da Misericórdia
deve ser a expressão desse culto fundado no amor à
Misericórdia, para além dos seus limites estritos,
e orientado pelo Magistério da Igreja.
3) Quais devem ser os meios próprios
para a propagação e a construção da
Cultura da Misericórdia?
A construção da Cultura da Misericórdia
deve fazer parte da obra evangelizadora da Igreja, principalmente,
pela Nova Evangelização em espírito de renovada
missionariedade, e pelos seus conteúdos fundamentais, como
a Doutrina Social da Igreja, já que a própria Encíclica
“Dives in Misericordia” é considerada, em parte,
um documento da Doutrina Social.
A Cultura da Misericórdia não é
apenas um outro modo de falar da “Civilização
do Amor”, mas também um meio de alcançá-la.
Assim, na atuação da Encíclica “Dives
in Misericordia”, que indica não só o caminho
da “Civilização do Amor”, mas também
o da construção da Cultura da Misericórdia,
devem ser também visados os campos político, econômico,
social e cultural, a fim de que o mundo, permeado pela Misericórdia,
torne-se mais humano.
Desse modo, a formação de um novo
humanismo cristão também deve ser a tarefa da Cultura
da Misericórdia, conforme se depreende da doutrina conciliar
(“Gaudium et Spes”, 55) e do magistério posterior.
O compromisso missionário, evidentemente,
é a força motriz que deve estar na base da construção
da Cultura da Misericórdia, para que esta possa projetar-se
em direção aos povos e culturas.
4) A inculturação da mensagem
da Misericórdia deve passar pela Cultura da Misericórdia?
A inculturação da mensagem evangélica
da Misericórdia, sem dúvida, deve ser função
de uma Cultura da Misericórdia, como meio de atuar a Encíclica
“Dives in Misericordia”, bem como dar o devido aproveitamento
pastoral à força evangelizadora que surge da celebração
do Domingo da Misericórdia.
Nesse sentido, já recomendamos e estamos
vendo surgir, na Diocese de São José dos Campos, onde
exercíamos nosso ministério pastoral, um Movimento
eclesial destinado à promoção da Cultura da
Misericórdia.
Pe. Moacir Silva
Administrador Diocesano
Diocese de São José dos Campos, SP
1) Como desenvolver a Cultura da Misericórdia
no plano diocesano?
Pensamos que um modo de atuar a Encíclica
“Dives in Misericordia” seja a promoção
de uma Cultura da Misericórdia, que ganha força especial
a partir do interesse e do crescimento que tem ocorrido em torno
da devoção à Misericórdia Divina, baseada
nas revelações de Santa Faustina.
Por isso, acolhemos e implantamos em nossa Diocese
o Movimento da Cultura da Misericórdia, que gostaríamos
de ver prosperar tendo como fundamento primeiro o culto à
Misericórdia de Deus, que tem o seu ponto culminante no Domingo
da Misericórdia.
2) Qual o objetivo do Movimento da Cultura
da Misericórdia?
A comemoração do Domingo da Divina
Misericórdia oferece uma oportunidade especial para a promoção
do Movimento da Cultura da Misericórdia que, tendo como fundamento
o louvor e o amor à Misericórdia de Deus, quer dedicar-se
à tarefa de auxiliar a Igreja no seu dever de proclamar e
introduzir nos vários âmbitos da vida o mistério
da Misericórdia, mediante a construção da Cultura
da Misericórdia.
O impulso evangelizador que nasce da celebração
dessa festa litúrgica, na qual se promove a devoção
à Misericórdia Divina, conduz ao objetivo específico
de inculturar a idéia e a verdade cristã da Misericórdia
nas culturas contemporâneas, sendo esta uma tarefa a ser cumprida,
principalmente, pela Nova Evangelização e por uma
renovada missionariedade
Marcelo Cypriano
Coordenador do Movimento da Cultura da Misericórdia
Diocese de São José dos Campos, SP
1) Qual seria uma proposta concreta para
promover-se a Cultura da Misericórdia?
Uma proposta concreta para a promoção
da Cultura da Misericórdia seria a criação
de Centros da Cultura da Misericórdia, segundo as diretrizes
do Pontifício Conselho da Cultura para os Centros Culturais
Católicos, já que estes, no auxílio às
Dioceses, devem atuar na zona limítrofe onde pode dar-se
o encontro das comunidades cristãs com o mundo secularizado,
exercendo assim o papel de centros privilegiados de diálogo
e irradiação da mensagem evangélica da Misericórdia,
e direcionados para a construção da Cultura da Misericórdia.
Os Centros da Cultura da Misericórdia, como
portadores da mensagem da Misericórdia, devem ser capazes
de introduzi-la na vida visando à formação
da Cultura da Misericórdia, com o fim, conforme a missão
religiosa da Igreja, de favorecer o progresso humano, devendo existir
esses Centros onde se fizerem necessárias tanto a Nova Evangelização
como a atividade missionária específica.
Não são apenas as áreas territoriais
a serem evangelizadas, mas também as áreas culturais
(cf. Encíclica “Redemptoris Missio”, 37), o que
indica que os Centros da Cultura da Misericórdia, como um
meio de cumprir o dever da Igreja de proclamar e introduzir a Misericórdia
nas relações humanas e sociais, possam ser temáticos,
dirigindo-se, por exemplo, às comunicações
sociais, à promoção da vida, às famílias,
etc.
Mas para que esta experiência que adentra
o campo social se torne fecunda, ela deve sustentar-se, sobretudo,
na santidade, na oração e no primado da graça,
pois Cristo, desejando conceder abundantemente a Sua misericórdia,
disse no Evangelho: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo
15, 5).
E-mail: saodimas@diocese-sjc.org.br. |