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A riqueza da pessoa deficiente desafia continuamente a Igreja
e a sociedade e chama-as a abrirem-se ao mistério que ela
apresenta.
A pessoa deficiente é de pleno direito sujeito-destinatário
de evangelização e de catequese.
A deficiência não é um castigo, mas um lugar
onde conhecer o 'mistério da fé' para viver em plenitude
a vida quotidiana da Igreja e da sociedade.
Esta ficha quer ser uma ajuda para conhecer a pessoa deficiente
como sujeito-destinatário de evangelização
e de catequese.
É com este espírito que a confiamos a todos vós,
para integrar e inserir, a pleno título as pessoas deficientes
na vida da Igreja e da sociedade, para valorizar os seus dons
e para que no espírito do Grande Jubileu, haja uma reconciliação
pelas faltas cometidas na relação a elas, e para
criar uma mentalidade de aceitação, de promoção
e de solidariedade.
A pessoa deficiente: sujeito activo e destinatário
de evangelização e de catequese.
Introdução
"Cada baptizado, em virtude do seu baptismo, tem direito
a de receber da Igreja o ensinamento e a formação
que lhe permita atingir a verdadeira vida cristã"
(CT 14).
"Ogni battezzato, per il fatto stesso del battesimo, possiede
il diritto di ricevere dalla Chiesa un insegnamento e una formazione
che gli permettano di raggiungere una vera vita cristiana"
A humanidade, composta de homens e mulheres, sozinha é
incerta sobre a sua origem, o seu caminho e o seu destino.
Por isso, o Pai enviou o Seu Filho, incarnando-se por obra do
Espírito Santo, para iluminar o homem no seu 'mistério',
libertá-lo da escravidão do pecado, da violência
e do domínio egoísta sobre os outros seres e sobre
si mesmo.
O Filho instituiu a Igreja, que, guiada pelo Espírito Santo,
continua no tempo a obra de Jesus, revelador do Pai-Amor.
Ela anuncia o mistério de Deus e o plano salvífico
realizado em Jesus, a sua visão da altíssima vocação
do homem, o estilo de vida evangélica que comunica a alegria
do Reino, a esperança que a invade, o amor que sente pelo
homem e por todas as criaturas de Deus e que concede a todos,
através de uma catequese apropriada, os tesouros espirituais
e humanos do rico património confiado-lhe pelo seu Senhor
e Redentor: sacramentos, palavra de Deus, vida da Igreja. Fazendo
isto, Ela mesma caminha para a plenitude e maturidade da fé:
contemplar Deus 'face a face'(1 Cor 13,12) no culto perfeito de
Louvor e de Acção de Graças.
A Igreja acolhe no seu seio as pessoas deficientes como dom de
Deus, pela manifestação da sua gratuidade e do seu
amor pela humanidade e reconhece a sua existência como lugar
teológico onde Deus "opera maravilhas".
Ela ajuda a superar a situação de isolamento e de
rejeição da qual todos podem ser vítimas,
com fazer descobrir a cada um, inclusive os deficientes, a dignidade
inviolável de cada pessoa humana e os seus direitos: direito
à vida, ao trabalho, à educação, à
formação de uma família, à participação
na vida pública, à liberdade religiosa.
A Igreja tem consciência de que a pobreza religiosa e cultural,
com a negação ou limitação dos direitos,
agrava o sofrimento e a dor da condição de isolamento,
empobrecendo a pessoa tanto ou mais do que a privação
de bens temporais.
A Igreja anuncia e explica a Palavra.
A Igreja "existe para evangelizar" (EN 14), para
levar aos homens a boa notícia a toda as parcelas da humanidade
e com a sua acção, transformar a partir de dentro,
e tornar nova a própria humanidade" (EN 18). Ela,
qual Mãe e Mestra, gera e instrui os filhos concebidos
por obra do Espírito Santo e nascidos de Deus(Cfr. LG 64).
Leva a todos a mensagem do Salvador, mas introduz também
cada um no mistério de Deus revelado em Jesus e forma todos
integralmente para uma conversão integral e plena para
assim viver a vocação universal à santidade
no serviço da caridade
A Igreja animada pelo Espírito, é mestra na fé
e continua na história da humanidade a missão de
Jesus Mestre. Conserva, como Maria(Lc 2,19), fielmente o Evangelho
em seu coração(Cfr. LG 64; DV 10a), anuncia-o, celebra-o,
vive-o e transmite-o através da catequese a todos aqueles
que decidiram seguir Jesus.
Com a catequese, a Igreja nutre os seus filhos com a sua própria
fé e insere-os na família eclesial. Oferece-lhes
o Evangelho na sua total autenticidade e pureza, o qual lhes é
oferecido como alimento adaptado, culturalmente enriquecido e
como resposta às inspirações mais profundas
do coração humano.
"A finalidade da catequese é levar a pessoa não
só ao contacto, mas à comunhão, à
intimidade com Jesus Cristo" (CT 5).
A catequese favorece o espírito de humildade e de simplicidade
(Mt 18,3), a solicitude pelos mais pequenos (Mt 18,6), uma atenção
especial por aqueles que se afastaram(Mt 18,15), a correcção
fraterna (Mt 18,15), a oração em comum(Mt 18,19),
o perdão reciproco (Mt 18,22). O amor fraterno unifica
todos estas atitudes (Gv 13,34).
A catequese é um empenho de todos, também das
pessoas deficientes.
Dar a conhecer "o mistério da fé"
(CT 41) é uma tarefa de todos os membros da comunidade
eclesial. "A catequese para todos os baptizados, é
uma missão urgente da comunidade cristã" (CEI:
RdC 123).
Também as pessoas deficientes devem ser consideradas parte
activa na realização do projecto de salvação
confiado pelo Senhor à Igreja.
De consequência a sua plena inserção na vida
eclesial como pessoas responsáveis, com os mesmos direitos
e deveres, a mesma missão fundamental comum de todos os
baptizados, mas também como uma vocação pessoal
a realizar.
"Os deficientes são chamados a celebrar sacramentalmente
a sua vida de fé, segundo os dons recebidos de Deus e o
estado em que se encontram. Participam na catequese, na liturgia
e na vida da Igreja, poderão realizar o seu caminho de
fé e tornar-se pessoas activas na evangelização,
capazes de enriquecer com os seus dons e carismas a comunidade
cristã" (C.E. Emilia-Romagna 1981).
A universalidade da catequese, seja como primeiro anúncio,
seja como conversão e crescimento constante na fé,
nas várias fazes da vida, abrange as pessoas deficientes
para uma experiência qualificada do mistério da fé
no seio da Igreja e da comunidade eclesial local.
"A catequese prepara os fiéis para uma participação
activa e consciente nas celebrações litúrgicas"
(CEI RdC 45). Cada um com a própria voz, com o próprio
oferecimento de si, louva o Pai em Jesus no Espírito. Também
as pessoas deficientes com as suas limitações físicas
e/ou psíquicas, são capazes deste culto de louvor,
e o Pai não recusa o louvor destes seus filhos/as predilectos
que Ele chamou a partilhar de modo sublime o mistério da
redenção de "todo o homem, alma e corpo"
realizado através do sofrimento e da ressurreição
(João Paulo II,Ensinamentos, 31-3-1984, cfr SD 3 e 19).
Não somente a participação nas celebrações
litúrgicas é a meta da catequese mas a participação
a toda a vida da Igreja nas suas opções pastorais.
"Todos têm um lugar na Comunidade eclesial. Mas cada
um deve encontrar o seu lugar, no qual é respeitado, isto
é, no qual as suas dificuldades e as suas deficiências,
sejam elas quais forem, são consideradas" (Brunot
1991).
As pessoas deficientes falam à Igreja
"E Jesus chamando a si uma criança, colocou-o
no meio deles" ( Mt 18,2).
As pessoas deficientes, sendo um dom de Deus à Igreja e
a toda a humanidade, como o são todas as pessoas, são
também Palavra de Deus que todos são chamados a
ler e a acolher com espírito de conversão.
Lendo esta palavra, superam-se egoísmos, individualismos,
eficientismos e marginalizações. A presença
da pessoa deficiente leva a mudança de mentalidade, a descobrir
determinados valores da vida, a assumir atitudes e comportamentos
consequentes, a fazer opções profundas e radicais.
A humanidade da pessoa deficiente aproxima do "mistério"
d'Aquele que voluntária e livremente escolheu ser vítima
da violência, da rejeição, do isolamento,
da exclusão, do abandono da traição psicológica,
afectiva, emotiva e social de ser excluído pelos homens,
mas fortalecido por Deus (cfr Ps 41) num plano de salvação
para benefício de todos.
Esta presença é motivo e sinal da bondade de Deus:
o Senhor é presente na Igreja, sua casa, e dá-lhe
a capacidade de abraçar o mundo inteiro a partir precisamente
da pessoa deficiente (cfr Mc 1,29-34), assumindo em si a sabedoria
da piedade de Deus por toda a família humana.
Com a sua própria vida a pessoa deficiente faz catequese
sobre o amor. A fonte deste amor é Deus: "chamei-te
pelo teu nome; tu és meu. Tu és precioso aos Meus
olhos, estimo-te e amo-te" (Is 43,1.4).
As mensagens que as pessoas deficientes nos oferecem são
objecto de reflexão para modificar a mentalidade renitente;
eis aqui algumas:
- O amor de Deus Pai, mesmo quando a humanidade é ferida
e mortificada, é infinito;
- O valor primário da vida aparece também em situações
difíceis;
- Sente-se a necessidade de uma vida física integra e eficaz,
mas existe também a relatividade de muitos dos seus aspectos
e uma visão global e unitária do homem;
- É preciso descobrir o significado profundo do sofrimento
humano, do limite da cruz, como valores de purificação,
de libertação, de crescimento e de maturação;
- Valorizar a solidariedade, o amor, a comunhão como a
única estrada para ir ao encontro dos irmãos/ãs
que vivem no sofrimento e na solidão e construir para eles
e com eles reais possibilidades de vida serena e tranquila:
- A plenitude de uma vida simples, essencial, pobre e humilde,
pode ser o primeiro ideal e o mais importante para a vida de cada
pessoa madura;
- A ciência humana é necessária para vencer
definitivamente os males e as violências presentes na humanidade,
para limitar a vastidão e a crueldade com empenhos bem
determinados.
Através das pessoas deficientes a Igreja forma a comunidade
cristã e supera a mentalidade eficientista e marginalizadora
da sociedade secularizada; com o seu pleno acolhimento e aceitação
ela afirma a dignidade de toda a vida humana deste o seio materno.
As pessoas deficientes têm capacidade de empenhar-se em
acções de caridade; são testemunhas privilegiadas
da redenção e são viva doxologia eclesial
do Senhor vivente nos séculos e edificam o Corpo de Cristo
(Cfr SD 24).
Além disso as pessoas deficientes são desde já
profecia daquilo que cada pessoa poderá ser no futuro,
quando as forças físicas diminuírem, quando
se perder a própria autonomia, ou se tornarem completamente
dependentes: deseja-se então ser tratados com dignidade
e respeito e ser ainda responsáveis da própria vida
e participar nos acontecimentos comunitários.
A Igreja catequiza as pessoas deficientes.
"sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos
mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (Mt 25,40).
"A comunidade cristã considera como predilectas do
Senhor aquelas pessoas que, são particularmente atingidos
por handicap físico, mental ou de outras formas de doença"
(DGpC 1997).
As pessoas deficientes como 'predilectas do Senhor' impelem a
Igreja a fazer algo mais para que elas possam viver 'o mistério
da fé', oferecendo-lhes uma catequese adequada às
suas necessidades e capacidades, com o objectivo de as conduzir
a uma experiência autentica, viva e alegre de Deus no seio
da comunidade até à santidade.
A meta final da catequese é a santidade. "O amor do
Pai para com os seus filhos mais débeis, a contínua
presença de Jesus e do Espírito, dão confiança
que cada pessoa por mais limitada que seja é capaz de crescer
em santidade. (DGpC 1997). Por isso leva as pessoas deficientes
a descobrirem, a sua vocação a viverem como discípulas
de modo responsável e activo e a enriquecer o povo de Deus
com os dons que o Senhor lhes confiou para tornar a sua esposa
esplendente.
A catequese especializada, que tem em atenção os
seus destinatários, não deve estar à margem
da pastoral comunitária. "Para que isso não
aconteça é necessário que a comunidade seja
advertida constantemente e envolvida
As exigências
peculiares desta catequese requerem dos catequistas uma especifica
competência que tornam ainda mais meritório o seu
serviço".
"Outros tipos de catequese são requisitados urgentemente
por sectores humanos com grande sensibilidade
as pessoas
desadaptadas e deficientes, necessitam de uma pedagogia catequética
especial, além de uma plena integração na
comunidade" (DGpC 1997).
A catequese, também quando 'especializada', junta a técnica
com o amor, Mas sobretudo mantém unidas as pessoas deficientes
e 'as normais', nas actividades de desenvolvimento do programa
de catequese paroquial. O fundamento de uma catequese que dê
os frutos desejados é a relação pessoal do
catequista, da comunidade eclesial e da família com a pessoa
deficiente, assim como com cada pessoa. "Aqueles que louvavelmente
se dedicam ao serviço dos deficientes devem conhecer com
inteligência cientifica as suas deficiências"
(Santa Sede 1981).
Motivos de uma jornada jubilar da comunidade com pessoas deficientes.
Toda a cidade estava reunida diante da porta" (Mc 1,
33).
O Senhor Jesus ofereceu-se como vítima à violência
humana, fruto do pecado e do abuso da liberdade, para que a sua
Igreja fosse sempre imaculada (Ef 5, 25-27). A realidade do pecado
é sempre presente na Igreja, Corpo de Cristo, porque os
seus membros fazem por vezes opções que não
reflectem a vontade de Cristo sua 'cabeça'.
Pelo impulso vital do Espírito, a Igreja tem a coragem
de olhar para si mesma e de perceber quanto seja omissa em promover
a vida das pessoas deficientes.
Esta jornada jubilar é um momento para pedir perdão
e de reconciliação da parte da Igreja para com as
pessoas deficientes, mas também uma oferta de perdão
das pessoas deficientes à Igreja, através de uma
liturgia que reflicta este aspecto (cfr TMA 33). É também
uma ocasião para reconciliar as pessoas deficientes e as
suas famílias.
Esta jornada é o início de uma nova fase: de recuperação
e de integração das pessoas deficientes na vida
de cada dia como pessoas com o dom, não só pelo
facto de serem pessoas, mas também pela vocação
particular à qual foram chamadas por Deus.Com esta acção
a Igreja torna-se efectivamente a casa do Pai onde todos podem
encontrar a plenitude do divino e humano.
É uma jornada para recuperar com acções concretas
e significativas através de fortes testemunhos a deficiência
como separação, distância, diversidade e ver
as pessoas deficientes como pessoas ricas de dons e de humanidade.
A jornada celebrativa quer também recuperar as indicações
e os pistas dos documentos do magistério da Igreja, que
em muitas Igrejas locais são ainda desconhecidos, pouco
estudados, pouco assimilados e pouco praticados. É uma
ocasião para pôr em prática tais indicações
sem hesitações e segundo as situações
e cultura local, para uma plena valorização e integração
da pessoa deficiente em todos os níveis de vida eclesial
e civil.
As Igrejas locais, que já estão a trabalhar neste
sector ha algum tempo com êxito, têm a ocasião
de enriquecer com as suas experiências e reflexões
as outras igrejas, que têm ainda um longo caminho para percorrer
para integrar as pessoas deficientes na vida da Igreja e da sociedade.
Sendo assim, também elas estimuladas pela jornada jubilar
a continuar o caminho já iniciado.
Nesta jornada jubilar serão cuidadas a celebração
dos sacramentos, o anúncio do Evangelho da salvação
tanto para os deficientes como para as suas famílias, algumas
das quais nunca ouviram o anúncio sobre Jesus, outras podem
ter sentido falar de modo pouco correcto.
Esta é um momento para um estudo, reflexão e iniciativas
da igreja local e paroquial para uma centralidade da pessoa deficiente;
é por motivo deste que a Igreja e a comunidade podem abraçar
a todos: "a qualidade de uma sociedade mede-se pelo respeito
que ela manifesta para com os seus membros mais frágeis"
(João Paulo II, 31 de março de 1984), (cfr Mc 1,30-34).
Esta jornada quer estimular uma mentalidade que penetre os "centros"
de formação religiosa, civil, social, política
e económica para vencer a 'cultura da morte' e proclamar
a 'cultura da vida'. A este respeito o envolvimento social e eclesial
e o testemunho de vida e o empenho das pessoas deficientes e das
famílias são um vínculo privilegiado para
a transformação e o crescimento da sociedade.
É ocasião de auto-educação para a
comunidade paroquial: ela pode assim olhar com serenidade e confiança
as pessoas deficientes e superar o medo e a diferença para
com eles. O estímulo que a comunidade paroquial recebe,
fá-la crescer de modo a torná-la comunidade acolhedora
e sem barreiras ideológicas, mentais, psicológicas;
Para além de abater as barreiras arquitectónicas
e comunicativas ela vê nestas pessoas um dom especial de
Deus, com o tríplice ministério sacerdotal, regale
e profético de Cristo.
Testemunhos
Oração para pedir perdão pelo abuso dos direitos
humanos:
" Rezemos por todos os seres humanos do mundo, especialmente
pelas vítimas dos abusos, pelos pobres, os marginalizados,
os últimos; rezemos pelos desprotegidos, os não
nascidos, os eliminados do seio materno, ou utilizados para fins
experimentais, por quantos abusaram das possibilidades oferecidas
pela bio-tecnologia invertendo a finalidade da ciência".
Pai nosso, que escutas sempre o grito dos pobres, quantas vezes
os cristãos não te reconheceram nos que têm
fome, em quem tem sede, em quem está nu, em quem é
perseguido, em quem está na cadeia, em quem está
impedido de toda a defesa, sobretudo no início da existência.
Por todos aqueles que cometeram injustiças confiando na
riqueza e no poder, desprezando os mais "pequenos" particularmente
a Ti queridos, nós te pedimos perdão: tem piedade
de nós e acolhe o nosso arrependimento" " (João
Paulo II, 12 de março de 2000).
Testemunho de uma mãe
"Sou mãe de três maravilhosos jovens; Francisco,
Vicente e Gabriel.
O mais pequeno, Gabriel, aos dois anos começou a estar
doente, e sem saber porquê, eu e o meu marido encontramo-lo
em coma profundo, Naqueles momentos dolorosos pedi incessantemente
a Maria que fizesse um milagre, mas o nosso filho continuava doente.
Pouco a pouco, Ela dirigiu o meu olhar para o seu Filho na cruz,
o qual, podendo, não afastou o seu sofrimento, mas o sublimou
no maior gesto de amor da história de todos os tempos.
Esta consciência criou em mim uma certa inquietação
por ter pedido um milagre: querendo ver com maior clareza. Iniciei
a "ver" e depois a "sentir" a missa, o escutar
a Palavra conduziu-me gradualmente a "participar na celebração
eucarística, de facto a minha vida começou a mudar
sob o efeito fortemente curante da Reconciliação
e da Eucaristia. Os meus dias vividos com Cristo levaram-me a
saborear o Consolador por excelência: o Espírito
Santo. Nesta nova e esplêndida aventura experimentei a presença
materna da Igreja.
Muitos teólogos hoje afirmam que a única resposta
para o ateísmo é a Trindade. Deus não pode
ser um Deus anónimo, que cada um representa segundo as
próprias necessidades e influências culturais. Também
não pode ser um Deus que lá do alto se diverte a
olhar os homens que distribuem alegrias e sofrimentos para provar
a nossa fé. Deus como nos diz a Escritura, é o Pai
sempre presente, próximo do seu povo, que tanto amou o
mundo que lhe deu o Seu único Filho, o qual veio partilhar
a nossa condição humana, e que prometeu ficar sempre
connosco mediante o 'Consolador'.
Só depois de ter "conhecido" a SS. Trindade fiz
experiência sobrenatural da alegria e do sofrimento; de
facto, foi neste tempo que se descobriu que Gabriel tinha um tumor
incurável. Certamente que não é o sofrimento
que experimento que me dá alegria, pelo contrário,
há momentos em que tenho medo daquilo que nos poderá
suceder, mas é saber que esta imensa dor, à luz
de Cristo, tem um sentido. É como a dor do parto, a dor
é forte, mas sabes que estás a dar à luz
um filho! Neste caso o Filho que se dá à luz é
a própria salvação.
Nesta maravilhosa aventura o acolhimento na minha comunidade paroquial
e depois o 'caminhar' e o rezar juntos ajudaram-nos a levantar
depois das várias caídas, a sair dos períodos
em que tudo e todos nos incomodavam. Na comunidade encontrei pessoas
que dando-te a mão fazem-te sentir que estão contigo,
sem muitas palavras, nem muitos conselhos ou muito agir, mas simplesmente
partilhando contigo a difícil, mas ao mesmo tempo maravilhosa
peregrinação para a casa do Pai".
Ndr: esta mãe no dia da primeira comunhão de Gabriel
estava muito alegre).
FICHA DE PREPARAÇÃO PARA JORNADA JUBILAR DE
3 DE DEZEMBRO 2000 (COMITÉ PARA A JORNADA JUBILAR DA COMUNIDADE
COM PESSOAS DEFICIENTES)
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