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A riqueza da pessoa deficiente desafia continuamente a Igreja
e a sociedade e convida-a a abrir-se ao mistério que ela
representa.
A pessoa deficiente é com pleno direito sujeito-protagonista
da pastoral.
A deficiência não é um castigo, mas um lugar
privilegiado que Deus usa para manifestar o seu amor e coroar
a todos com a glória da ressurreição.
Esta ficha quer ser uma ajuda para a descobrir as pessoas com
deficiência como sujeito-protagonista da acção
pastoral da Igreja e na Igreja.
É com este espírito que vo-las confiamos para as
integrar e inserir a pleno título na vida da Igreja e da
sociedade, para valorizar os seus dons e para se reconciliar com
elas no espírito do Grande Jubileu e para criar uma mentalidade
de aceitação, de promoção e de solidariedade.
A PESSOA COM DEFICIÊNCIA: SUJEITO - PROTAGONISTA DE
PASTORAL
Introdução
"Cada um viva de acordo com a graça recebida e
ponde-vos ao serviço dos outros,
como bons administradores da graça que Deus vos concedeu.
Quem fala, seja porta-voz de Deus; quem se dedica ao serviço,
faça-o com as forças que Deus lhe dá, a fim
de que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo,
ao qual pertencem a glória e o
poder para sempre. Ámen!" (1 Pt 4,10-11).
A pessoa com deficiência, criada à imagem de Deus,
lugar da manifestação do Seu amor e testemunha privilegiada
de humanidade, é directamente responsável da sua
história e da sua vida como cada uma das outras pessoas.
O Senhor Jesus chama a todos para serem seus discípulos,
para se abrirem ao dom da comunhão com o Pai e com os irmãos/ãs
na fé, para partilharem com todos os homens as riquezas
(1Cor 1,5-7; 7,7; 14; Rm 12,6-8; Ef 4,7-16) que Deus deu a cada
um: Também as pessoas deficientes recebem do Senhor a mesma
vocação para viverem como Suas discípulas
de modo responsável e activo, a enriquecer o povo de Deus
com os dons que lhes confia para tornar a sua Esposa imaculada
(cfr Ef 5,27).
A Igreja, Esposa de Cristo, solícita e sensível
a todos os seus filhos/as, toma-os a seu cuidado para que possam
progredir de modo pessoal e responsável no crescimento
na fé, na comunhão com Deus, na descoberta dos dons
recebidos de Deus para o bem comum e de como estes dons podem
ser colocados à disposição dos outros. Por
isso ela procura as pessoas deficientes para lhes comunicar 'a
múltipla graça de Deus' e para lhes dar o lugar
que lhes compete como pessoas baptizadas, que como todas as outras
pessoas baptizadas" têm igual dignidade perante Deus
e têm a mesma vocação" (U.S. Bishops,
Guidelines for the Celebration of the Sacraments with Persons
with Disabilities,1995).
Sujeitos de pastoral
"Eu Te louvo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque
escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as
revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
(Lc 10,21).
"E sabei que foi por causa de uma doença física
que eu vos evangelizei na primeira vez. E vós não
me desprezastes nem me rejeitastes, apesar do meu físico
ser para vós uma
provação. Pelo contrário, acolhestes-me como
a um anjo de Deus ou até como a Jesus Cristo". (Gal
4,13-14).
"Todos os membros do povo de Deus são sujeitos a
acção eclesial, a actuar com modalidades e competências
distintas em virtude dos carismas e ministérios diferentes"
(Midali, 1992).
As pessoas portadoras de deficiência dão os mais
fortes impulsos e oferecem grandes recursos morais e espirituais
para um mundo conforme aos planos de Deus . Oferecem um contributo
de esperança e de amor à história humana.
Revelam ao homem aquilo que o homem é: a pessoa vale por
aquilo que é e não por aquilo que tem ou sabe fazer
(G.S 35) especialmente numa sociedade onde o que conta é
a beleza física, a auto-afirmação, a busca
de poder e do primado sobre os outros.
Mostram que todos e cada um são criaturas dependentes do
Criador com a sua confiança e dependência dos outros
e afirmam esta união que dá vida. "A criatura
sem o Criador desvanece" (GS 36).
O rosto de Deus, que se entrega sobre a cruz para nos enriquecer
da sua glória, mostra-se nas pessoas deficientes no seu
ser de pessoas sós e marginalizadas. As pessoas portadoras
de deficiência são o 'anjo de Deus, Jesus Cristo'
(Gal 4,14) que continua a sua presença na história
do homem.
Não somente com o testemunho da própria vida, mas
também com as actividades que podem realizar segundo as
suas possibilidades, as pessoas deficientes são sujeitos
activos de pastoral.
Elas mesmo podem comunicar o ' tesouro da fé' e guiar todos
para a comunhão com o Pai em Jesus por intermédio
do Espírito Santo.
Também a eles, como a todos os baptizados, é confiado
o mandato evangélico: "Ide e fazei com que todos os
povos se tornem meus discípulos, baptizando-os em nome
do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os
a observar tudo o que vos ordenei". (Mt 28,19-20).
"O Senhor ajudava-os e, por meio dos sinais que os acompanhavam,
provava
que o seu ensinamento era verdadeiro". (Mc 16,20).
Anúncio, testemunho, ensinamento, sacramentos, amor ao
próximo, fazer discípulos: todos estes aspectos
são caminhos e meios para a comunicar o único Evangelho
e constituem os elementos de evangelização"
(Directório Geral para a Catequese, 1997).
Direitos
Em síntese, a justa expectativa preeminente dos nossos
irmãos é a seguinte: a equilibrada, mas efectiva,
integração no contexto da convivência civil,
para se sentirem nela membros a pleno título. Não
consideremos a deficiência como um facto dramático
e desnatural - isto só serve para desencorajar e discriminar
- mas antes como uma condição de enfraquecimento
que se traduz para a sociedade cristã e civil numa prova
do seu nível de fé e de humanidade.
0 que se verifica na deficiência são necessidades
normais de sujeitos sob certos pontos de vista mais fracos, mas
sempre pessoas que aspiram à própria valorização
plena
É necessário reconhecer com os factos
que a pessoa deficiente é sujeito plenamente humano com
direitos sagrados invioláveis; que lhe deve ser facilitado
a participar na vida da sociedade em todas as dimensões
acessíveis ; que a qualidade de uma sociedade só
se mede pelo respeito manifestado para com os mais fracos dos
seus membros
(João Paulo II, ensinamentos, 31-3- 1984).
'Eles têm direito de conhecer, como os seus coetâneos,
'o mistério da fé'(CT 41).
O direito de conhecer a Deus em Jesus Cristo e de viver a plenitude
do seu amor no Espírito, é parte integrante da dignidade
da pessoa deficiente. Quando ela é respeitada e promovida,
leva-a a abrir-se aos valores mais sublimes que efectivamente
a realizam até à trancendência ao dom total
e oblativo de si aos outros e a Deus, a atingir a maturidade plena
de pessoa à imagem de Cristo, isto é, a santidade.
"O baptismo faz de nós membros do Corpo de Cristo:
Por isso, somos membros uns dos outros. O Baptismo incorpora na
Igreja. A pessoa baptizada uma vez tornada membro da Igreja, não
se pertence a si própria, mas Àquele que morreu
e ressuscitou por nós.
A partir daí, é chamado a submeter-se aos outros,
a servi-los na comunhão da Igreja. Assim como o Baptismo
é fonte de responsabilidade e deveres, assim também
o baptizado goza de direitos no seio da Igreja: direito a receber
os sacramentos, a ser alimentado com a Palavra de Deus e a ser
confortado pelas outras ajudas espirituais da Igreja" (CCC1267/1269).
As pessoas portadoras de deficiências não fazem excepção
nos direitos e deveres do Baptismo. No caso de grave e profunda
deficiência mental, a vocação de uma pessoa
a partilhar a fé é fundada no testemunho de amor
dado pelos outros.
Acção pastoral das pessoas deficientes
" As pessoas deficientes têm em si energias excepcionais
e valores de grande utilidade para toda a comunidade" (João
Paulo II, ensinamentos, 31-3-84)
"Ele (o deficiente) não é apenas aquele que
recebe; deve ser ajudado a tornar-se também aquele que
dá, na medida das suas possibilidades. Um momento importante
e decisivo na sua formação será atingido,
quando ele tiver consciência da sua dignidade, dos seus
valores e tiver compreendido que se espera algo dele e que ele
pode e deve contribuir para o progresso e bem da sua família
e da comunidade" (Santa Sede, Aos que se dedicam ao serviço
das pessoas deficientes, 4-3-1981).
Um dos objectivos fundamentais desta renovada e intensificada
acção pastoral, que não pode deixar de envolver,
e de forma coordenada, todos os componentes da comunidade eclesial,
é considerar o doente, o diminuído físico,
o que sofre, não simplesmente objecto do amor e do serviço
da Igreja, mas sim, sujeito activo e responsável da obra
de evangelização e de salvação. (Christifideles
Laici, cap. IV, n.54).
Eles não só são destinatários do anúncio
do Evangelho, mas por sua vez anunciam com a própria vida
e missão o Evangelho, participam na construção
do Reino de Deus. A sua deficiência, redimida pela morte
e Ressurreição de Jesus, fá-los missionários
a nível imediato, intuitivo e não reflexo dos valores
da humanidade: confiança, solidariedade, diaconia, partilha,
escuta, aceitação interdependência, prontidão,
fraternidade, alegria, amor.
Não são erros da criação. Têm
a sua tarefa e não por último a de desmentir constantemente
um cómodo ajustamento filisteu com o egoísmo e o
bem-estar, chamando o orgulho e a presunção a uma
medida mais verdadeira.
Tornam-se as 'mãos de Deus' (cfr. Lc 10,35) para uma justa
e valorizada visão do homem e do plano de amor de Deus
para a humanidade que tem o seu acabamento na glória da
ressurreição, porque "o veremos assim como
Ele é" (1Jo 3,2).
O seu sentir e o seu serviço de caridade ajudarão
a romper barreiras de medo, as suas vidas vulneráveis e
a sua inocência ajudarão a criar espaços de
amor e de acolhimento.
Onde, segundo alguns parâmetros da compreensão, não
existem sinais de resposta, supre a fé da Igreja, dos pais
e de outros.
Há que lembrar que a oração das pessoas deficientes,
especialmente das deficientes mentais, tem uma força particular:
a esta oração a Providência não dirá
nunca que não porque um pai não poderá nunca
esquecer os seus filhos melhores e mais infelizes (cfr. Tgo 5,16).
Com o anúncio e o testemunho das suas vidas, com a o oferta
das suas vidas juntamente com a oferta litúrgica de Cristo
ao Pai no Espírito e com o serviço diaconal ao Corpo
de Cristo e a todos os homens, as pessoas deficientes contribuem,
segundo a vocação que receberam de Deus, para o
crescimento e Koinonia do povo de Deus, da Igreja.
No perdão, damos conta que os outros indistintamente são
algo de precioso e que têm alguma coisa preciosa para nos
oferecer. Na festa exprime-se a novidade, a criatividade, a possibilidade
de relação com os outros, de expressar modos diferentes
de convívio, de caminhar, de construir dando sentido à
Ressurreição.
Resposta da Igreja às pessoas deficientes.
"A Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento humano,
reconhece mesmo a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos
pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar-lhes a
indigência e neles deseja servir a Cristo"(LG 8).
"Não chega, por isso, uma ajuda assistencial, é
preciso aprofundar e respeitar o seu ser Filhos de Deus em plenitude,
seus predilectos e, por conseguinte, testemunhas viventes do amor
salvífico de Deus" (Card. Martini, Discurso, 3 Maio
1990).
A Igreja, para ser verdadeiramente a Esposa de Cristo, deve considerar
a pessoa deficiente e todos os que lhe são próximo,
como lugar teológico onde 'Deus opera maravilhas', realiza
o seu amor pelo homem e convida a comunidade à conversão
e ao discernimento dos valores evangélicos.
A Igreja responde a tudo isto quando Ela mesma:
- Proclama sobre o homem: a verdade, a dignidade, o valor absoluto
e a transcendência de toda a pessoa, de toda a condição
ou estado, das pessoas deficientes pelo facto que são pessoas
criadas à imagem/semelhança de Deus, remidas por
Cristo e n'Ele glorificadas.
- Promove com opções corajosas e proféticas
a vida e o respeito pela vida de quem é débil, frágil
e sem voz, das pessoas deficientes.
Faz uma acção tanto externa como interna para a
plena aceitação e integração das pessoas
deficientes.
- Oferece às pessoas deficientes e respectivas famílias
solidariedade, participação, proximidade e compaixão
autêntica.
- Concede a todos por meio de uma catequese apropriada, os tesouros
espirituais e humanos do rico património que lhe foi entregue
pelo seu Senhor e Redentor: sacramentos, palavra de Deus, vida
da Igreja.
- Considera as pessoas deficientes 'como protagonistas, como
sujeitos da obra da evangelização Sínodo
sobre os Leigos, 1987-1988, n. 53) porque eles são agentes
morais de transformação da Igreja e da sociedade,
impelindo-as sempre mais para a integração social
de toda a deficiência.
- Guia para o Pai o caminho de todos, também o das pessoas
deficientes,.
- Dá todos a certeza de serem amados por Deus e sustentados
pela sua partilha da histórica, dos limites, fragilidade
e contradições do homem com a Incarnação,
Paixão, Morte, Ressurreição de Cristo.
- Reconcilia-se com os deficientes e respectivas famílias,
pedindo-lhes perdão pelas incertezas, abandono, atrasos,
faltas de caridade, situações de solidão,
indiferenças individuais e colectivas para com eles.
- Mostra como entrar no mistério das deficiências
e permanecendo em atitude de participação contemplativa
pelo facto que a pessoa deficiente é cheia de humanidade.
- Remove barreiras físicas, arquitectónicas , mentais
e ideológicas de comunicação e de linguagem
que bloqueiam a plena integração das pessoas deficientes
na vida da Igreja e da sociedade.
- Favorece a participação das pessoas deficientes
na liturgia, a todos os sacramentos e na vida da Igreja segundo
a vocação de cada um, também no que diz respeito
ao matrimónio, ao ministério sacerdotal e à
vida consagrada.
- Prepara pessoas deficientes para serem catequistas qualificados
do 'mistério da fé' para o anunciar adequadamente.
- Prepara, com uma mudança de mentalidade, os futuros
pastores, sacerdotes e diáconos, e quantos oferecerão
o seu serviço e ministério às pessoas deficientes
de modo apropriado, respeitoso e promotor da sua dignidade de
Filhos de Deus.
- Encontra com criatividade e em modo profético, soluções
que integram a pessoa deficiente no mundo do trabalho, especialmente
onde se considera somente a produtividade, a livre concorrência,
a competição, a eficiência, a própria
afirmação, o sucesso, com critérios de progresso,
deixando de lado as pessoas deficientes que não entram
nestes parâmetros.
- Colabora com as estruturas e organizações socio-políticas
e culturais para a promoção das pessoas deficientes
e oferece propostas alternativas, todas as vezes, que os métodos
e as finalidades utilizados não reflictam a dignidade da
pessoa, trabalhando de modo a que tais estruturas e organizações
sejam transformadas no seu dinamismo interno, também condenando
propostas e soluções degradantes, reafirmando assim
a verdade sobre o destino do homem.
- Em ser tanto a Igreja como cada cristão ponto de referência
para encontrar também em termos de cultura civil e social
uma sempre maior realização e integração
das pessoas deficientes de toda a realidade e situação
da vida quotidiana na qual todos participam.
Testemunhos de vida.
(em vez de usar 'pessoa deficiente', deixámos a terminologia
usada pelos autores)
O testemunho de Stefano.
Stefano, licenciado em filosofia, utiliza a cadeira de rodas
para se deslocar e exprime-se através de um educador que
traduz em palavras os sons que ele emite.
Antes de mais quero dizer que não gosto muito da expressão
"catequese dos deficientes" .
De facto, a catequese é única e deve ser adaptada
a cada pessoa, sem olhar para o facto que esta seja portadora
de deficiência ou não.
É muito importante que as pessoas deficientes participem
na catequese com todos os outros. E é igualmente importante
que os deficientes se preparem para serem catequistas, para darem
um contributo ulterior, que provém da sua experiência
de vida.
A presença dos deficientes poderá favorecer a educação
da comunidade para o acolhimento de quem é diferente.
O testemunho de Carmela.
Carmela é professora e catequista
As pessoas deficientes têm um modo muito próprio
de viver a fé. A catequista para ser eficaz deve ter isso
em conta. É a nós operadores pastorais que toca
entrar em sintonia com eles, tocando as cordas adequadas.
Como fazer compreender a uma criança pequena deficiente
psíquica que Deus nos ama, não obstante tudo? Neste
caso procurei ter presente a experiência da criança,
que vive com numa família particularmente unida e afectuosa
para com ela. Da experiência de vida de cada dia, encontrei
exemplos para lhe fazer compreender o amor paterno de Deus.
O testemunho de um cego.
"A cruz contém um intrínseco e insuprível
orientamento para a vitória da Ressurreição.
"Como antecipar esta experiência de vida e de
alegria, semelhante vitória sobre o sofrimento também
corporal?" (João Paulo II, Ensinamentos, 31-3-1984).
"Esta vitória" da Ressurreição
experimentamo-la todas as vezes que participamos, como membros
activos, mesmo que deficientes, na vida da comunidade eclesial,
como alunos nas lições de catequese ou como catequistas,
como leitores durante as celebrações eucarísticas
ou como participantes no sacramento da Eucaristia e da Confirmação,
mesmo alguns de nós têm uma grave deficiência
física ou mental; como participantes do mistério
de diaconia da caridade, nas Caritas diocesanas, nas associações
paroquiais, nas comunidades eclesiais de base, onde também
nós, considerados objectos passivos do amor dos outros,
nos tornamos sujeitos activos.
De uma intervista a Jean Vanier.
Ela diz que os deficientes e as pessoas que sofrem são
"mestras em humanidade", porque?
Nos atiram, melhor chamam-nos, por vezes fisicamente, e se nós
os escutarmos, fazem-nos entrar na compaixão que é
o coração do Evangelho: "sede misericordiosos
como Meu Pai é misericordioso, não julgueis e não
sereis julgados, não condeneis e não sereis condenados,
perdoai e sereis perdoados" Eles ensinam-nos se entramos
em contacto com eles, se se é tocados por eles- a abrir
o coração a uma relação que definirei
de pessoa a pessoa, na qual Deus está presente.
O que é o amor, e sobretudo como se ama?
Na Comunidade amar alguém quer dizer revelar-lhe que é
importante, que tem valor. Fazemo-lo através da escuta,
da compreensão das suas necessidades, dos seus sofrimentos,
do seu profundo sentir, e também com a compreensão
do seu lugar na Igreja. Este amor significa acima de tudo entrar
numa relação de comunhão, e neste sentido
de pertença uns com os outros. Este amor leva-nos ao perdão,
pois ferimo-nos uns aos outros e somos chamados, por isso, a entrar
no mistério do perdão.
Testemunho, desejo, interrogação
Tenho 74 anos e sou uma pessoa deficiente, aos doze meses fui
atingido por uma parálise.
Aos oito anos perdi a minha mãe e desde então vivo
numa instituição.
Constacto que a sociedade, muito embora progrida em todos os sectores,
marginaliza sempre mais os que não "produzem",
isto é: doentes, idosos, deficientes e esta é uma
constatação que traz sofrimento para quem se encontra
nesta situação.
Faz sofrer também ao ver como muitos sacerdotes que se
ocupam de tantas coisas, transcurem estas pessoas que com a sua
fé, a sua ajuda, os poderiam apoiar fazendo-lhe muito bem
Seria belo que pároco escrevesse uma carta a todas os paroquianos
que sofrem pelo Natal e pela Páscoa para lhes pedir que
ofereçam os seus sofrimentos e as suas orações
pelas necessidades da comunidade, tornando-as assim participantes
da vida da comunidade e evitando que elas se sintam inúteis
e de peso.
É tempo de reavivar nas comunidades paroquiais a fé
na Providência através do dom mais precioso que a
comunidade tem, o oferecimento dos sofrimentos destes "predilectos
de Deus". Dela viria uma ajuda enorme para toda a Paróquia
Reconhecer Jesus no pobre, no doente e no deficiente ou no idoso
quer dizer amá-lo e ajudá-lo. E porquê, não
assumir qualquer deficiente ou idoso que não tenha dificuldade
de falar, como é o meu caso, nas liturgias ou noutro trabalho
de secretaria ou mesmo com catequista? Não chega ter abatido
as barreiras arquitectónicas, existem outras barreiras
bem mais difíceis de abater: nós precisamos de nos
sentirmos amados para nos sentirmos "normais".
FICHA DE PREPARAÇÃO PARA JORNADA JUBILAR DE
3 DE DEZEMBRO 2000 (COMITÉ PARA A JORNADA JUBILAR DA COMUNIDADE
COM PESSOAS DEFICIENTES)
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