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Para os mais pequeninos
Ano europeu das pessoas deficientes
A PESSOA DEFICIENTE: SUJEITO - PROTAGONISTA DA PASTORAL

A riqueza da pessoa deficiente desafia continuamente a Igreja e a sociedade e convida-a a abrir-se ao mistério que ela representa.
A pessoa deficiente é com pleno direito sujeito-protagonista da pastoral.
A deficiência não é um castigo, mas um lugar privilegiado que Deus usa para manifestar o seu amor e coroar a todos com a glória da ressurreição.
Esta ficha quer ser uma ajuda para a descobrir as pessoas com deficiência como sujeito-protagonista da acção pastoral da Igreja e na Igreja.
É com este espírito que vo-las confiamos para as integrar e inserir a pleno título na vida da Igreja e da sociedade, para valorizar os seus dons e para se reconciliar com elas no espírito do Grande Jubileu e para criar uma mentalidade de aceitação, de promoção e de solidariedade.

A PESSOA COM DEFICIÊNCIA: SUJEITO - PROTAGONISTA DE PASTORAL
Introdução
"Cada um viva de acordo com a graça recebida e ponde-vos ao serviço dos outros,
como bons administradores da graça que Deus vos concedeu. Quem fala, seja porta-voz de Deus; quem se dedica ao serviço, faça-o com as forças que Deus lhe dá, a fim de que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, ao qual pertencem a glória e o
poder para sempre. Ámen!" (1 Pt 4,10-11).

A pessoa com deficiência, criada à imagem de Deus, lugar da manifestação do Seu amor e testemunha privilegiada de humanidade, é directamente responsável da sua história e da sua vida como cada uma das outras pessoas.
O Senhor Jesus chama a todos para serem seus discípulos, para se abrirem ao dom da comunhão com o Pai e com os irmãos/ãs na fé, para partilharem com todos os homens as riquezas (1Cor 1,5-7; 7,7; 14; Rm 12,6-8; Ef 4,7-16) que Deus deu a cada um: Também as pessoas deficientes recebem do Senhor a mesma vocação para viverem como Suas discípulas de modo responsável e activo, a enriquecer o povo de Deus com os dons que lhes confia para tornar a sua Esposa imaculada (cfr Ef 5,27).

A Igreja, Esposa de Cristo, solícita e sensível a todos os seus filhos/as, toma-os a seu cuidado para que possam progredir de modo pessoal e responsável no crescimento na fé, na comunhão com Deus, na descoberta dos dons recebidos de Deus para o bem comum e de como estes dons podem ser colocados à disposição dos outros. Por isso ela procura as pessoas deficientes para lhes comunicar 'a múltipla graça de Deus' e para lhes dar o lugar que lhes compete como pessoas baptizadas, que como todas as outras pessoas baptizadas" têm igual dignidade perante Deus e têm a mesma vocação" (U.S. Bishops, Guidelines for the Celebration of the Sacraments with Persons with Disabilities,1995).

Sujeitos de pastoral
"Eu Te louvo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
(Lc 10,21).

"E sabei que foi por causa de uma doença física que eu vos evangelizei na primeira vez. E vós não me desprezastes nem me rejeitastes, apesar do meu físico ser para vós uma
provação. Pelo contrário, acolhestes-me como a um anjo de Deus ou até como a Jesus Cristo". (Gal 4,13-14).

"Todos os membros do povo de Deus são sujeitos a acção eclesial, a actuar com modalidades e competências distintas em virtude dos carismas e ministérios diferentes" (Midali, 1992).

As pessoas portadoras de deficiência dão os mais fortes impulsos e oferecem grandes recursos morais e espirituais para um mundo conforme aos planos de Deus . Oferecem um contributo de esperança e de amor à história humana. Revelam ao homem aquilo que o homem é: a pessoa vale por aquilo que é e não por aquilo que tem ou sabe fazer (G.S 35) especialmente numa sociedade onde o que conta é a beleza física, a auto-afirmação, a busca de poder e do primado sobre os outros.
Mostram que todos e cada um são criaturas dependentes do Criador com a sua confiança e dependência dos outros e afirmam esta união que dá vida. "A criatura sem o Criador desvanece" (GS 36).

O rosto de Deus, que se entrega sobre a cruz para nos enriquecer da sua glória, mostra-se nas pessoas deficientes no seu ser de pessoas sós e marginalizadas. As pessoas portadoras de deficiência são o 'anjo de Deus, Jesus Cristo' (Gal 4,14) que continua a sua presença na história do homem.
Não somente com o testemunho da própria vida, mas também com as actividades que podem realizar segundo as suas possibilidades, as pessoas deficientes são sujeitos activos de pastoral.
Elas mesmo podem comunicar o ' tesouro da fé' e guiar todos para a comunhão com o Pai em Jesus por intermédio do Espírito Santo.

Também a eles, como a todos os baptizados, é confiado o mandato evangélico: "Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei". (Mt 28,19-20).

"O Senhor ajudava-os e, por meio dos sinais que os acompanhavam, provava
que o seu ensinamento era verdadeiro". (Mc 16,20).

Anúncio, testemunho, ensinamento, sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos: todos estes aspectos são caminhos e meios para a comunicar o único Evangelho e constituem os elementos de evangelização" (Directório Geral para a Catequese, 1997).

Direitos
Em síntese, a justa expectativa preeminente dos nossos irmãos é a seguinte: a equilibrada, mas efectiva, integração no contexto da convivência civil, para se sentirem nela membros a pleno título. Não consideremos a deficiência como um facto dramático e desnatural - isto só serve para desencorajar e discriminar - mas antes como uma condição de enfraquecimento que se traduz para a sociedade cristã e civil numa prova do seu nível de fé e de humanidade.
0 que se verifica na deficiência são necessidades normais de sujeitos sob certos pontos de vista mais fracos, mas sempre pessoas que aspiram à própria valorização plena… É necessário reconhecer com os factos que a pessoa deficiente é sujeito plenamente humano com direitos sagrados invioláveis; que lhe deve ser facilitado a participar na vida da sociedade em todas as dimensões acessíveis ; que a qualidade de uma sociedade só se mede pelo respeito manifestado para com os mais fracos dos seus membros
(João Paulo II, ensinamentos, 31-3- 1984).

'Eles têm direito de conhecer, como os seus coetâneos, 'o mistério da fé'(CT 41).

O direito de conhecer a Deus em Jesus Cristo e de viver a plenitude do seu amor no Espírito, é parte integrante da dignidade da pessoa deficiente. Quando ela é respeitada e promovida, leva-a a abrir-se aos valores mais sublimes que efectivamente a realizam até à trancendência ao dom total e oblativo de si aos outros e a Deus, a atingir a maturidade plena de pessoa à imagem de Cristo, isto é, a santidade.
"O baptismo faz de nós membros do Corpo de Cristo: Por isso, somos membros uns dos outros. O Baptismo incorpora na Igreja. A pessoa baptizada uma vez tornada membro da Igreja, não se pertence a si própria, mas Àquele que morreu e ressuscitou por nós.
A partir daí, é chamado a submeter-se aos outros, a servi-los na comunhão da Igreja. Assim como o Baptismo é fonte de responsabilidade e deveres, assim também o baptizado goza de direitos no seio da Igreja: direito a receber os sacramentos, a ser alimentado com a Palavra de Deus e a ser confortado pelas outras ajudas espirituais da Igreja" (CCC1267/1269).
As pessoas portadoras de deficiências não fazem excepção nos direitos e deveres do Baptismo. No caso de grave e profunda deficiência mental, a vocação de uma pessoa a partilhar a fé é fundada no testemunho de amor dado pelos outros.

Acção pastoral das pessoas deficientes
" As pessoas deficientes têm em si energias excepcionais e valores de grande utilidade para toda a comunidade" (João Paulo II, ensinamentos, 31-3-84)
"Ele (o deficiente) não é apenas aquele que recebe; deve ser ajudado a tornar-se também aquele que dá, na medida das suas possibilidades. Um momento importante e decisivo na sua formação será atingido, quando ele tiver consciência da sua dignidade, dos seus valores e tiver compreendido que se espera algo dele e que ele pode e deve contribuir para o progresso e bem da sua família e da comunidade" (Santa Sede, Aos que se dedicam ao serviço das pessoas deficientes, 4-3-1981).

Um dos objectivos fundamentais desta renovada e intensificada acção pastoral, que não pode deixar de envolver, e de forma coordenada, todos os componentes da comunidade eclesial, é considerar o doente, o diminuído físico, o que sofre, não simplesmente objecto do amor e do serviço da Igreja, mas sim, sujeito activo e responsável da obra de evangelização e de salvação. (Christifideles Laici, cap. IV, n.54).

Eles não só são destinatários do anúncio do Evangelho, mas por sua vez anunciam com a própria vida e missão o Evangelho, participam na construção do Reino de Deus. A sua deficiência, redimida pela morte e Ressurreição de Jesus, fá-los missionários a nível imediato, intuitivo e não reflexo dos valores da humanidade: confiança, solidariedade, diaconia, partilha, escuta, aceitação interdependência, prontidão, fraternidade, alegria, amor.
Não são erros da criação. Têm a sua tarefa e não por último a de desmentir constantemente um cómodo ajustamento filisteu com o egoísmo e o bem-estar, chamando o orgulho e a presunção a uma medida mais verdadeira.
Tornam-se as 'mãos de Deus' (cfr. Lc 10,35) para uma justa e valorizada visão do homem e do plano de amor de Deus para a humanidade que tem o seu acabamento na glória da ressurreição, porque "o veremos assim como Ele é" (1Jo 3,2).
O seu sentir e o seu serviço de caridade ajudarão a romper barreiras de medo, as suas vidas vulneráveis e a sua inocência ajudarão a criar espaços de amor e de acolhimento.
Onde, segundo alguns parâmetros da compreensão, não existem sinais de resposta, supre a fé da Igreja, dos pais e de outros.
Há que lembrar que a oração das pessoas deficientes, especialmente das deficientes mentais, tem uma força particular: a esta oração a Providência não dirá nunca que não porque um pai não poderá nunca esquecer os seus filhos melhores e mais infelizes (cfr. Tgo 5,16).

Com o anúncio e o testemunho das suas vidas, com a o oferta das suas vidas juntamente com a oferta litúrgica de Cristo ao Pai no Espírito e com o serviço diaconal ao Corpo de Cristo e a todos os homens, as pessoas deficientes contribuem, segundo a vocação que receberam de Deus, para o crescimento e Koinonia do povo de Deus, da Igreja.
No perdão, damos conta que os outros indistintamente são algo de precioso e que têm alguma coisa preciosa para nos oferecer. Na festa exprime-se a novidade, a criatividade, a possibilidade de relação com os outros, de expressar modos diferentes de convívio, de caminhar, de construir dando sentido à Ressurreição.

Resposta da Igreja às pessoas deficientes.
"A Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento humano, reconhece mesmo a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar-lhes a indigência e neles deseja servir a Cristo"(LG 8).

"Não chega, por isso, uma ajuda assistencial, é preciso aprofundar e respeitar o seu ser Filhos de Deus em plenitude, seus predilectos e, por conseguinte, testemunhas viventes do amor salvífico de Deus" (Card. Martini, Discurso, 3 Maio 1990).

A Igreja, para ser verdadeiramente a Esposa de Cristo, deve considerar a pessoa deficiente e todos os que lhe são próximo, como lugar teológico onde 'Deus opera maravilhas', realiza o seu amor pelo homem e convida a comunidade à conversão e ao discernimento dos valores evangélicos.

A Igreja responde a tudo isto quando Ela mesma:

- Proclama sobre o homem: a verdade, a dignidade, o valor absoluto e a transcendência de toda a pessoa, de toda a condição ou estado, das pessoas deficientes pelo facto que são pessoas criadas à imagem/semelhança de Deus, remidas por Cristo e n'Ele glorificadas.

- Promove com opções corajosas e proféticas a vida e o respeito pela vida de quem é débil, frágil e sem voz, das pessoas deficientes.

Faz uma acção tanto externa como interna para a plena aceitação e integração das pessoas deficientes.

- Oferece às pessoas deficientes e respectivas famílias solidariedade, participação, proximidade e compaixão autêntica.
- Concede a todos por meio de uma catequese apropriada, os tesouros espirituais e humanos do rico património que lhe foi entregue pelo seu Senhor e Redentor: sacramentos, palavra de Deus, vida da Igreja.

- Considera as pessoas deficientes 'como protagonistas, como sujeitos da obra da evangelização Sínodo sobre os Leigos, 1987-1988, n. 53) porque eles são agentes morais de transformação da Igreja e da sociedade, impelindo-as sempre mais para a integração social de toda a deficiência.


- Guia para o Pai o caminho de todos, também o das pessoas deficientes,.
- Dá todos a certeza de serem amados por Deus e sustentados pela sua partilha da histórica, dos limites, fragilidade e contradições do homem com a Incarnação, Paixão, Morte, Ressurreição de Cristo.
- Reconcilia-se com os deficientes e respectivas famílias, pedindo-lhes perdão pelas incertezas, abandono, atrasos, faltas de caridade, situações de solidão, indiferenças individuais e colectivas para com eles.
- Mostra como entrar no mistério das deficiências e permanecendo em atitude de participação contemplativa pelo facto que a pessoa deficiente é cheia de humanidade.

- Remove barreiras físicas, arquitectónicas , mentais e ideológicas de comunicação e de linguagem que bloqueiam a plena integração das pessoas deficientes na vida da Igreja e da sociedade.

- Favorece a participação das pessoas deficientes na liturgia, a todos os sacramentos e na vida da Igreja segundo a vocação de cada um, também no que diz respeito ao matrimónio, ao ministério sacerdotal e à vida consagrada.

- Prepara pessoas deficientes para serem catequistas qualificados do 'mistério da fé' para o anunciar adequadamente.

- Prepara, com uma mudança de mentalidade, os futuros pastores, sacerdotes e diáconos, e quantos oferecerão o seu serviço e ministério às pessoas deficientes de modo apropriado, respeitoso e promotor da sua dignidade de Filhos de Deus.
- Encontra com criatividade e em modo profético, soluções que integram a pessoa deficiente no mundo do trabalho, especialmente onde se considera somente a produtividade, a livre concorrência, a competição, a eficiência, a própria afirmação, o sucesso, com critérios de progresso, deixando de lado as pessoas deficientes que não entram nestes parâmetros.

- Colabora com as estruturas e organizações socio-políticas e culturais para a promoção das pessoas deficientes e oferece propostas alternativas, todas as vezes, que os métodos e as finalidades utilizados não reflictam a dignidade da pessoa, trabalhando de modo a que tais estruturas e organizações sejam transformadas no seu dinamismo interno, também condenando propostas e soluções degradantes, reafirmando assim a verdade sobre o destino do homem.

- Em ser tanto a Igreja como cada cristão ponto de referência para encontrar também em termos de cultura civil e social uma sempre maior realização e integração das pessoas deficientes de toda a realidade e situação da vida quotidiana na qual todos participam.

Testemunhos de vida.
(em vez de usar 'pessoa deficiente', deixámos a terminologia usada pelos autores)
O testemunho de Stefano.
Stefano, licenciado em filosofia, utiliza a cadeira de rodas para se deslocar e exprime-se através de um educador que traduz em palavras os sons que ele emite.
Antes de mais quero dizer que não gosto muito da expressão "catequese dos deficientes" .
De facto, a catequese é única e deve ser adaptada a cada pessoa, sem olhar para o facto que esta seja portadora de deficiência ou não.
É muito importante que as pessoas deficientes participem na catequese com todos os outros. E é igualmente importante que os deficientes se preparem para serem catequistas, para darem um contributo ulterior, que provém da sua experiência de vida.
A presença dos deficientes poderá favorecer a educação da comunidade para o acolhimento de quem é diferente.

O testemunho de Carmela.
Carmela é professora e catequista
As pessoas deficientes têm um modo muito próprio de viver a fé. A catequista para ser eficaz deve ter isso em conta. É a nós operadores pastorais que toca entrar em sintonia com eles, tocando as cordas adequadas.
Como fazer compreender a uma criança pequena deficiente psíquica que Deus nos ama, não obstante tudo? Neste caso procurei ter presente a experiência da criança, que vive com numa família particularmente unida e afectuosa para com ela. Da experiência de vida de cada dia, encontrei exemplos para lhe fazer compreender o amor paterno de Deus.

O testemunho de um cego.
"A cruz contém um intrínseco e insuprível orientamento para a vitória da Ressurreição. …"Como antecipar esta experiência de vida e de alegria, semelhante vitória sobre o sofrimento também corporal?" (João Paulo II, Ensinamentos, 31-3-1984).

"Esta vitória" da Ressurreição experimentamo-la todas as vezes que participamos, como membros activos, mesmo que deficientes, na vida da comunidade eclesial, como alunos nas lições de catequese ou como catequistas, como leitores durante as celebrações eucarísticas ou como participantes no sacramento da Eucaristia e da Confirmação, mesmo alguns de nós têm uma grave deficiência física ou mental; como participantes do mistério de diaconia da caridade, nas Caritas diocesanas, nas associações paroquiais, nas comunidades eclesiais de base, onde também nós, considerados objectos passivos do amor dos outros, nos tornamos sujeitos activos.

De uma intervista a Jean Vanier.
Ela diz que os deficientes e as pessoas que sofrem são "mestras em humanidade", porque?
Nos atiram, melhor chamam-nos, por vezes fisicamente, e se nós os escutarmos, fazem-nos entrar na compaixão que é o coração do Evangelho: "sede misericordiosos como Meu Pai é misericordioso, não julgueis e não sereis julgados, não condeneis e não sereis condenados, perdoai e sereis perdoados" Eles ensinam-nos se entramos em contacto com eles, se se é tocados por eles- a abrir o coração a uma relação que definirei de pessoa a pessoa, na qual Deus está presente.

O que é o amor, e sobretudo como se ama?
Na Comunidade amar alguém quer dizer revelar-lhe que é importante, que tem valor. Fazemo-lo através da escuta, da compreensão das suas necessidades, dos seus sofrimentos, do seu profundo sentir, e também com a compreensão do seu lugar na Igreja. Este amor significa acima de tudo entrar numa relação de comunhão, e neste sentido de pertença uns com os outros. Este amor leva-nos ao perdão, pois ferimo-nos uns aos outros e somos chamados, por isso, a entrar no mistério do perdão.

Testemunho, desejo, interrogação
Tenho 74 anos e sou uma pessoa deficiente, aos doze meses fui atingido por uma parálise.
Aos oito anos perdi a minha mãe e desde então vivo numa instituição.
Constacto que a sociedade, muito embora progrida em todos os sectores, marginaliza sempre mais os que não "produzem", isto é: doentes, idosos, deficientes e esta é uma constatação que traz sofrimento para quem se encontra nesta situação.
Faz sofrer também ao ver como muitos sacerdotes que se ocupam de tantas coisas, transcurem estas pessoas que com a sua fé, a sua ajuda, os poderiam apoiar fazendo-lhe muito bem
Seria belo que pároco escrevesse uma carta a todas os paroquianos que sofrem pelo Natal e pela Páscoa para lhes pedir que ofereçam os seus sofrimentos e as suas orações pelas necessidades da comunidade, tornando-as assim participantes da vida da comunidade e evitando que elas se sintam inúteis e de peso.
É tempo de reavivar nas comunidades paroquiais a fé na Providência através do dom mais precioso que a comunidade tem, o oferecimento dos sofrimentos destes "predilectos de Deus". Dela viria uma ajuda enorme para toda a Paróquia
Reconhecer Jesus no pobre, no doente e no deficiente ou no idoso quer dizer amá-lo e ajudá-lo. E porquê, não assumir qualquer deficiente ou idoso que não tenha dificuldade de falar, como é o meu caso, nas liturgias ou noutro trabalho de secretaria ou mesmo com catequista? Não chega ter abatido as barreiras arquitectónicas, existem outras barreiras bem mais difíceis de abater: nós precisamos de nos sentirmos amados para nos sentirmos "normais".

FICHA DE PREPARAÇÃO PARA JORNADA JUBILAR DE 3 DE DEZEMBRO 2000 (COMITÉ PARA A JORNADA JUBILAR DA COMUNIDADE
COM PESSOAS DEFICIENTES)

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