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Para os mais pequeninos
Proposta de um Projeto missionário para a América Central
Pe. Jesus Emílio Osorno, M.X.Y.
Secretário Executivo do Departamento de Missões do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM)

Apresentação

O CAM 2 ou COMLA 7 será o primeiro Congresso Americano do século XXI e do terceiro milênio. Será também o primeiro do seu gênero na América Central. Na última década do século XX, o Papa João Paulo II vislumbrava o início «de uma grande primavera cristã para a Igreja» (cf. Redemptoris Missio, 86). Nós somos os primeiros beneficiários destas luzes primaveris. Temos o dever de colher as suas primeiras flores.
Os COMLAs, e depois o CAM, deram à Igreja latino-americana - e procuram oferecer a todo o continente americano – pautas, orientações e mandatos missionários que têm despertado a consciência do nosso Povo crente, abrindo as portas do mundo inteiro às nossas Igrejas particulares. Trata-se de um fruto amadurecido das Pontifícias Obras Missionárias e dos seus máximos dirigentes.
Os Congressos Missionários exigem uma grande preparação, distinguem-se por diversas expressões festivas na sua celebração e reúnem uma multidão de pessoas que querem compartilhar as suas experiências pessoais de fé, cheias de vida. Além disso, corroboram as suas deliberações com compromissos que procuram corresponder aos desafios mais urgentes no campo da Missão.
São as Igrejas anfitriãs que recebem o maior benefício deste acontecimento eclesial. É importante salientar, por exemplo, o compromisso assumido durante o CAM 1 ou COMLA 6, por parte da Igreja que está na Argentina, de ir ao encontro da comunidade eclesial que está em Moçambique, para ajudar as Igrejas irmãs que dão e recebem umas das outras, como testemunho de comunhão e de solidariedade.
O Documento de Puebla diz-nos que «finalmente chegou para a América Latina a hora de... se projetar para além das suas fronteiras, ad gentes» (n. 368).
«Este finalmente não é algo que quase se ignora e, no último momento, se acrescenta para que a frase fique mais completa. Não se trata de uma figura decorativa, própria da linguagem eclesiástica. É algo que teve de ser aguardado por um prolongado período de tempo mas que, enfim, amadureceu como uma exigência vital no seio das Igrejas particulares que peregrinam na América Latina».
Finalmente... América Latina, chegou para ti a hora de te projetares ad gentes... para partires da tua pequenez, da tua pobreza e do sangue dos teus mártires. É o fruto amadurecido de uma longa espera. Não tens mais componendas, subterfúgios nem desculpas que possam atrasar ou impedir este acontecimento, esta primavera. «Já passou o inverno» da indiferença ou da mesquinhez e agora abre-se o horizonte infinito da solidariedade, da comunhão universal.

Justificação

É indubitável que a preparação do CAM 2 ou COMLA 7, por parte das Igrejas da América Central, já evidenciou o «passo do Espírito» em todas as nossas Igrejas particulares. O Senhor sensibilizou-nos. Ele abriu-nos os olhos. Não se trata de uma mera mobilização. Houve um processo de conscientização, de animação, de formação e de organização missionárias. Deu-se um passo em frente verdadeiramente importante. Não é um passo que se improvisa, uma vez que tem as suas raízes, a sua história e o seu próprio dinamismo.
O CAM 2 ou COMLA 7 é uma hora de graça missionária para a América Central. Graça que o Senhor concede, não para que seja conservada ciosamente ou para dela se fazer uma ostentação orgulhosa, mas como uma Dádiva para se compartilhar, «dar e convidar». «Sinto – afirma o Papa João Paulo II - que chegou o momento de empenhar todas as forças eclesiais na nova evangelização e na missão ad gentes. Nenhum crente, nenhuma instituição da Igreja se pode esquivar deste dever supremo: anunciar Cristo a todos os povos!» (Redemptoris Missio, 3).
«Todas as forças eclesiais»! O Papa não quer porções, sobras ou migalhas que caem das mesas abundantes. Não! Todas as forças eclesiais, para a missão ad gentes: o dinamismo de cada uma das Igrejas, os seus agentes no campo da pastoral, os seus planos e projetos de pastoral, toda a formação, a liturgia, a espiritualidade, todas as estruturas de organização a níveis regional, nacional, diocesano e paroquial. Todas!
O Santo Padre une e relaciona a nova evangelização à missão ad gentes, condicionando uma em função da outra. Existe «uma real e crescente interdependência entre as diversas atividades salvíficas da Igreja: cada uma influi sobre a outra, estimulando-a e ajudando-a» (Ibid., n. 34). Sem a missão ad gentes é impossível compreender a nova evangelização. Somente a missão ad gentes dá o dinamismo necessário às nossas Igrejas, para que respondam às suas problemáticas internas. «Sem a missão ad gentes, a própria dimensão missionária da Igreja ficaria desprovida do seu significado fundamental e do seu exemplo de atuação» (Ibid.).
Ao exigirmos nós mesmos, como Povo de Deus que peregrina na América Central, que se consolidem todas as forças em vista da missão ad gentes, surge uma necessidade, que consiste no fato significativo e peremptório de definir com projetos e programas algumas metas que dêem consistência e unifiquem estas forças como compromisso da parte dessa região, representando o resultado do CAM 2 ou COMLA 7.
Queremos formar a estrutura de um Projeto que, captando o melhor da nossa caminhada evangelizadora, partindo da nossa «pequenez, pobreza e martírio», como nossa contribuição original e, aproveitando o acontecimento providencial da celebração do CAM 2 ou COMLA 7, assumido colegialmente como expressão de comunhão e testemunho de solidariedade entre as nossas Igrejas, constitua uma expressão conjunta da nossa vocação missionária ad gentes.
O Departamento Missionário (DEMIS) só quer apresentar algumas sugestões de trabalho, de reflexão e de convocação, que animem durante o ano missionário o estudo da praticabilidade, as possibilidades, a procura de instrumentos e finalidades mais realizáveis, de tal maneira que se possa prever como um dos atos salientes do CAM 2 ou COMLA 7, a apresentação do Projeto missionário unitário, concreto e definitivo, proposto pela Comissão Central, com o aval do Secretariado Executivo do Departamento Missionário da América Central (SEDAC) e como contribuição de toda a América Central para a Igreja universal e para a missão ad gentes. Esta pode ser a grande novidade do CAM 2 ou COMLA 7. Será também um ponto de referência na nova caminhada que espera os CAMs ou COMLAs neste novo século e milênio.

Critérios

Partimos de cinco critérios que definem os motivos teológicos, espirituais e pastorais do nosso Projeto.

1. A originalidade da América Central

Quando a exígua delegação da Guatemala, em nome de toda a América Central, aceitou na localidade de Paraná (Argentina), a organização do CAM 2 ou COMLA 7, irrompeu a voz profética para dizermos que ela foi assumida a partir da «pequenez, pobreza e martírio». Estas palavras são o eco de três vocábulos latinos do Evangelho de Lucas: «Ecce, fiat e magnificat». Maria disse: «Ecce», eis-me aqui; «fiat», faça-se em mim segundo a sua vontade; «magnificat», a minha alma glorifica o Senhor, porque em mim realizou grandes coisas.
E foi também uma premonição do Nican Mopohua, quando a Virgem disse: «Joãozinho, pequeno João Diogo, o mais pequeno dos meus filhos... Eu ouvi-te... e tu contarás tudo aquilo que viste e admiraste, e tudo o que ouviste... por isso, enriquecer-te-ei e gloficar-te-ei». É a exaltação da pequenez nos planos de Deus, a matéria-prima da sua obra-mestra: a missão.
A América Central teve o seu primeiro corpo colegial, a nível de conferências episcopais na Igreja, mesmo antes da formação do CELAM. Trata-se do SEDAC. É uma experiência de comunhão, de participação, de serviço, de ajuda e de dinamismo pastoral.
O testemunho de martírio da América Central constitui, nos tempos modernos, um fato sem precedentes para a vida da Igreja no Continente. Se o sangue é «semente de cristãos», esta semente deve brotar em florescimento em todo o universo, sob pena de conservar dentro do seu próprio cântaro a força mais dinâmica e multiplicadora do Evangelho.
Falar da originalidade da Igreja da América Central significa agradecer a Deus os seus animadores da Palavra, os seus catequistas, os seus dirigentes municipais, a sua vasta diversidade étnica e cultural, as suas pequenas comunidades eclesiais, vivas e dinâmicas, os seus pastores, as suas lutas pela libertação e pela justiça, a sua esperança jamais sufocada e a sua profunda vivência comunitária traduzida em solidariedade, em resistência indestrutível e em alegria festiva.
Tudo isto nos fala de uma potencialidade única, rica, inédita e própria da Missão ad gentes.

2. Comunhão e participação

A Conferência de Puebla convidou-nos a considerar a Missão a partir da perspectiva da comunhão e da participação (cf. Documento de Puebla, 15). Hoje, temos o dever de reconhecer as implicações profundamente missionárias destas dimensões centrais do mistério da salvação, que se realiza na história e se projeta para a revelação escatológica definitiva do Reino de Deus. Estes temas-chave empobrecem-se, quando não são entendidos a partir de uma ótica universalista.
O Concílio Vaticano II falou da Igreja como de um sinal e instrumento da comunhão dos homens entre si e com Deus. Esta comunhão desejada por Deus realiza-se não somente em cada uma das comunidades eclesiais, e tampouco apenas na relação necessária nas Igrejas locais entre si, mas projeta-se para toda a humanidade, para todos os homens e mulheres, rumo a todos os povos. A Igreja universal, vitalmente presente em cada uma das Igrejas locais, significa e realiza este mistério no contexto da história.
A «comunhão» é um elemento essencial na Igreja. E a comunhão, para que não permaneça apenas como uma palavra muito bonita e um sentimento piedoso, deve traduzir-se em «comunhão e participação». «Em virtude da comunhão – afirma o Decreto conciliar Ad Gentes – as Igrejas comunicam entre si os seus próprios bens» (n. 38).
A Conferência de Puebla continuará a ser, no nosso Continente, a voz profética que dá um suave toque de graça às nossas Igrejas particulares, convidando-as para «anunciar e promover os valores evangélicos da comunhão e da participação» (cf. Documento de Puebla, 15), «dando a partir da sua pobreza» para «intensificar os serviços mútuos entre as Igrejas particulares», «projetando-se para além das suas próprias fronteiras ad gentes» (Ibid., n. 368).
Por conseguinte, a comunhão deve ser o fundamento de toda a consciência e compromisso missionário, se quiser ser realmente a expressão do que há de mais radical e fulcral no seio da Igreja. É um modo de ser, um novo estilo e uma nova conduta dentro da Igreja e das relações das diversas Igrejas particulares entre si.
O Papa João Paulo II também dá testemunho disso, quando nos diz na Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte: «Partindo da comunhão dentro da Igreja, a caridade abre-se, por sua natureza, ao serviço universal, frutificando no compromisso de um amor ativo e concreto por todos os seres humanos. Este âmbito qualifica de modo igualmente decisivo a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral» (n. 49).
Com toda a força da patrística e da práxis das diferentes Igrejas particulares dos primeiros séculos, afirmamos que a «comunhão entre as Igrejas é inseparável da missão ad gentes, pois inclui a função de suscitar novas Igrejas» (cf. Clemente Romano aos Coríntios, XLI, 4; XLII).
Reconhecemos a potencialidade evangelizadora do povo de batizados como protagonista – e não apenas destinatário – da missão. Compreendemos a evangelização como uma ação que se realiza a partir do povo, e não só para ele. A respeito deste aspecto, temos necessidade de insistir sobre o protagonismo dos batizados e das batizadas, especialmente dos fiéis leigos, gerando a participação em todos os processos da ação evangelizadora da Igreja.

3. Dar a partir da nossa pobreza

Uma das maiores contribuições da América Latina para a Missão é a [sua] pobreza. Esta pobreza é vista como possibilidade, abertura, comunicação de bens, comunhão e participação. Mas também como estilo de vida, desapego e simplicidade. E sobretudo como anúncio de algo novo, que pode estar fecundando nas camadas mais baixas da sociedade, no sofrimento e nas lágrimas dos pobres do mundo inteiro. Trata-se de um anúncio e de uma admoestação: o futuro deve ser diferente. Mais do que uma condição, a pobreza é um sinal de novidade: é profecia.
A fim de que a Igreja que está na América Central assuma a pobreza na sua dimensão profética, são necessários:

** a audácia de gestos significativos e inequívocos de caridade no seguimento de Jesus;
** que a fidelidade aos últimos tenha uma incidência social e histórica;
** que a comunhão e a participação se exprimam em serviços concretos entre as Igrejas particulares, tais como o intercâmbio de agentes de pastoral, o incentivo a projetos conjuntos e a assistência financeira;
** a promoção de experiências de inculturação, que exprimam a autenticidade das suas raízes culturais e constituam uma contribuição para a Igreja universal;
** a multiplicação de ministérios laicais, como contributo específico dos leigos para as Igrejas particulares; e, finalmente,
** o apoio ao Projeto missionário.

Sentimo-nos pobres diante da falta de recursos pessoais e materiais, necessários para uma perspectiva missionária. Sentimo-nos pobres perante a escassez de uma tradição missionária generalizada. Sentimo-nos pobres face aos grandes problemas pastorais que nos angustiam.
Mas em tudo isto, não podemos deixar-nos orientar por critérios meramente humanos. A sabedoria do mundo sugere-nos que esperemos até que todos os grupos humanos das nossas Igrejas particulares sejam evangelizados, a ponto de nos tornarmos auto-suficientes, para então empreendermos a missão nos outros continentes.
Contudo, a lógica do Evangelho é diferente: ela exorta as Igrejas mais jovens, mesmo as mais carentes de pessoal suficiente, para que participem quanto antes possível na missão universal (cf. Ad Gentes, 20).
Nesta perspectiva, a Conferência de Puebla urge-nos a intensificar imediatamente os nossos esforços missionários ad gentes, sem esperar um período ideal em que não haja mais riscos, nem sacrifícios. A Conferência de Puebla pede-nos que cheguemos a «dar a partir da nossa pobreza».
Esta atitude de dar a partir da pobreza reflete o estilo da ação de Deus na história da salvação, uma vez que Ele escolhe os pequeninos e os mais frágeis para ser seus colaboradores. Esta atitude convida-nos inclusive a seguir modelos missionários que sejam mais simples e, por conseguinte, mais evangélicos.
Aqui nasce um novo estilo de missão, que se propõe: não levar, mas descobrir; não só dar, mas também receber; não conquistar, mas sim compartilhar a procura; não ser mestre, mas aprendiz da verdade, valorizando tudo o que houver de bom e de verdadeiro nos outros povos e nas demais culturas.
Esta é a vocação, a escolha que Deus faz em relação à América Central, por ocasião do CAM 2 ou COMLA 7.

4. Renovação

O Papa João Paulo II afirmou em diversas circunstâncias: «A missão renova a Igreja». Ela ajuda-nos a abrir fronteiras, a descobrir novos horizontes, a conhecer outras culturas, a permutar metodologias pastorais, a contemplar a presença de Deus a partir de experiências vividas, celebradas e compartilhadas nos novos contextos teológicos, e sobretudo a pôr fim a toda a rotina, mediocridade e passividade. A missão gera um processo irrefreável de criatividade, de imaginação e de iniciativas, em ordem à construção do Reino.
Por isso, temos necessidade de inserir cada vez mais a missão universal em cada uma das nossas Igrejas particulares, paróquias e comunidades. O Concílio Vaticano II exprime-o com as seguintes palavras: «A graça de renovação das comunidades não pode crescer, se não alargar cada um dos campos da caridade até os confins da terra e não tiver pelos “distantes” uma solicitude semelhante à que sente pelos seus próprios membros» (Ad Gentes, 37).
Acreditamos sinceramente que a fidelidade das nossas Igrejas particulares da América Central, que partem ad gentes apesar da sua pobreza e mesmo em sérias condições de necessidade, forjará nelas não apenas um fator de renovação, mas também de unificação das suas diferentes opções e do seu pluralismo, por vezes tão necessitados de reconciliação e de síntese.
A missão é o grande dinamismo unificador da Igreja, da sua teologia, da sua pastoral e da sua espiritualidade. O componente missionário insere-se no âmago da fé, revigorando e dinamizando a teologia e a pastoral no seu conjunto, gerando um novo modo de ser, dando um novo sabor e uma renovada energia vitalizadora, que é a espiritualidade missionária.

5. Os grupos missionários

A missão tem um sinal, e sobretudo quando se projeta a partir da América Central: é o testemunho de uma pequena comunidade. A vida cristã é comunidade, e a sua tarefa consiste em formar (outras) comunidades, pequenos grupos em que o amor seja um sinal e um testemunho. Ali, a Palavra de Deus é experimentada, vivida e realizada. O dom do Espírito Santo é o seu guia, a sua força e o seu dinamismo. Não obstante, estas comunidades são missionárias: elas crescem, multiplicam-se e geram renovadas pontencialidades de envio, de anúncio e de comunicação do Evangelho.
A missão não é uma aventura, uma tarefa para pessoas isoladas. E não é, tampouco, um monopólio de alguns indivíduos privilegiados ou de certos setores exclusivos. É tarefa que cabe ao povo de Deus. Por isso mesmo, são os grupos compostos por sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos e leigas que, em nome das suas Igrejas particulares, enviados pelos seus bispos, devem ir mais além, ad gentes, para anunciar Jesus Cristo.
Os grupos de missionários não renunciam à sua comunidade de origem, mas estabelecem com ela um vínculo mais profundo de pertença, de comunhão, de relação e de dependência. Esta é a expressão mais significativa e mais convincente da missionariedade da sua Igreja particular. Por conseguinte, a comunicação, a vivência espiritual e a solidariedade traduzida em numerosos pormenores alimentarão a vida daquele que é enviado e de quem o envia, de maneira cada vez mais renovada, criativa, generosa e vital. Trata-se do princípio de um novo modo de ser Igreja: a Igreja missionária.

Objetivo geral

Animar as Igrejas que estão na América Central a fim de que, em função do CAM 2 ou COMLA 7, realizem de forma concreta o propósito de se projetar para além das suas próprias fronteiras: ad gentes.

Objetivos específicos

? Fortalecer as Igrejas particulares, para que assumam o seu compromisso universal.
? Testemunhar na América Central a vida da Igreja como «casa e escola da comunhão», em ordem ao seu compromisso missionário.
? Centralizar a formação do Povo de Deus e, de forma especial, dos agentes de pastoral, no dinamismo unificador da missão.
? Formar comunidades vivas e maduras (cf. Documento de Puebla, 364) na escolha da missão.
? Estimular o envio missionário ad gentes em cada uma das Igrejas particulares, de leigos e leigas, religiosos e religiosas, e de sacerdotes do clero diocesano.
? Promover nas comunidades a espiritualidade da missão a partir da contemplação.

Destinatários

Este projeto tem como destinatário todo o Povo de Deus que peregrina na América Central, mas concentra-se de maneira específica em dois sujeitos bem definidos.

1. As Igrejas particulares

«Se quiser ser radical, todo o compromisso missionário deverá recomeçar a partir da “centralidade” da Igreja particular». Isto define o futuro da Igreja, como foi proclamado pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Ali, a Igreja particular volta a adquirir o seu protagonismo como sujeito ativo da missão ad gentes. A Igreja particular alcança a sua plena maturidade, quando assume a totalidade da missão da Jesus Cristo e esta totalidade inclui, necessariamente, a abertura para além dos confins que lhe são próprios.
Cada uma das Igrejas particulares é enviada por Jesus Cristo para levar o Evangelho aos ambientes circunvizinhos e para o mundo inteiro. Ela é responsável pela sua missão e co-responsável pela missão de todas as Igrejas. Hoje, com maior vigor, as Igrejas particulares sentem o anseio por todas as Igrejas e comprometem-se cada vez mais na grandiosa tarefa missionária a nível universal.
Toda a Igreja é, por sua natureza, misisonária. Neste sentido, poder-se-ia dizer que cada uma das Igrejas particulares deve organizar-se em ordem à missão, enviando e ajudando os missionários. Sem este impulso missionário, como no-lo diz o Papa João Paulo II, ela «corre o perigo de ficar incompleta ou de se deter» (Mensagem de João Paulo II para o «Domund», 1981).
Nas origens do cristianismo, eram as Igrejas particulares que se encarregavam do envio dos missionários e da formação das novas comunidades. Éfeso, Filipos e Antioquia enviavam os melhores missionários. Cada uma das comunidades vivia a «solicitude pelas Igrejas». «O Senhor incluía cada dia, na comunidade, aqueles que haviam de ser salvos» (cf. At 2, 2-47). A «missionariedade» não era um elemento opcional. Toda a sua vida – fundamentada sobre a Palavra, a Eucaristia e a Caridade – era testemunho e anúncio de Jesus Cristo. A missão era concebida e vivida como um dar e um receber, como uma permuta de dons. As transformações dos tempos fecharam este capítulo missionário, que só voltou a abrir-se recentemente, por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II.
A missionariedade das Igrejas particulares é uma exigência de comunhão. Comunhão com toda a Igreja universal, comunhão entre as próprias Igrejas particulares e comunhão como expressão da missão. Por isso, falamos dos Espaços da comunhão, porque a comunhão não pode subsistir exclusivamente a nível teórico. É necessário pô-la em prática, são precisos fatos concretos, respostas sérias, programadas e contínuas. Como responder ao Papa, quando formula votos por que o novo milênio venha a ser uma ocasião para a renovação da Igreja, em conformidade com as exigências do Concílio Vaticano II (cf. Novo Millennio Ineunte, 2)? E o Papa quer que Ela se renove através da missão na comunhão.
Em Puebla, os Bispos afirmaram: «Devemos assumir a colegialidade episcopal, com todas as suas dimensões e consequências, a níveis tanto regional como universal» (Documento de Puebla, 702). Quais são estas dimensões e consequências? É o próprio Documento de Puebla que responde a esta interrogação: «A Igreja particular deverá dar maior relevo à sua índole missionária e à comunhão eclesial, compartilhando valores e experiências, e favorecendo o intercâmbio de pessoas e de bens» (Ibid., n. 655).
Quem é que estabelece o critério para «o intercâmbio de pessoas e de bens»? É ainda o Documento de Puebla que responde a esta pergunta: «Ele define-se a partir da Pobreza» (Ibid., n. 368). O critério evangélico é a necessidade do próximo, e não o cálculo humano, que tem em vista primeiro a abundância do que se possui, para então dar somente daquilo que sobra. Deve-se dar também daquilo que se possui como último recurso para a própria subsistência, em conformidade com os conselhos evangélicos. A abundância de bens eclesiais: os recursos humanos, os fundos financeiros e as estruturas não se tornem cegos e surdos às necessidades do próximo. Considerando que somos ricos, damos muito pouco.
«A obrigação do Bispo – afirma ainda o Documento de Puebla – consiste em criar todos os mecanismos necessários para que a sua Igreja particular seja uma comunidade evangelizada e evangelizadora, apta para o intercâmbio com as outras Igrejas particulares, animada pelo espírito missionário, e que faça irradiar a riqueza evangélica que habita no seu interior» (cf. ibid., n. 647).
Na sua Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, o Papa João Paulo II diz-nos: «Os espaços da comunhão hão de ser aproveitados e promovidos dia a dia, a todos os níveis...» (n. 45). Hoje em dia, é frequente falar da comunhão entre as Conferências Episcopais, entre os vários bispos, entre os presbíteros, entre as paróquias, entre os diversos movimentos eclesiais, entre as congregações e as ordens, entre os institutos missionários e em todo o Povo de Deus. E tudo isto, para quê? Para renovar a Igreja e para fazer com que a Missão seja eficaz...
Contudo, enquanto não centralizarmos os nossos projetos e os nossos planos pastorais na Missão, temo que a comunhão, tão desencantada e exigida, permanecerá como uma letra morta, e as nossas Igrejas particulares continuarão a sua rotina habitual, a caminho da decadência anunciada.
O Documento de Santo Domingo exorta as Igrejas particulares do Continente a «assumirem com coragem o envio missionário, tanto de sacerdotes como de religiosos e leigos. Coordenem os recursos humanos e materiais, que fortaleçam os processos de formação, envio, acompanhamento e nova inserção dos missionários» (Documento de Santo Domingo, 128).

2. Os povos, especialmente os do mundo não evangelizado: Missão ad gentes

O Santo Padre constata com amargura que depois de dois mil anos de Anúncio do Evangelho, «a missão ad gentes ainda está no começo» (Redemptoris Missio, 40). Esta realidade desafia-nos, comove-nos e constitui uma prova para todas as nossas opções.
Trata-se, pois, da atividade missionária junto aos povos ou grupos humanos que ainda não conhecem Jesus Cristo. A sua finalidade consiste em anunciar Cristo e o seu Evangelho, para suscitar a fé cristã na sua grande novidade; fazer nascer comunidades cristãs nas diversas culturas, ou seja, fazer nascer e crescer a Igreja local; e promover os valores do Reino de Deus na sociedade. Esta é a chamada «missão ad gentes», destinada aos povos não cristãos.
Entendemos a «missão ad gentes» como um movimento de amor para além das fronteiras cristãs, a fim de que o Evangelho seja acolhido por todos os homens e mulheres, por todos os povos da terra. Trata-se de um movimento ininterrupto, começado por Jesus Cristo, o Senhor ressuscitado, enviado pelo Pai para que o homem e a mulher tenham vida. A Igreja continua este movimento com a força do Espírito Santo, enviando missionários e missionárias para junto dos povos que ainda não conheceram (a níveis pessoal e cultural) a mensagem evangélica, em vista de a transmitir a eles e de se enriquecer por sua vez com os valores – sementes do Verbo – neles já presentes.

Programas

O Projeto missionário para a América Central, aqui apresentado, tem em vista cinco programas, que a seguir damos a conhecer:

1. O programa das Igrejas Irmãs

O programa das «Igrejas Irmãs» é a ação por intermédio da qual duas Igrejas, a níveis local, nacional ou continental, com a finalidade de motivar e de realizar o dever da missão universal que incumbe sobre todo o Povo de Deus, se comprometem numa contribuição de ajuda missionária, mediante a oferta de recursos humanos, financeiros e institucionais.
Desta forma, vivendo em comunhão e participação, duas Igrejas Irmãs dão lugar a um novo modo de ser Igreja. Nenhuma Igreja pode pensar que tem uma compreensão autêntica da sua universalidade, se se fecha em si mesma, desconsiderando a sua obrigação de fazer nascer outras Igrejas e de prestar ajuda às mais necessitadas de entre elas.
Este programa nasceu no Brasil. Gradualmente, foi tomando vigor e forma. São numerosíssimas as Igrejas que se vão associando entre si, numa comunicação de bens verdadeiramente evangélica. Nenhuma Igreja é tão pobre que não consiga dar algo, e nenhuma Igreja é tão rica que não possa receber algo da sua Igreja Irmã.
A Carta Encíclica Fidei Donum, do Papa Pio XII, abre as portas da África à Igreja universal. O Papa João Paulo II, na Carta Encíclica Redemptoris Missio, exorta-nos a partir rumo à Ásia. As nossas Igrejas da América Central têm necessidade de se abrir às outras culturas, línguas e tradições. Chegou a hora de apresentar os nossos tesouros culturais a outros comensais. Chegou o momento de compartilhar as riquezas da nossa Fé com outros povos. Cada batizado é um enviado. Hoje em dia, a dádiva do acolhimento e o fato de partir definem o caminho da renovação das nossas Igrejas.
É importante ter em consideração, neste programa, o conhecimento de ambas as Igrejas, os seus elementos culturais, as suas necessidades mais sentidas e os seus recursos; a seleção das pessoas a serem enviadas, a sua preparação e o seu acompanhamento; os intercâmbios recíprocos ou a reciprocidade de programas entre ambas as Igrejas, o respeito mútuo e a ajuda para o crescimento e a maturidade.

2. O programa dos Centros Missionários Nacionais

A Instrução da Congregação para a Evangelização dos Povos sobre a «Cooperação Missionária» (Cooperatio Missionalis) encoraja as Conferências Episcopais a criar um Conselho Missionário Nacional. Este Conselho deverá coordenar todas as instâncias missionárias das nossas Igrejas. Entre elas, podemos destacar o Centro Missionário.
Estes centros missionários já foram recomendados antes pelo Documento de Santo Domingo. Eles devem depender de uma equipe missionária, impelida por uma espiritualidade viva, em vista de uma ação missionária criativa e generosa (cf. Documento de Santo Domingo, n. 128).
As nossas Igrejas necessitam de um mínimo de estrutura que as ajude a enfrentar eficazmente os desafios da missão. Muitas vezes, os recursos de que dispomos não nos permitem assumir por nossa própria conta as inúmeras tarefas e responsabilidades que se nos apresentam. Por isso, mais do que centros missionários, prefiro falar de centros nacionais. E no caso concreto da América Central, seria ainda melhor falar de um Centro Missionário Internacional.
O Centro em questão deverá fundamentar-se numa trinômio muito simples, que corresponde a algumas tarefas concretas na vida das nossas Igrejas: organização, animação e formação. Um pequeno grupo assumirá estas funções ou responsabilidades.

Organização

Trata-se do planejamento das atividades e das respectivas responsabilidades, dos objetivos e das metas, bem como da infra-estrutura que deverá facilitar todo o trabalho a realizar. Ela procura unir todas as forças vivas presentes na comunidade, as instituições e todos os mecanismos que hão de assegurar o êxito almejado.

Animação

Por animação missionária entendemos a união de todas as forças vivas da Igreja, que concentram os seus esforços e recursos em ordem a despertar no Povo de Deus a consciência da Missão, assumida através de opções e de compromissos concretos por parte de todos e de cada um dos seus membros.
A animação missionária procura contagiar com o espírito missionário toda a Igreja, nas suas estruturas, em cada um dos seus membros, na reflexão teológica, na pastoral e na liturgia. Visamos uma Igreja inteiramente missionária e que viva em estado de missão, animada pelo mesmo Espírito e aberta a todas as situações e a cada um dos sonhos e das esperanças da humanidade inteira.

Formação

Apenas a animação não é suficiente, porque está sujeita a definhar. É necessária uma base sólida, consensual, que garanta a seriedade de todo o processo. E isto só pode ser corroborado pela formação e, neste caso, por uma formação missionária. Uma das primeiras tarefas de um Centro Missionário consiste em propiciar espaços e meios de formação em favor da comunidade eclesial. Além disso, ela procura centralizar toda a formação da comunidade na Missão. O processo evangelizador deve estar totalmente impregnado da Missão. O anúncio do querigma, a catequese, as preparações pré-sacramentais, a liturgia, o acompanhamento dos animadores e dos líderes das comunidades, tudo isto deverá corresponder a níveis de formação bem estruturados na missão e a partir da missão.
A formação missionária há de começar a partir dos seminários. Eles são os centros de missão mais representativos das Igrejas particulares. Sem uma teologia centralizada na missão não poderá existir uma pastoral missionária, nem uma espiritualidade missionária. E sem uma teologia missionária, sem uma pastoral missionária, sem uma espiritualidade missionária, o que seriam as nossas Igrejas particulares? Outras Igrejas? Igrejas paralelas no concerto eclesial?
Na conformação e na programação dos Centros Missionários, é necessário trabalhar em harmonia com as Pontifícias Obras Missionárias.
Um dos desafios mais sérios que temos de enfrentar nos dias de hoje, no campo da pastoral missionária, são os meios de comunicação. O centro missionário tem o dever de enfrentar este desafio na sua organização, animação e formação.

3. O Seminário Missionário Centro-Americano

Trata-se de uma idéia que está amadurecendo desde há algum tempo. Tenho a certeza evangélica de que o Espírito Santo está agindo nas mentes e nos corações dos nossos pastores, neste sentido. Não é algo novo, não corresponde a um esnobismo de última hora e nem pode ser o fruto de uma improvisação. Sabemos que peso e que responsabilidade isto comporta. Há de ser uma obra da Igreja, da Igreja-Comunhão, que conte com o consenso da Hierarquia, a ajuda do presbitério e o dinamismo das nossas comunidades eclesiais.
Deve ser o fruto de um processo de oração, de reflexão e de consideração das possibilidades que existem num ambiente de Fé e de Confiança na Providência. Trata-se do fruto da grande quantidade de sangue derramado, de muitos animadores provados no sofrimento e na esperança, de toda a angústia, dificuldade, pobreza e pequenez, de toda a vida eclesial e de todo o dinamismo pastoral. É o fruto amadurecido do CAM 2 ou COMLA 7.
Não é um sonho, mas algo que podemos realizar em conjunto. Para isso, bastaria uma pequena dose de espírito missionário nas nossas Igrejas, nos nossos agentes pastorais. Não somos destinados a percorrer este caminho sozinhos. Os institutos missionários do Continente americano devem ajudar-nos neste projeto. Podemos contar também com a ajuda da Congregação para a Evangelização dos Povos. Tenho a certeza absoluta de que o Secretariado Executivo do Departamento Missionário da América Central aprovaria esta iniciativa. A riqueza espiritual, cultural e eclesial dos nossos povos não poderia deixar-nos sozinhos neste campo.
Além disso, trata-se de um desafio, o maior que podemos apresentar neste momento aos nossos jovens, aos nossos seminaristas, aos nossos presbíteros e aos nossos religiosos. Um Seminário assumirá os compromissos missionários de cada uma das Igrejas particulares. Por conseguinte, serão os nossos melhores agentes no campo da pastoral (ou seja, os seminaristas, presbíteros, líderes juvenis e agentes pastorais em geral) que aumentarão o grupo de vanguarda em ordem à assunção deste compromisso. E tudo isto com a aprovação dos seus pastores. É isto que os documentos da Igreja proclamam, pedem e exigem: o melhor para a missão ad gentes nas Igrejas particulares e a partir delas mesmas.
Deposito esta proposta no coração de cada um de vós. E rezo para que ela, no futuro, se torne uma realidade repleta de bom êxito e os nossos missionários da América Central possam partir rumo a todos os continentes, em diálogo fraternal com cada uma das culturas e num trabalho conjunto pelo Reino de Deus, com todas as religiões do mundo.

4. A paróquia missionária

Trata-se de um miniprojeto. Mas talvez seja o mais prático e realizável dos que que contiuamos a apresentar; mais ainda, pode ser o início de um processo irrefreável de missionariedade para cada uma das Igrejas particulares, em toda a extensão da América Central.
Estamos conscientes da estratégia que pode representar a paróquia num trabalho de conscientização, formação e prática missionárias. Partimos de uma exigência simples, a participação do laicado, que contudo não deixar de ser uma proposta para todo o Povo de Deus.
A seguir exponho um projeto neste sentido, em sete etapas, como se tratasse dos sete sacramentos da paróquia missionária:

1. Começamos com a transformação de um grupo de pequenas dimensões, de três a cinco pessoas, que podemos definir como «equipe criativa». Devem ser pessoas que vibrem, sintam e conheçam bem a Missão. Sobre elas pesará a responsabilidade da organização, formação e animação missionária da Paróquia. É necessária uma determinada dose de espírito de liderança. Contudo, pode-se partir daquilo que já se possui. Será o tempo que as transformará gradualmente.
2. Um plano pastoral paroquial conciso, centralizado na missão. Que tudo respire, diga e signifique missão. «A tua Vida é Missão». A espiritualidade, a liturgia, os sacramentos, as devoções e a vida da comunidade serão como que o seu eixo central, o eixo transversal da missão.
3. A instauração de pequenos círculos missionários de estudo e de leitura, com diversos programas culturais, estrategicamente situados em toda a paróquia.
4. Experiências de trabalho pastoral com grupos da paróquia noutras áreas pastorais, próximas ou distantes, em conformidade com as possibilidades, mas fora da paróquia. Este passo é fundamental: trata-se de tirar as pessoas da paróquia, sair, ir além, a fim de que conheçam outras realidades. Cada experiência deve ser precedida de uma boa preparação e seguida da devida avaliação.
5. Poder contar com uma paróquia irmã, talvez noutro continente, com a finalidade de estabelecer com ela vínculos de solidariedade. Isto alarga o horizonte da paróquia. Que os meninos e as meninas das nossas paróquias mantenham correspondência com os meninos e as meninas das respectivas paróquias irmãs. Devemos conhecer a história das paróquias irmãs, a sua gente e a sua cultura. Periodicamente, leiam-se as cartas que nos são enviadas, no contexto das missas ou dos círculos de estudo. Ajudemos uma pequena obra que ali se deseja realizar. E que esta experiência se multiplique entre as comunidades, os grupos juvenis e os agentes no campo da pastoral.
6. Experiências de missão noutro país. Gradualmente, pode-se chegar a dar também este passo. Existem maravilhosas experiências de respeito. As pessoas vão amadurecendo no seu compromisso e nas suas opções, a tal ponto que começam a exigir este tipo de experiência. É a paróquia missionária que envia os seus missionários.
7. Os meios de comunicação ao serviço da Missão. Através de boletins, desenhos e concursos de cartazes nas escolas e nos colégios, de homilias que recorram a símbolos criados pela própria comunidade paroquial, de vídeos, de uma pequena emissora, do computador, etc. Tudo isto em benefício de momentos celebrativos, educativos, culturais e recreativos mais significativos para a vida da paróquia.

5. A ministerialidade ao serviço da Missão

Um dos grandes desafios que se apresentam à Igreja neste início de século é, sem dúvida, o da ministerialidade, o dos vários ministérios. E sobretudo dos ministérios laicais. Todos nós temos um lugar a ocupar, uma tarefa a desempenhar e uma responsabilidade a assumir na construção solidária da Missão da Igreja e do seu compromisso ad gentes.
O Concílio Vaticano II recorda-nos que a Igreja é «mistério, comunhão e missão». Trata-se de três termos para dizer a mesma coisa, para exprimir uma única realidade. É como dizer a vida da Igreja. Nós entendemo-la como «Mistério», como este «espaço humano visível» da entrega e do amor de Deus no tempo, entre nós. Como «Comunhão» na diversidade de povos e culturas, na tarefa conjunta de realizar o amor de Deus entre nós. E como «Missão», como a sua própria maneira de ser e de levar a cabo o plano salvífico do Pai.
Todavia, existe um termo mais simples, mais próximo e também teológico para definir a Igreja: «Povo de Deus». É quanto nos ensina o capítulo II da Lumen Gentium (Luz das Gentes), do Concílio Ecumênico Vaticano II. Quando dizemos «Povo», referimo-nos a um «sujeito histórico», num determinado contexto em relação a este nosso mundo, à sociedade em geral e à história. «É assim que se manifesta toda a Igreja» – escrevia São Cipriano, um Padre da Igreja do século III – como «uma multidão congregada pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
«Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para proclamar as obras maravilhosas daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável. Vós, que antes não éreis povo, agora sois Povo de Deus; vós, que antes não tínheis alcançado misericórdia, agora alcançastes misericórdia» (1 Pd 2, 9-10).
Esta Igreja, «Povo» e «Mãe», é uma Igreja «servidora». Na sua visita à sede da Organização das Nações Unidas, realizada em 1973, o Papa Paulo VI proclamou ao mundo inteiro que «a Igreja não tem e não quer outro privilégio, senão o de servir». E isto, a exemplo de Jesus Cristo: «Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).
Para exprimir este serviço no seio da Igreja, recorremos a um termo simples: «ministério». No Novo Testamento, «ministério» é a tradução de um vocábulo grego, «diaconia», que significa serviço. Este termo exprime uma dependência em relação a Deus, como entrega ao Pai, em Jesus Cristo, através do Espírito Santo, para se expressar em atitude de serviço em benefício do próximo.
No Novo Testamento, encontramos uma visão pluralista e diversificada dos ministérios, que são entendidos e vividos como uma prolongação do serviço do Senhor Jesus. É assim que se manifesta o ministério dos «Doze, como testemunhas extraordinárias da Ressurreição», dos «doutores, evangelistas e profetas». Os diversos serviços-ministérios vão nascendo segundo a difusão do Evangelho e as necessidades sentidas pelas comunidades.
Esta Igreja, como Povo de Deus, sabe que também os outros povos pertencem a Deus, que continua a agir amorosamente na sua história, em vista de os reunir todos na sua «família». Por isso, a Igreja não pode considerar alheia à sua vida e à sua missão no mundo, nenhuma preocupação ou dimensão da existência coletiva dos povos: ela está inserida na peregrinação do conjunto de todos eles, em ordem a prestar-lhes o seu serviço e dar-lhes o seu testemunho.
O Concílio Vaticano II ensina-nos: «O Espírito Santo orienta a Igreja inteira para a verdade, reúne-e na comunhão e no ministério, dá-lhe e governa-a com vários dons hierárquicos e carismáticos, enquanto a adorna com os seus frutos» (Lumen Gentium, 4).
E na Exortação Apostólica pós-sinodal Christifideles Laici (Os fiéis leigos), o Papa João Paulo II diz-nos: «A missão salvífica da Igreja no mundo realiza se, não só pelos ministros, que o são em virtude do sacramento da Ordem, mas também por todos os fiéis leigos: estes, com efeito, em virtude da sua condição batismal e da sua vocação específica, na medida própria de cada um, participam no múnus sacerdotal, profético e real de Jesus Cristo» (n. 23).
E o Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, ensina-nos: «Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios Pastores ao serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, pelo exercício de ministérios muito diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor houver por bem depositar neles» (n. 73).
As primeiras comunidades cristãs, que eram comunidades locais concretas, Corinto, Jerusalém, Roma e Éfeso, instituíam os ministérios que julgavam necessários para o bom funcionamento da sua própria comunidade. Dado que as comunidades possuem diversas culturas e distintas necessidades e problemas, os ministérios serão também diferentes e diversificados, segundo a comunidade, e mesmo nela eles variam em conformidade com as diversas épocas. Assim, referimo-nos aos ministérios, aos carismas, aos talentos, aos dons, às tarefas e às responsabilidades que temos de compartilhar tanto na Igreja como na sociedade em geral. Cada um desempenha uma função específica. Se a Igreja é um corpo, como nos diz São Paulo, onde os vários membros cumprem diversas funções em benefício de todo o corpo, assim também a sociedade constitui um organismo em que todos devem ser co-responsáveis e solidários, em ordem à feliz realização do grande projeto humano e divino.
«(Nós propomo-nos...) construir uma Igreja autóctone com um rosto, um coração e um pensamento que lhe sejam próprios, dotada dos seus agentes pastorais e dos seus organismos. Uma comunidade que exprima a sua fé e o seu culto a Deus no contexto de uma liturgia festiva, usando as línguas indígenas e as suas próprias manifestações culturais» (Mensagem dos membros da Conferência Episcopal Guatemalteca).
O Documento de Puebla diz-nos: «Atualmente, o Espírito Santo está suscitando na Igreja uma diversidade de ministérios, exercidos inclusive pelos leigos e pelas leigas, capazes de rejuvenescer e reforçar o próprio dinamismo evangelizador da Igreja (n. 858). Porém, «o grande ministério ou serviço que a Igreja presta ao mundo e aos homens que nele habitam, é a evangelização» (Ibid., n. 679). O maior de todos os ministérios da Igreja, como serviço específico, próprio e único que Ela pode desempenhar no mundo e pelo mundo é a EVANGELIZAÇÃO, digamos, a MISSÃO.
Então, a diaconia, ou seja, o ministério, será o exercício de uma função no seio da Igreja, em vista da edificação da comunidade, como orientação missionária. Por isso, o contexto existencial dos serviços-ministérios é o do serviço ao Evangelho.
Desde os primórdios, a Igreja que peregrina na América Latina confiou determinados serviços pastorais da sua missão evangelizadora também aos leigos: fiscais, mestres, recitadores de orações, responsáveis de confrarias e outras atividades da caridade cristã, destacando-se a valiosa tarefa dos autóctones.
Pouco a pouco, desenvolveram-se novos ministérios, em virtude das necessidades reais da humanidade e da própria Igreja. Muitos ministérios correspondem sobretudo às necessidades internas da própria comunidade. Mas nós perguntamo-nos: e as necessidades da Missão? Pois a Igreja encontra a sua razão de ser na Missão. É urgente promover novos ministérios eclesiais, capazes de «rejuvenescer e reforçar o próprio dinamismo evangelizador» da Igreja (Documento de Puebla, 858). Isto significa que a Missão e o ministério caminham juntos.
É perigoso que a Igreja fixe o seu olhar sobre si mesma, sem se preocupar senão com os ministérios que derivam das necessidades internas da Instituição. Esta pode ser uma maneira egoísta de subsistência. É necessário abrir as portas e gerar novos ministérios, que realizem a missão também do lado de fora: os ministérios do diálogo a todos os níveis, os ministérios que estabelecem relações com todas as instituições nos planos político, econômico e social, o ministério do discernimento, que nos leve a encontrar todos os valores existentes fora do cristianismo, o ministério da animação, etc.
Temos necessidade de alargar o horizonte da Missão. Hoje em dia, os ministérios da solidariedade podem constituir uma porta, necessária para tornar possível o nosso testemunho e o nosso compromisso evangelizadores. Aproximar-nos do homem, de cada homem e de cada mulher como «caminhos da Igreja», é um carisma que devemos despertar na nossa Igreja missionária no tempo presente.
Apresento esta doutrina como um princípio orientador, para multiplicar no nosso tempo, na América Central, os ministérios que visam a Missão ad gentes. Cada uma das Igrejas deverá fazê-lo, de acordo com as necessidades que sentir, e toda a Igreja tem o dever de o fazer, em ordem à grande carência, profundamente sentida, da Missão ad gentes.

Conclusão

Neste artigo quisemos discorrer sobre um Projeto missionário para a América Central, assumido como um compromisso por parte do CAM 2 ou COMLA 7. Um projeto subdividido em cinco etapas. Não se trata de rodas soltas, mas de uma unidade integral. Uma não seria compreensível sem as outras. Há cinco programas que procuram forjar a consciência missionária das nossas Igrejas particulares, vitalizando todas as suas instâncias, animando a vida da comunidade no dinamismo da missão e orientando a prática pastoral para Missão ad gentes.
Através de centros missionários bem organizados e de paróquias missionárias onde floresçam ministérios que visem a Missão, o Espírito do Senhor levar-nos-á a obter uma copiosa colheita de vocações, que nos há de permitir estreitar vínculos de comunhão, de fraternidade e de solidariedade com as Igrejas de outros continentes, que nos chamam para ir em seu socorro na abundante sementeira do Evangelho.
Igreja que estás na América Central: «A tua Vida é Missão!».

Bogotá, 20 de novembro de 2002.

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